Pesquisa do instituto Quaest divulgada nesta segunda-feira, 17 de agosto de 2026, mostrou o eleitorado brasileiro dividido sobre a possibilidade de países estrangeiros interferirem nas eleições de 2026. Para 48% dos entrevistados, essa interferência não é possível. Outros 45% acreditam que ela pode ocorrer, e 7% não souberam ou preferiram não responder. Como a margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, a diferença de três pontos entre os dois grupos configura empate técnico.
A segunda pergunta foi feita apenas a quem considera a interferência possível. Nesse recorte, 57% avaliaram que a influência de presidentes de outros países ajudaria mais candidatos da direita, 22% apontaram candidatos da esquerda, 5% disseram que os dois campos seriam beneficiados da mesma forma e 16% não souberam responder. O resultado varia conforme a identificação política do entrevistado. Entre bolsonaristas, 64% consideram a interferência possível e 31% descartam a hipótese; entre lulistas, a relação se inverte, com 60% descartando e 33% admitindo a possibilidade. Na pergunta sobre quem seria beneficiado, 71% dos bolsonaristas apontaram a direita, percentual maior do que os 54% registrados entre lulistas e os 45% entre eleitores independentes.
A ficha técnica é convergente em toda a cobertura: foram 2.004 entrevistas com eleitores de 16 anos ou mais, realizadas entre 10 e 13 de agosto, com nível de confiança de 95% e registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06773/2026. O levantamento foi contratado por veículos de comunicação, e nenhuma das reportagens apresentou dado divergente sobre metodologia, amostra ou período de campo.
As diferenças aparecem no enquadramento. Veículos de esquerda destacaram o contraste entre os grupos políticos, sublinhando que o eleitorado bolsonarista é o mais convencido da hipótese de ingerência e que a maioria dos entrevistados associa uma eventual influência externa ao campo da direita, inclusive dentro do próprio bolsonarismo. A cobertura de centro relatou o resultado como empate técnico e acrescentou o contexto diplomático que colocou o assunto em pauta: o vaivém na relação com os Estados Unidos, as tarifas comerciais, a classificação do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas pelo governo americano, a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington e a recusa do Itamaraty ao pedido de visto de dois funcionários da diplomacia americana que pretendiam fazer observação eleitoral no Brasil. Nessa cobertura, o temor de ações de interferência é atribuído a aliados do presidente Lula, sem endosso editorial. Veículos de direita não publicaram material sobre o levantamento no conjunto analisado, de modo que a leitura conservadora do dado, centrada na maioria relativa que não vê risco e na desconfiança do eleitorado bolsonarista quanto ao processo, não aparece na cobertura direta desta pesquisa.
Ainda não se sabe o que os entrevistados entendem por interferência: as perguntas não distinguem pressão diplomática, sanções econômicas, atuação em redes sociais ou observação eleitoral, e nenhuma reportagem detalha quais ações concretas seriam temidas. Também não há, no material disponível, manifestação do governo dos Estados Unidos sobre as suspeitas, nem resposta da oposição brasileira aos números. Não foram divulgados recortes por região, renda ou escolaridade, que permitiriam entender se a percepção de risco se concentra em algum perfil específico do eleitorado. Por fim, não há informação sobre se novos pedidos de observação eleitoral estrangeira serão apresentados até o pleito, nem sobre como o Tribunal Superior Eleitoral trataria eventuais solicitações.