Minas Gerais pode deixar de espelhar a eleição presidencial em 2026
Relato de fonte única, atribuído a BBC Brasil. Esta cobertura não compara posições do espectro político.

Resumo da cobertura
Desde 1989, quem venceu a eleição presidencial em Minas Gerais venceu também no Brasil. Em 2026, com disputa apertada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), analistas divergem sobre se o Estado seguirá como espelho do país. A pesquisa Datafolha de 24 e 25 de setembro mostra Lula com 39% e Flávio com 37% em Minas, contra 40% a 36% no país.
Briefing
O que importa para você
- Datafolha: Lula 39% e Flávio Bolsonaro 37% em Minas; 40% a 36% no país.
- Em 2022, Lula teve 50,2% dos válidos em Minas, abaixo dos 50,9% nacionais.
- Grande Belo Horizonte, Vale do Rio Doce e Campo das Vertentes somam 43% do eleitorado mineiro.
Onde os lados concordam
Minas Gerais acertou o vencedor presidencial em todas as eleições desde 1989, e a disputa de 2026 entre Lula e Flávio Bolsonaro está apertada tanto no Estado quanto no país.
O que ainda está incerto
- Para onde vai o eleitor da região de Belo Horizonte, onde Bolsonaro venceu por pouco em 2022.
- Qual o peso de Romeu Zema no voto mineiro, sem número detalhado nas fontes.
Quem vence em Minas Gerais vence no Brasil desde 1989. Em 2026, com Lula e Flávio Bolsonaro separados por dois pontos no Estado segundo o Datafolha, analistas divergem: um vê inclinação à direita que pode quebrar a regra, outra diz que Minas segue refletindo o país.
Desde a primeira eleição presidencial após a redemocratização, em 1989, quem vence em Minas Gerais veste a faixa presidencial. Foi assim com Fernando Collor de Melo, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, Jair Bolsonaro e novamente Lula. Em 2026, com disputa acirrada entre o presidente Lula, do PT, e o senador Flávio Bolsonaro, do PL, essa regra pode ser posta à prova. Até o momento, apenas um veículo cobriu o tema, com uma reportagem analítica publicada em duas versões, relatando que especialistas divergem sobre o papel do Estado neste ano.
Minas é o segundo maior colégio eleitoral do país. Além dele, só o Amazonas acompanhou o resultado nacional em todas as eleições desde 1989. Em 2022, porém, Lula venceu em Minas com 50,2% dos votos válidos, margem mais apertada do que a nacional, de 50,9%. Foi a primeira vez que a vantagem do vencedor no Estado ficou abaixo da nacional.
Para o cientista político Fábio Vasconcellos, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e da Pontifícia Universidade Católica do Rio, Minas mostra hoje uma inclinação pendular à direita e contribui menos para as vitórias do PT. Ele levanta a hipótese de que Lula vença no Brasil e perca em Minas, ou o contrário, com Flávio vencendo no país e perdendo no Estado por diferença mínima.
A jornalista e cientista política Bertha Maakaroun avalia que ainda é cedo para conclusões. Segundo ela, as pesquisas continuam mostrando Minas como reflexo do país, mesmo com o ex-governador Romeu Zema, do Novo, na disputa presidencial. A pesquisa Datafolha divulgada em 24 e 25 de setembro mostra Lula com 39% e Flávio com 37% no primeiro turno em Minas. No país, os números são 40% e 36%. A analista compara com Goiás, onde o ex-governador Ronaldo Caiado lidera com 31%, segundo pesquisa RealTime Big Data de 22 de setembro.
A reportagem detalha o mapa regional. O norte de Minas e os vales do Jequitinhonha e do Mucuri formam um bastião do PT, com vitórias acima de 60% desde 2002. Na Zona da Mata, de tradição sindical, Lula venceu com 57,8% em 2022, mais de cinco pontos abaixo da média histórica. No Triângulo Mineiro, no noroeste e na região central, historicamente favoráveis à esquerda, Bolsonaro venceu com 53,5%. Vasconcellos associa essa virada à forte presença do agronegócio. O sul, perto de São Paulo, é a área mais consolidada à direita.
O pesquisador aponta como decisiva a região que reúne a Grande Belo Horizonte, o Vale do Rio Doce e o Campo das Vertentes, com 43% do eleitorado mineiro. Ali, a média histórica desde 2002 favorece o PT, com 55,8%, mas Bolsonaro venceu por pouco na última eleição.
Como a cobertura vem de uma única fonte, não há ainda contraste entre enquadramentos de veículos de esquerda, centro e direita sobre o tema. O que ainda não se sabe é para qual lado vai pender o eleitorado da região metropolitana de Belo Horizonte, e se o empate técnico medido pelo Datafolha em Minas se manterá até o primeiro turno.
Fontes

Virou tradição olhar para Minas Gerais como 'espelho' do voto no Brasil. Mas o Estado, que costumava dar grandes vantagens ao vencedor, está cada vez mais acirrado, com regiões tendendo a vota mais à direita. Veja os gráficos.

Virou tradição olhar para Minas Gerais como 'espelho' do voto no Brasil. Mas o Estado, que costumava dar grandes vantagens ao vencedor, está cada vez mais acirrado, com regiões tendendo a vota mais à direita. Veja os gráficos.