O PT e aliados de Fernando Haddad trabalham nos bastidores para ocupar a primeira suplência de Simone Tebet (PSB) na chapa ao Senado por São Paulo nas eleições de 2026. A movimentação, revelada pela coluna de Igor Gadelha no Metrópoles e replicada por outros veículos, parte de um cálculo específico: caso Tebet seja eleita senadora em outubro e volte a assumir um ministério no governo de Luiz Inácio Lula da Silva a partir de 2027, o suplente petista herdaria a vaga no Senado.
A cobertura de centro relatou que a engenharia da chapa governista em São Paulo já está praticamente desenhada. Haddad, ex-ministro da Fazenda, encabeça a disputa ao governo do estado; Márcio França (PSB) entra como vice; e Simone Tebet e Marina Silva concorrem às duas vagas do Senado paulista, que serão renovadas em 2026. A reivindicação petista pela suplência é apresentada como uma compensação pelo fato de o PSB ocupar duas posições centrais na chapa majoritária. Pela regra do Senado, o suplente é convocado em casos de vaga, licença superior a 120 dias ou afastamento do titular para assumir cargo como o de ministro de Estado.
Veículos de esquerda destacaram que a articulação fortalece o palanque de Lula no maior colégio eleitoral do país e consolida a aliança PT-PSB na disputa contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), pré-candidato à reeleição. Nessa leitura, garantir a suplência é tratado como demanda legítima do PT, que abriu mão das cabeças de chapa ao Senado e busca manter voz relevante na coalizão. Já veículos de centro mantiveram registro factual de bastidores, equilibrando a versão petista com a reação dos aliados de Tebet, que afirmam que a ex-ministra ainda não definiu seus suplentes e negam qualquer acordo com Lula para entregar o posto ao partido. O entorno de Tebet sustenta que a escolha cabe à própria candidata e ao PSB, sem vinculação automática com a montagem das demais chapas.
O contraste de ênfase aparece na forma como o episódio é enquadrado. A cobertura mais alinhada ao governo trata a negociação como sinal de coesão e maturidade da coalizão de esquerda. Numa leitura crítica, à direita do espectro, o mesmo movimento poderia ser lido como loteamento de cargos: partidos disputando uma vaga que ainda nem foi conquistada nas urnas e já prevendo que a titular deixaria o mandato para virar ministra. Um veículo regional sul-mato-grossense acrescentou um detalhe concreto à disputa, apontando, com base no Estadão, o advogado Laio Correia Morais, ex-chefe de gabinete de Haddad na Fazenda, como favorito à vaga, e registrando que PDT e PSOL também miram as suplências de Tebet e Marina.
O que ainda não se sabe é quem de fato ocupará a primeira suplência, se haverá acordo formal entre PT e PSB, e se o cenário hipotético se concretizará, já que ele depende de uma sequência de eventos: a eleição de Tebet em outubro, a vitória de Lula e a eventual ida da senadora para um ministério em 2027. Até lá, a definição dos suplentes segue em aberto, em construção entre as siglas do campo governista em São Paulo.