A Petrobras registrou crescimento na produção de petróleo em 2026. Segundo a estatal, a produção foi 14% maior em maio na comparação com o mesmo mês de 2025 e avançou quase 10% no acumulado de janeiro a maio. Os números foram apresentados pela presidente da companhia, Magda Chambriard, durante o lançamento do Anuário do Petróleo 2026, elaborado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, a Firjan.
A cobertura de centro relatou o fato de forma direta: a alta de 14% atribuída pela própria empresa e a expectativa de que o petróleo siga como o principal produto de exportação do Brasil pelo terceiro ano consecutivo. Os dados do anuário mostram ainda que o estado do Rio de Janeiro concentra hoje 88% da produção nacional, consolidando-se como o principal polo da atividade no país. Nesta mesma terça-feira, a Petrobras firmou um acordo de cooperação com a estatal mexicana Pemex.
Os detalhes técnicos convergem entre as fontes. O crescimento é creditado ao chamado ramp-up das plataformas P-78 e P-79, que estão entrando em plena operação. A presidente da Petrobras citou ainda a criação de um polo petroquímico no entorno do Complexo de Energias Boaventura, em Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio, projeto antes conhecido como Comperj, que retomou a produção de gás em 2024 após anos de paralisação.
As ênfases da cobertura, porém, se separam. Veículos de esquerda destacaram a Petrobras como motor da economia nacional e instrumento de soberania energética, reproduzindo com simpatia as falas de Chambriard. A presidente afirmou não ter vergonha de produzir petróleo e defendeu uma transição energética que combine fontes renováveis com energia barata, que, em suas palavras, caiba no bolso da sociedade brasileira. Nessa leitura, a expansão da estatal sustenta empregos, receita pública e a posição do país na nova fase petrolífera da América Latina.
Veículos de direita, por sua vez, tenderiam a enfatizar a dimensão de mercado e eficiência: o ganho de produtividade do pré-sal, a competitividade da frota de plataformas do tipo FPSO, a busca por parcerias e investimento privado e a cooperação internacional com a Pemex como vetores de geração de negócios. Nessa chave, o polo de Itaboraí aparece sobretudo como oportunidade de atrair empresas e adensar a cadeia produtiva.
O que ainda não se sabe é relevante. Nenhuma das fontes divulgou o volume absoluto de produção, apenas variações percentuais. Também não há, na cobertura, contraponto crítico sobre a tensão entre ampliar a produção de petróleo e as metas de transição energética e redução de emissões, tampouco avaliação independente sobre a viabilidade e o cronograma do polo petroquímico de Itaboraí.