O PSB oficializou na segunda-feira, 3 de agosto de 2026, em convenção realizada em Brasília, a candidatura do jornalista Ricardo Cappelli ao governo do Distrito Federal. Cappelli ganhou projeção nacional em 2023, quando foi nomeado interventor federal na segurança pública do Distrito Federal após os atos antidemocráticos de 8 de janeiro, e depois passou pelo Ministério da Justiça e pela presidência da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, a ABDI. A convenção também homologou candidaturas à Câmara Legislativa do Distrito Federal e à Câmara dos Deputados, entre elas as de dois ex-governadores locais. O partido não indicou candidato ao Senado nem definiu quem ocupará a vaga de vice na chapa.
Toda a cobertura converge nos mesmos fatos. Antes do evento, Cappelli disse esperar que o PT desista de lançar candidatura própria ao Palácio do Buriti e aceite indicar o vice de sua chapa, argumentando que a legenda aliada já tem a deputada Erika Kokay disputando o Senado. Ele afirmou que trabalhará pela unidade do seu campo até 15 de agosto, prazo final para o registro das candidaturas. Nas propostas, prometeu um programa chamado Fila Zero para a saúde, citando a falta de mais de 5,2 mil médicos e 2,3 mil enfermeiros, 30 mil pessoas na fila de cirurgia e 120 mil aguardando consultas e exames com especialistas. Sustentou que o problema é de gestão, e não de dinheiro, já que o orçamento da área é de cerca de R$ 1 bilhão por mês. Na educação, prometeu o maior salário de professor do país e mais concursos para reduzir o percentual de docentes temporários, hoje dois terços da rede segundo o próprio candidato.
Os enfoques mudam conforme o lado. Veículos de esquerda deram destaque ao vídeo em que o vice-presidente da República e candidato à reeleição, filiado ao mesmo partido, chamou Cappelli de homem público íntegro, corajoso e experiente, e trataram a convenção como um passo na construção de uma frente ampla governista, lembrando que a nomeação para a intervenção partiu do presidente da República. A cobertura de centro deu mais espaço ao conteúdo programático e à cobrança sobre a gestão do Banco de Brasília, o BRB, com o candidato defendendo corte de patrocínios considerados excessivos, revisão da expansão para outros estados e responsabilização de gestores. Veículos de direita limitaram-se a um relato curto e factual do lançamento, centrado nas promessas de mobilidade, escolas e salário de professores, sem avaliação do histórico do candidato nem da articulação partidária em curso.
O mesmo ciclo de convenções fechou chapas em outros estados. Em Pernambuco, a federação formada por União Brasil e Progressistas confirmou o deputado federal Eduardo da Fonte como candidato ao Senado, encerrando meses de disputa interna com um adversário que retirou a própria pré-candidatura e passou a apoiar outro nome. Em Minas Gerais, o PL anunciou o empresário Flávio Roscoe, presidente licenciado da federação das indústrias do estado, como candidato ao governo, depois de mais de 120 dias de indefinição em torno de um senador que acabou fora da disputa. No Espírito Santo, o MDB lançou o atual governador à reeleição e confirmou dois nomes para o Senado.
Ainda não se sabe quem será o vice de Cappelli, se o PT aceitará abrir mão de candidatura própria no Distrito Federal e se o PSB terá candidato ao Senado na capital. Também não há resposta pública do partido aliado à oferta feita em coletiva, nem detalhamento de como as promessas de saúde e educação seriam financiadas dentro do orçamento atual. O registro das candidaturas vai até 15 de agosto, a campanha começa oficialmente no dia seguinte e a votação está marcada para 4 de outubro.