Proposta para conduta de juízes exclui STF
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Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
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Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Briefing
O que importa para você
- Juízes de todas as instâncias abaixo do STF passam a ter limite formal para receber presentes e participar de eventos privados custeados por terceiros.
- Escritórios de advocacia de parentes de magistrados ganham restrição de atuação nos tribunais em que o parente julga.
- Magistrado condenado por falta grave deixa de ter a aposentadoria com vencimentos como punição máxima: a AGU precisa acionar o STF para a perda do cargo.
- A regra não vale para os 11 ministros do Supremo.
Onde os lados concordam
As coberturas convergem em três pontos: a proposta é de autoria de Edson Fachin, cria regras sobre presentes, eventos privados e advocacia de parentes de magistrados, e não alcança os ministros do STF, que não se subordinam ao CNJ. Ambas registram que o código de conduta destinado ao Supremo ainda está em elaboração.
O que ainda está incerto
- O conteúdo detalhado das regras e as sanções previstas para o descumprimento não foram divulgados.
- Não se sabe o resultado da votação no CNJ nem quantos e quais ministros resistem ao código de conduta do STF.
- Não há prazo definido para a apresentação e votação da norma interna do Supremo, nem definição sobre a situação dos 126 magistrados já aposentados compulsoriamente.
O presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, ministro Edson Fachin, leva ao plenário do CNJ uma proposta para disciplinar conflitos de interesse no Judiciário. O texto, batizado de Política Nacional de Prevenção e Gestão de Conflitos de Interesses no âmbito do Poder Judiciário, cria balizas para a participação de juízes em eventos privados, para o recebimento de presentes e para a atuação de escritórios de advocacia de parentes de magistrados nos tribunais. A sessão estava prevista para começar às 10h desta terça-feira.
Há convergência entre as coberturas sobre o alcance da medida. Se aprovada, a norma valerá para todas as instâncias da Justiça, com uma exceção: o próprio Supremo, que não se subordina ao órgão de controle da magistratura. Para os ministros da Corte, o instrumento equivalente é um código de conduta ainda em elaboração, anunciado por Fachin em fevereiro como prioridade de sua gestão, com relatoria da ministra Cármen Lúcia. Também há acordo de que a transparência do Judiciário virou bandeira declarada da atual presidência.
Veículos de esquerda destacaram o segundo item da pauta da sessão: o fim da aposentadoria compulsória como pena máxima administrativa para magistrados condenados por faltas disciplinares graves, entre elas venda de sentenças e assédio sexual e moral. Essa cobertura lembrou que, antes da decisão recente do Supremo sobre o tema, juízes punidos pelo conselho seguiam recebendo vencimentos mensais, e que em vinte anos o CNJ aplicou essa punição a 126 magistrados. Registrou ainda o desenho que passa a valer: depois da condenação pelo conselho, cabe à Advocacia-Geral da União acionar o Supremo para que a perda do cargo seja analisada. E situou o anúncio do código de ética no contexto das investigações sobre o Banco Master, que citaram os nomes dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
A cobertura de centro enfatizou o limite institucional da proposta. O ângulo escolhido foi a exclusão do STF do alcance das novas regras e a informação de que o código de conduta destinado aos ministros enfrenta resistência de parte da Corte. Nessa leitura, o pacote apresentado ao CNJ organiza a conduta da magistratura de primeira e segunda instâncias e dos tribunais superiores subordinados ao conselho, enquanto o topo do Judiciário permanece sob um regime a ser definido por ele mesmo.
Até o momento não há cobertura de veículos de direita sobre esta proposta no conjunto de fontes reunido, de modo que o enquadramento habitual desse campo não aparece atribuído a nenhuma reportagem específica.
O que ainda não se sabe é o essencial da aplicação. Não foi divulgado o conteúdo detalhado das regras sobre presentes, eventos e escritórios de parentes, nem quais sanções acompanham o descumprimento. Também não há informação sobre o resultado da votação no conselho, sobre o número e a identidade dos ministros que resistem ao código de conduta do Supremo, nem sobre o prazo para que essa norma seja apresentada e votada. Falta ainda esclarecer como ficam os 126 magistrados já aposentados compulsoriamente sob a regra anterior.
Fontes
Conselho analisará proposta na sessão desta terça-feira (4), prevista para começar às 10h.
Para o Supremo, ainda está em fase de elaboração um “código de conduta” para seus membros, que enfrenta resistência de parte dos ministros
