
Presídio do Rio com 217% de ocupação vê nascer facção Primeiro Comando do Golpe
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Uma dissidência da facção Povo de Israel começou a se organizar nos presídios do Rio de Janeiro sob o nome de Primeiro Comando do Golpe, depois da morte do líder do grupo, Avelino Gonçalves Lima, no ano passado. Documentos do Conselho Penitenciário do Estado do Rio de Janeiro, elaborados após vistoria em julho no Presídio Evaristo de Moraes, registram incêndio em galeria, espancamentos e ameaças de morte, além de superlotação: 3.244 internos em uma unidade com capacidade para 1.497. A Secretaria estadual de Polícia Penal nega os relatos de agressão, afirma adotar medidas contra a superlotação e diz ter acionado a inteligência para identificar os envolvidos.
Esquerda
Sem cobertura neste espectro.
Centro
Uma dissidência da facção Povo de Israel começou a se organizar nos presídios do Rio de Janeiro sob o nome de Primeiro Comando do Golpe, depois da morte do líder do grupo, Avelino Gonçalves Lima, no ano passado.
Direita
A formação do Primeiro Comando do Golpe expõe a perda de controle do Estado sobre suas próprias unidades prisionais: presos organizam facções de dentro da cadeia, comandam incêndios para tomar galerias e sustentam uma economia de golpes por telefone e venda de drogas atrás das grades.
Veículos com viés à esquerda
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Veículos com viés ao centro
Reportagem local factual: apresenta o dado de ocupação de 217%, cita nominalmente o conselheiro autor do ofício, reproduz o trecho do relatório e registra a negativa da Secretaria estadual de Polícia Penal. Não há vocabulário valorativo próprio nem defesa de solução política; o enquadramento é descritivo, com equilíbrio entre denúncia documental e resposta do órgão.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
Classificada como centro, embora o veículo tenha viés editorial direita.
Texto de agência republicado, com linguagem descritiva e atribuição consistente ('segundo o relatório', 'contou a fonte'). O enquadramento é de crime organizado e resposta policial, e trechos fortes como 'a um passo de um banho de sangue' vêm entre aspas do relatório oficial, não do redator. Apesar do publisher de perfil à direita, o conteúdo é factual e não editorializa: classificado CENTER pelo corpo.
Documentos oficiais do Conselho Penitenciário do Estado do Rio de Janeiro registram a formação do Primeiro Comando do Golpe, dissidência do Povo de Israel, dentro de presídios fluminenses. O relatório descreve incêndio em galeria, espancamentos e ameaças de morte em uma unidade que abrigava 3.244 presos para 1.497 vagas.
O sistema penitenciário do Rio de Janeiro pode estar diante do nascimento de uma quinta facção criminosa. Uma dissidência do Povo de Israel, o PVI, começou a se organizar dentro das unidades fluminenses sob o nome de Primeiro Comando do Golpe, depois da morte do chefe do PVI, Avelino Gonçalves Lima, de 54 anos, no ano passado. A movimentação já provocou conflitos internos, com relatos de incêndio em galeria, espancamentos e ameaças de morte.
O Povo de Israel nasceu dentro dos presídios e não controla territórios fora deles. É formado pelos chamados neutros, presos que não pertencem ao Comando Vermelho, ao Terceiro Comando Puro nem aos Amigos dos Amigos e que, em geral, não são aceitos por essas organizações por responderem por crimes como estupro e estelionato. A principal fonte de renda do grupo são golpes aplicados por telefone, embora ele também venda drogas dentro das unidades.
O relato sobre a nova facção apareceu em documentos oficiais do governo do estado. Uma equipe do Conselho Penitenciário do Estado do Rio de Janeiro, o Cperj, esteve em julho no Presídio Evaristo de Moraes, em São Cristóvão, conhecido como Galpão da Quinta, para avaliar estrutura, lotação e condições de trabalho dos servidores. Os conselheiros ouviram dos próprios detentos os relatos de disputa. Um interno disse ter sofrido fratura em três costelas em uma briga entre integrantes dos dois grupos. Segundo trecho do relatório, presos afirmaram temer ser mortos dentro da unidade, e um deles descreveu o presídio como estando a um passo de um banho de sangue.
Em ofício enviado à Secretaria estadual de Polícia Penal, a Seppen, no dia 9 de julho, o conselheiro Enzo Luchione classificou a situação como crítica. Ele associou os relatos da dissidência à superlotação e à falta de servidores: a unidade tem capacidade para 1.497 pessoas e abrigava 3.244 internos, ocupação equivalente a 217% da prevista. A secretaria negou os relatos de agressão, afirmou estar adotando medidas para reduzir a superlotação e informou ter elaborado um relatório sobre o novo grupo, enviado aos setores de inteligência da Segurança Pública. Um servidor da pasta, que pediu para não ser identificado, disse que pelo menos 60 presos já foram identificados como integrantes do Primeiro Comando do Golpe e que a disputa com o PVI ocorre em várias unidades.
No dia 23 de julho, no Presídio Lemos de Brito, no Complexo de Gericinó, presos ligados ao novo grupo atearam fogo em uma galeria para tentar tomar o controle do espaço. A ação teria sido comandada por Thiago Faustino Apolinário dos Santos, conhecido como TH, isolado em seguida, com outros cinco presos, em Regime Disciplinar Diferenciado. No início de agosto, a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas prendeu um policial penal suspeito de facilitar a entrada de celulares e entorpecentes para integrantes do grupo.
A cobertura de centro apresentou o caso como reportagem local de segurança, ancorada nos documentos do conselho penitenciário e na resposta oficial da secretaria, e deu peso aos números de lotação da unidade. Veículos de direita reproduziram o mesmo conjunto de fatos com destaque para o crime organizado e para a falha de controle do Estado sobre as prisões, incluindo a prisão do agente acusado de abastecer detentos. Veículos de esquerda não haviam registrado o caso até o momento; o ângulo das condições carcerárias e da responsabilidade do poder público pela superlotação aparece apenas por meio dos documentos oficiais citados na cobertura existente.
Ainda não se sabe qual é o tamanho real do Primeiro Comando do Golpe além dos 60 presos identificados pela inteligência penitenciária, se o grupo pretende atuar fora dos presídios e quais medidas concretas a secretaria adotará para separar os detentos em disputa. Também não há resposta pública sobre a divergência entre os relatos de espancamento colhidos na vistoria e a negativa oficial, nem prazo anunciado para o enfrentamento da superlotação apontada no ofício.
A cobertura disponível converge nos mesmos fatos documentais: a dissidência do Povo de Israel se organiza como Primeiro Comando do Golpe, o Conselho Penitenciário do Estado do Rio de Janeiro registrou conflitos em vistoria de julho e a unidade inspecionada opera com ocupação muito acima da capacidade.

Criação do Primeiro Comando do Golpe, uma dissidência do Povo de Israel, tem provocado conflitos entre detentos

Criação da dissidência do Povo de Israel tem provocado conflitos entre detentos
Perspectivas omitidas
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