A defesa de Felipe Cançado Vorcaro, primo do empresário Daniel Vorcaro, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a soltura dele e contesta a versão da Polícia Federal segundo a qual ele teria tentado fugir em um carrinho de golfe antes do cumprimento de mandados da Operação Compliance Zero. O episódio ocorreu em 14 de janeiro, em uma residência em Trancoso, no sul da Bahia, durante a segunda fase da operação. A apuração investiga um suposto esquema bilionário de fraudes no sistema financeiro, com foco em operações do Banco Master, suspeito de emitir títulos de crédito sem lastro e prometer rentabilidade fora dos padrões de mercado.
O ponto central da disputa é a identificação de um homem registrado pelas câmeras de segurança. A cobertura de centro relatou que a Polícia Federal informou ao STF que, por volta das 5h40 da manhã, um homem com roupas semelhantes às de Felipe embarcou no carrinho de golfe e deixou o local cerca de 20 minutos antes da chegada dos agentes. O trecho estava parcialmente encoberto por vegetação, mas, segundo os investigadores, peritos da corporação consideraram as imagens compatíveis com a identificação do empresário, que foi tratada como indício de tentativa de evasão.
A defesa apresentou uma perícia particular para rebater essa conclusão. Veículos de esquerda destacaram que o laudo independente sustenta que o homem identificado como 'P1' não seria Felipe, mas seu sogro, Kelson de Oliveira, hóspede da casa na ocasião, enquanto o segundo indivíduo seria Eduardo Phillipe Dantas Cunha Melo. Os peritos contratados atribuíram grau '-1' à hipótese de que P1 fosse Felipe e grau '-2' à de que P2 fosse o investigado, classificações que, na metodologia adotada, representam contradição fraca e moderada à identidade. O documento ainda critica a Polícia Federal por ter trabalhado com imagens estáticas selecionadas, e não com os vídeos originais, o que comprometeria a confiabilidade das conclusões.
A leitura crítica dessa cobertura enfatiza o risco de uma prisão preventiva apoiada em interpretação frágil de provas. Segundo a defesa, a suposta fuga seria apenas uma coincidência temporal entre a saída do veículo e a chegada dos agentes, sem relação causal demonstrada. O laudo afirma também que as próprias imagens mostram o mesmo carrinho retornando à residência pouco tempo depois, com as mesmas duas pessoas em seu interior.
Veículos de direita, em chave mais institucional, enfatizaram que a Segunda Turma do STF já decidiu, na semana passada, manter as prisões de Felipe Vorcaro e de Henrique Vorcaro, pai de Daniel, e que a apuração trata de um possível crime financeiro de grande porte. Nessa leitura, cabe à Justiça avaliar a contestação técnica dentro do trâmite regular, sem que o questionamento da defesa, por si só, invalide a decisão já tomada pela corte.
O que ainda não se sabe é como o STF responderá ao pedido de soltura e à perícia particular apresentada, nem se a Polícia Federal vai contestar formalmente o laudo da defesa. Também não há, até o momento, manifestação pública da PF rebatendo ponto a ponto os questionamentos técnicos sobre a identificação nas imagens.