Três dias depois da eliminação do Brasil na Copa do Mundo de 2026, um projeto de lei apresentado no Congresso propõe proibir a convocação de jogadores de futebol vinculados a clubes estrangeiros para a Seleção Brasileira. Pela proposta, a comissão técnica também teria de ser formada exclusivamente por profissionais brasileiros atuando no país. Até o momento, apenas a Folha de S.Paulo cobriu o assunto, em coluna de opinião assinada pela economista Deborah Bizarria, associada ao instituto liberal Livres.
Segundo o texto, se a regra já estivesse em vigor nesta edição da Copa, 19 dos 26 jogadores convocados pela Seleção ficariam de fora, por atuarem em clubes de outros países. A justificativa oficial do projeto é fortalecer o campeonato nacional, aumentar receitas e incentivar a formação de novos talentos, mantendo os principais nomes do futebol brasileiro jogando dentro do país.
A coluna, contudo, questiona a eficácia dessa medida. Argumenta que manter jogadores no Brasil não garante, por si só, que eles se tornem melhores, já que a qualidade em campo depende de infraestrutura, métodos de treinamento e do nível dos adversários enfrentados nas competições. Cita um estudo que analisou 119 seleções entre 1994 e 2010 e encontrou associação entre o aumento de jogadores atuando no exterior e a melhora no ranking da Fifa dessas seleções, além de outro estudo sobre a decisão Bosman, de 1995, que eliminou cotas para atletas europeus e cujo efeito posterior nas seleções sub-16 de países periféricos da Europa foi positivo.
Com base nesses achados, o texto defende que a saída de jogadores para ligas mais competitivas tende a qualificar, e não enfraquecer, o desempenho da Seleção, e propõe como alternativa investir em calendário racional, centros de formação e técnicos mais qualificados para tornar o futebol brasileiro mais competitivo e atrativo, em vez de restringir por lei a liberdade de escolha dos atletas.
Por ser cobertura de fonte única, ainda não há registro de reação de parlamentares favoráveis ao projeto, nem de entidades do futebol nacional, como a CBF ou clubes brasileiros, sobre a proposta. Também não está claro qual parlamentar apresentou o projeto, em que comissão ele tramita, nem se há previsão de votação no plenário.