A federação formada por PSOL e Rede protocolou uma ação no Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) e pediu uma liminar para barrar uma carreata de apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República. O ato, divulgado por outros pré-candidatos do PL, está marcado para 3 de julho, dia em que o senador visitará Campina Grande, no interior paraibano. O processo foi distribuído ao juiz Bianor Arruda Bezerra Neto e, até o fechamento das reportagens, a Justiça Eleitoral ainda não havia se pronunciado sobre o pedido.
O argumento central da federação é que a mobilização não se enquadra como simples visita de liderança política nem como reunião interna partidária, mas como propaganda eleitoral antecipada, realizada fora do período legalmente permitido. Na petição, o PSOL-Rede afirma que se anuncia uma carreata de grandes proporções, em via pública, anterior ao início legal da propaganda, com estética, finalidade e estrutura típicas de campanha. Os partidos também citam a promessa dos organizadores de parar toda Campina Grande como evidência da intenção de produzir um ato de massa com impacto urbano, midiático e eleitoral.
A cobertura de centro, como a do Metrópoles, relatou os fatos de forma enxuta: o acionamento do TRE-PB, o pedido de liminar e a citação literal da petição, sem tomar partido sobre o mérito. Já veículos de esquerda, como a Revista Fórum, detalharam a estratégia da federação de pedir ofícios urgentes a uma série de órgãos públicos, entre eles a Polícia Militar da Paraíba, a Prefeitura de Campina Grande, a Superintendência de Trânsito e a administração do aeroporto, para que não autorizem, apoiem nem escoltem a carreata, exceto no estritamente necessário à segurança pública. Para essa leitura, a ação protege a isonomia do pleito e impede que a máquina pública seja usada para viabilizar propaganda fora de hora.
O outro polo do debate, embora não representado por um veículo de direita neste conjunto de reportagens, ecoa nos próprios autos: veículos de direita tendem a enquadrar esse tipo de iniciativa como judicialização da política e tentativa de cercear a liberdade de manifestação de apoiadores, criticando o pedido de liminar prévia como censura a um ato ainda não realizado. O contraste de enquadramentos opõe a defesa da igualdade na disputa eleitoral, de um lado, ao argumento da liberdade de mobilização política, de outro.
O que ainda não se sabe é o desfecho. A decisão do juiz será determinante: se a liminar for concedida, a carreata estará proibida no formato anunciado; se negada, o evento poderá seguir, ainda que a ação principal continue tramitando. O prazo curto, com o ato marcado para 3 de julho, pressiona a Justiça Eleitoral a se manifestar com urgência. As reportagens também não trazem a resposta formal do PL ou dos organizadores às acusações de campanha antecipada.