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Pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas divulgada em 20 de julho coloca a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) em segundo lugar na disputa pelas duas vagas do Distrito Federal no Senado, atrás da senadora Leila Barros (PDT). O levantamento chega em meio ao racha aberto em junho entre a ex-primeira-dama e o enteado Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, e enquanto o STF endurece as restrições ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) segue entre as favoritas a uma das duas vagas do Distrito Federal no Senado, mesmo depois do racha público com o enteado Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Levantamento do Instituto Paraná Pesquisas divulgado na segunda-feira, 20 de julho, aponta a senadora Leila Barros (PDT) na liderança, com 39,2% a 40,5% das intenções de voto, e a ex-primeira-dama em segundo lugar, com 36% a 37,7%. A deputada Erika Kokay (PT) vem em seguida, com 28,4% a 29,8%, à frente da deputada Bia Kicis (PL), com 18,3%. Como cada entrevistado podia escolher até dois nomes, a soma dos percentuais ultrapassa 100%. Num cenário sem a ex-primeira-dama, a senadora do PDT vai a 41,6%, a deputada do PT a 30,4% e a deputada do PL a 20,5%. Foram ouvidos 1.500 eleitores entre 17 e 19 de junho, com margem de erro de 2,6 pontos percentuais e grau de confiança de 95%. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o código DF-01326/2026.
A crise familiar começou em junho, quando a ex-primeira-dama publicou dois vídeos com críticas duras ao enteado e afirmou ter sido maltratada por ele. O estopim, segundo a cobertura, foi o apoio do partido ao ex-governador Ciro Gomes na disputa pelo governo do Ceará, movimento que ela leu como abandono de valores da legenda. Desde então, ela se afastou da presidência do PL Mulher e sua pré-candidatura passou a ser tratada como incerta. Na terça-feira, 21 de julho, o coordenador da pré-campanha presidencial, senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que o partido mantém interesse na candidatura e que a ex-primeira-dama foi convidada para a convenção nacional marcada para sábado, 25 de julho, que oficializará a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Internamente, porém, a avaliação de integrantes da legenda é de que ela deve faltar ao evento.
Em paralelo, o cerco judicial ao ex-presidente Jair Bolsonaro se apertou. Em decisão publicada em 17 de julho, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu por 30 dias qualquer visita ao ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar, com exceção de médicos, fisioterapeutas e advogados, e vetou visitas com finalidade político-eleitoral até o fim das eleições de outubro. Contra o filho senador, permanece em vigor a restrição de 90 dias, mantida depois que ele divulgou, em 11 de julho, uma carta escrita pelo pai nas redes sociais. No sábado seguinte, 18 de julho, em evento no Espírito Santo, o pré-candidato disse que não vai abaixar a cabeça para tirano nenhum e afirmou pedir a Deus que resgate a alma do ministro.
A cobertura de centro relatou os dois movimentos com distanciamento: registrou as falas do pré-candidato ao lado do teor exato da decisão judicial e contrapôs o discurso oficial do partido sobre a candidatura ao Senado com a leitura interna de que a ex-primeira-dama não aparecerá na convenção. Também detalhou a negociação por apoio de siglas do centrão, motivada pelo tempo de televisão: hoje a pré-campanha tem cerca de 20% a menos do que a do presidente Lula, apoiado por PSB, PC do B, PDT, PV, PSOL e Rede. Veículos de direita enfatizaram a resiliência eleitoral da ex-primeira-dama, descrita como quem mantém força entre o eleitorado conservador apesar da crise, e destacaram o respaldo da direção nacional do partido à sua candidatura. Até o momento, veículos de esquerda não deram destaque ao levantamento nem ao desdobramento partidário, e essa ausência é, em si, o ponto cego da cobertura: os números que mostram uma parlamentar do PT crescendo no cenário sem a ex-primeira-dama circularam sobretudo em textos de enquadramento conservador.
O que ainda não se sabe pesa sobre todo o quadro. A ex-primeira-dama não se pronunciou sobre a manutenção da pré-candidatura, e o próprio coordenador da pré-campanha disse que ela falará em momento oportuno. Não está definida a vice da chapa presidencial, que depende do resultado da ofensiva sobre a federação União Brasil-PP e sobre o Republicanos. Também não há informação sobre se a ex-primeira-dama comparecerá à convenção de sábado. Por fim, o campo da pesquisa foi a campo entre 17 e 19 de junho, antes dos episódios de julho, de modo que os percentuais não captam o efeito das decisões judiciais mais recentes nem da nova rodada de atritos internos.
Toda a cobertura converge em três pontos: a ex-primeira-dama aparece em segundo lugar na corrida ao Senado pelo DF, atrás da atual senadora do PDT; o racha com o enteado começou em junho e deixou sua pré-candidatura em suspenso; e o Supremo endureceu em julho as restrições ao ex-presidente, incluindo o veto a visitas de familiares.
3 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
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Veículos com viés ao centro
Texto de apuração política clássica: transcreve declarações do coordenador da pré-campanha, contrapõe com a avaliação interna do próprio partido de que a ex-primeira-dama deve faltar à convenção e detalha a negociação por tempo de televisão e por apoio de siglas do centrão. Vocabulário neutro, sem adjetivação valorativa sobre os personagens.
Perspectivas omitidas
O texto se organiza como registro de discurso: cita longamente as falas do senador, data e localiza o evento e recupera o teor da decisão que suspendeu visitas ao ex-presidente por 30 dias e manteve o veto de 90 dias ao filho. Não adota o vocabulário do orador como voz própria nem endossa as acusações, mas também não busca resposta do lado atacado, o que deixa afirmações graves sem checagem.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
Os números da pesquisa são apresentados com rigor metodológico, incluindo código de registro eleitoral e a ressalva sobre a soma acima de 100% por haver duas vagas. O enquadramento, porém, é favorável: a ex-primeira-dama é descrita como quem 'mantém a força entre o eleitorado bolsonarista' apesar da crise, e o texto destaca o apoio do presidente nacional do partido à sua candidatura, sem espaço para leituras críticas do episódio.

Rogério Marinho afirmou que ex-primeira-dama está convidada para convenção nacional do PL

Filho do ex-presidente afirmou ainda que pede a Deus para resgatar a alma de Alexandre de Moraes

Levantamento Paraná Pesquisas divulgado nesta segunda-feira, 20, indica ex-primeira-dama na segunda colocação na corrida ao Legislativo
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Falácias identificadas
Perspectivas omitidas


