O diretorio estadual do PSD publicou a Resolucao 55/2026, de 15 de junho, que obriga os filiados do partido no Parana a apoiar a pre-candidatura de Sandro Alex ao governo do Estado, apontado para suceder Ratinho Junior no Palacio Iguacu. O documento ameaca punir por infidelidade partidaria quem declarar, manifestar, solicitar ou induzir apoio a candidato adversario, e veda a participacao de filiados em campanhas, atos, comicios e publicacoes em redes sociais em favor de concorrentes. O texto ainda estabelece que apagar uma publicacao depois nao afasta a apuracao da infracao ja consumada.
Veiculos de direita destacaram o carater duro da medida, descrevendo-a como um 'enquadramento' radical dos filiados e um 'balde de agua fria' na pretensao do pre-candidato do MDB, Rafael Greca, de contar com o apoio do prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel. Segundo essa cobertura, o proprio Greca ja falou em 'traicao' caso Pimentel peca votos para outro candidato. Essa cobertura tambem enfatizou o contraste entre o rigor do diretorio estadual e a permissividade do diretorio nacional do PSD, que tolera aliados como Raquel Lyra, em Pernambuco, e Eduardo Paes, no Rio, sinalizando apoio a reeleicao de Lula, mesmo com Ronaldo Caiado como pre-candidato presidencial do partido.
A cobertura de centro relatou, de forma mais factual, um segundo movimento da mesma articulacao: o apoio das Assembleias de Deus as pre-candidaturas de Sandro Alex ao governo e de Alexandre Curi ao Senado, anunciado em forum do Conselho Politico Nacional da Convencao Geral das Assembleias de Deus, em Sao Paulo. Essa cobertura trouxe dados de contexto, como o Censo 2022, que aponta 2,6 milhoes de evangelicos no Parana, cerca de 26,1% da populacao com 10 anos ou mais, e os numeros da convencao estadual, com mais de quatro mil igrejas e cerca de 1,2 milhao de membros.
Os dois lados convergem em que ha uma estrategia coordenada do grupo do governador Ratinho Junior para garantir a continuidade de seu projeto politico no Estado, reunindo disciplina partidaria interna e apoio de uma base religiosa capilarizada. As enfases, porem, divergem. Veiculos de direita enfatizaram a legitimidade de cobrar lealdade diante de traicoes e a forca de uma pauta de fe, familia e liberdade religiosa. A leitura pelo prisma de esquerda tende a ver na resolucao um instrumento de controle da cupula sobre a base, que restringe a liberdade de manifestacao dos filiados, e a questionar o uso do eleitorado evangelico como bandeira eleitoral.
Ainda nao se sabe como o PSD aplicara na pratica as punicoes previstas na resolucao, se havera contestacao judicial ou interna ao documento, nem qual sera a posicao publica definitiva de Eduardo Pimentel sobre o apoio a Rafael Greca. Tambem permanece em aberto a composicao final da chapa de Sandro Alex, com nomes como o ex-secretario Hudson Teixeira e a jornalista Cristina Graeml ainda apenas ventilados para a vaga de vice.