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A Polícia Federal abriu um segundo inquérito, autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, para apurar possíveis ilícitos de Fábio Luís da Silva, filho do presidente Lula, em negócios de cannabis medicinal com o empresário Antonio Camilo Antunes, o Careca do INSS. Entre os alvos está Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula até 21 de julho e hoje coordenador da campanha à reeleição. Ele confirmou em nota ter recebido um empréstimo de uma investigada e afirmou que já o quitou, sem informar o valor. A defesa do filho do presidente nega vínculo comercial e classifica a investigação como pesca probatória.
A Polícia Federal abriu um segundo inquérito para investigar negócios envolvendo Fábio Luís da Silva, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o empresário Antonio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. A apuração foi autorizada na semana passada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, e trata de possíveis ilícitos na comercialização de cannabis medicinal. Entre os alvos aparecem servidores do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, além de um assessor do gabinete presidencial.
Esse assessor foi identificado como Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. De janeiro de 2023 até 21 de julho deste ano ele foi chefe de gabinete do presidente e administrava a agenda do Palácio do Planalto. Deixou o cargo para integrar a coordenação da campanha à reeleição. Em nota divulgada na noite de segunda-feira, ele confirmou ter recebido um empréstimo pessoal de uma investigada no caso e afirmou que a dívida já foi quitada, sem informar o valor nem apresentar documento. Escreveu que nunca teve relação que caracterize ilegalidade no exercício da função.
A cobertura de centro relatou o percurso processual com detalhe. No parecer em que opinou pela abertura da investigação, o procurador-geral da República mencionou suspeitas relativas a um assessor do gabinete presidencial e a um servidor do Ministério da Saúde, sem citar nomes. Os investigadores já sabiam que o lobista tentou fechar um contrato milionário de canabidiol com o Ministério da Saúde em 2024 e 2025, negociação que não se concretizou e foi interrompida quando a operação sobre as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social veio a público. Um áudio apreendido no celular de uma parceira de negócios do empresário discutia o uso de dispensa de licitação para viabilizar a contratação. Essa mesma cobertura registrou ainda a disputa sobre quem relataria o caso: a corporação policial defendeu sorteio livre, o pedido caiu em plantão durante o recesso do Judiciário, a Procuradoria concordou que não havia conexão com o inquérito anterior e o sorteio eletrônico acabou selecionando justamente o ministro que já relata o caso das fraudes previdenciárias.
Veículos de direita enfatizaram outro ângulo: o de que o auxiliar mais próximo da agenda presidencial admitiu ter recebido dinheiro de alguém sob investigação e não apresentou valor nem comprovante. Nessa leitura, o problema central é o controle institucional sobre quem circula no gabinete e a proximidade entre o entorno familiar do presidente e um lobista investigado por fraudes contra aposentados, num arranjo que envolvia negociação de contrato público por dispensa de licitação.
Veículos de esquerda não haviam publicado cobertura própria do caso até o fechamento desta reportagem, mas o argumento de defesa presente na apuração vai na direção oposta. O advogado do filho do presidente afirmou considerar muito grave que setores da polícia influenciados pelo bolsonarismo abram inquéritos com finalidade eleitoral e disse que a investigação não existiria se o investigado não fosse filho do presidente. Ele chamou os pedidos da corporação de pirotecnia e de tentativa de pesca probatória, uma apuração genérica sem foco definido. Sobre a viagem a Portugal feita em novembro de 2024, quando o filho do presidente visitou uma fazenda e uma fábrica de produtos à base de cannabis na companhia do empresário, a defesa sustenta que não houve vínculo comercial nem negociação.
Ambos os enquadramentos partem do mesmo conjunto de fatos: o inquérito existe, o empréstimo foi admitido, o contrato público nunca foi assinado e não há indiciamento ou denúncia formal contra nenhum dos alvos até agora. O que ainda não se sabe é o valor do empréstimo e em que condições ele foi feito, se houve qualquer contrapartida do assessor dentro do governo, o que exatamente as mensagens apreendidas atribuem a ele e a quem se referia a menção genérica a ele no áudio sobre a dispensa de licitação. Também não há prazo definido para a conclusão da apuração, que corre em paralelo ao calendário eleitoral.
Os dois enquadramentos aceitam os mesmos fatos básicos: existe um segundo inquérito autorizado pelo STF, o ex-chefe de gabinete admitiu publicamente ter recebido dinheiro de uma pessoa investigada, o contrato de canabidiol com o Ministério da Saúde nunca foi assinado e nenhum dos alvos foi indiciado ou denunciado até o momento.
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
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Veículos com viés ao centro
O texto descreve a abertura do inquérito, a origem do pedido, o parecer do procurador-geral e a distribuição do caso ao relator com linguagem processual e sem adjetivação. Dá espaço à versão do assessor ('empréstimo pessoal já quitado') e à do advogado do filho do presidente, que fala em 'pirotecnia' e 'pesca probatória'. O acúmulo de chamadas laterais sobre outros casos políticos gera ruído, mas o corpo mantém equilíbrio de fontes, o que sustenta o perfil de centro.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
O enquadramento é de accountability sobre o entorno do presidente: o texto abre pelo verbo 'admitiu', grifa que o auxiliar não revelou valor nem documentos e encerra apontando 'um lote de inquéritos' sobre negócios nos bastidores do governo. Usa aspas do investigado como quase confissão e não traz nenhuma voz do governo ou da defesa do filho do presidente, padrão típico de cobertura de direita sobre desgaste do Executivo.

Assessor de Lula que pegou empréstimo do Careca do INSS é alvo de inquérito sobre Lulinha

Roberta Luchsinger é investigada por atuar, em parceria com Lulinha, como espécie de lobista do empresário Antônio Carlos Camilo, o 'Careca do INSS',
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Perspectivas omitidas
Falácias identificadas



