Fernando Cerimedo é preso na Bolívia sob suspeita de ataque a ex-companheira
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A prisão de Fernando Cerimedo expõe a engrenagem transnacional de comunicação da extrema direita latino-americana e o custo que ela já impôs à democracia brasileira. Dono da agência Numen e do portal La Derecha Diario, ele construiu carreira vendendo operação política em ambiente digital e migrou do peronismo para o campo que hoje reúne Javier Milei, o bolsonarismo e aliados nos Estados Unidos. Foi ele quem transmitiu, em novembro de 2022, a live intitulada Brazil Was Stolen, vista por mais de 400 mil pessoas, com a tese de fraude nas urnas eletrônicas que o Tribunal Superior Eleitoral desmentiu ponto a ponto. Semanas antes, havia organizado em Buenos Aires a agenda de Eduardo Bolsonaro com lideranças da direita argentina, apresentada oficialmente como missão parlamentar, e um funcionário ligado à sua estrutura recebeu R$ 3,9 mil da campanha de reeleição do deputado. Em julho de 2026, na véspera de novo ciclo eleitoral, ele repetiu ao lado de Eduardo Bolsonaro as mesmas alegações já desmentidas. Agora está detido sob suspeita de participação em um ataque a tiros contra uma mulher, a advogada Nadia Beller, atingida por três disparos e ainda internada.
O consultor político argentino Fernando Cerimedo foi detido na madrugada de 18 de agosto de 2026 no aeroporto de Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, quando tentava embarcar para a Argentina.
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Os dois campos que cobriram o caso relatam os mesmos fatos: Fernando Cerimedo foi detido no aeroporto de Santa Cruz de la Sierra horas depois de a advogada Nadia Beller ser baleada, atuou na campanha de Javier Milei e apoiou a reeleição de Jair Bolsonaro em 2022, foi indiciado pela Polícia Federal no inquérito do golpe e difundiu alegações sobre urnas que o Tribunal Superior Eleitoral desmentiu.
Preso na Bolívia sob suspeita de participação em um ataque a tiros contra a advogada boliviana Nadia Beller, o consultor argentino Fernando Cerimedo é um dos operadores digitais mais conhecidos da direita latino-americana e foi indiciado pela Polícia Federal no inquérito da trama golpista no Brasil, sem ter sido denunciado pela Procuradoria-Geral da República.
O consultor político argentino Fernando Cerimedo foi detido na madrugada de terça-feira, 18 de agosto de 2026, por agentes da Força Especial de Combate ao Crime, a FELCC, no aeroporto de Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Ele se preparava para embarcar em um voo para a Argentina. A prisão ocorreu poucas horas depois de a advogada e analista política boliviana Nadia Beller ser atingida por três disparos na entrada de um edifício da mesma cidade, na noite de segunda-feira. Segundo a polícia local, dois homens vestidos como entregadores e de capacete subiram uma escada até a porta do prédio, um deles atirou contra a mulher e ambos fugiram em uma motocicleta roubada. A vítima foi hospitalizada e permanece internada.
O comandante da Polícia de Santa Cruz de la Sierra, David Gómez, afirmou que Cerimedo foi preso para que se investigue eventual participação no ataque e que ele e a advogada tiveram, nas palavras do policial, um problema de caráter sentimental. Até a última atualização das reportagens, a defesa do consultor não havia se pronunciado, e não há acusação formal apresentada.
Cerimedo é um dos nomes mais conhecidos da comunicação política digital na América Latina. Fundador da agência Numen e responsável pelo portal La Derecha Diario, ele começou a carreira organizando a militância digital do peronismo em La Matanza, na Argentina, antes de migrar para a direita e prestar serviço a nomes como Patricia Bullrich, Jair Bolsonaro e Javier Milei. Em 2023, atuou como consultor externo e coordenador de estratégia digital da campanha que elegeu Milei à Presidência argentina. No Brasil, foi indiciado pela Polícia Federal em 2024 no inquérito sobre a tentativa de golpe de Estado, mas não chegou a ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República e, portanto, não virou réu. Atualmente vive na Bolívia, onde, segundo a imprensa argentina, trabalharia como assessor do presidente boliviano Rodrigo Paz.
Os dois lados que cobriram o caso concordam sobre o essencial: a prisão no aeroporto, o ataque a tiros contra Nadia Beller, o histórico do consultor na campanha de Milei, o apoio informal à campanha de reeleição de Jair Bolsonaro em 2022, o indiciamento pela Polícia Federal e a difusão de alegações falsas sobre as urnas eletrônicas brasileiras, refutadas pelo Tribunal Superior Eleitoral com base nas auditorias oficiais.
Veículos de esquerda destacaram sobretudo a engrenagem política por trás do personagem. Essa cobertura reconstrói a viagem de Eduardo Bolsonaro a Buenos Aires em outubro de 2022, às vésperas do segundo turno, com agenda organizada pela estrutura do consultor e encontros com lideranças da direita argentina, embora comunicada oficialmente como missão parlamentar. Registra também que Giovanni Larosa, funcionário ligado a Cerimedo, recebeu R$ 3,9 mil da campanha de reeleição do deputado, e que em novembro daquele ano o argentino transmitiu a live intitulada Brazil Was Stolen, vista por mais de 400 mil pessoas, com a tese de comportamento diferente entre urnas novas e antigas. Essa mesma cobertura anota que, em transmissão de 23 de julho de 2026 no canal de Eduardo Bolsonaro, ele repetiu as alegações e afirmou que bastaria adulterar de 5% a 10% das máquinas para mudar um resultado.
A cobertura de centro concentrou-se no caso criminal e no perfil do investigado. Descreve o vídeo do ataque que circula nas redes, cita nominalmente a autoridade policial boliviana, informa que os autores não são identificáveis nas imagens e trata com o mesmo peso o indiciamento pela Polícia Federal e o fato de a Procuradoria-Geral da República não ter oferecido denúncia. Também classifica como falsa, apoiada na auditoria oficial, a alegação de que urnas fabricadas antes de 2020 não teriam sido auditadas.
Veículos de direita não haviam publicado cobertura própria sobre o episódio no conjunto analisado, de modo que não há, até aqui, um enquadramento desse campo a comparar. O argumento previsível desse lado, ainda não escrito, seria o da presunção de inocência e da separação entre uma ocorrência policial sob jurisdição boliviana e a disputa política brasileira.
O que ainda não se sabe é o núcleo do caso. Não há informação pública sobre quem efetuou os disparos, sobre a existência de mandante, nem sobre qual medida judicial sustenta a detenção e por quanto tempo. O estado de saúde de Nadia Beller não foi detalhado além da informação de que segue internada.
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