O prazo para registro de candidaturas à Presidência da República terminou no sábado, 15 de agosto de 2026, com 13 chapas inscritas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para disputar o comando do Palácio do Planalto a partir de janeiro de 2027. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta a reeleição ao lado do vice Geraldo Alckmin (PSB) e lidera a única chapa apoiada por mais de um partido. As outras doze são as chamadas chapas puro-sangue, em que presidente e vice pertencem à mesma legenda. Apenas duas candidaturas são encabeçadas por mulheres. O tribunal ainda analisa a documentação entregue pelos partidos e pode rever registros em que identificar irregularidade. O horário eleitoral gratuito começa em 28 de agosto.
O ato do registro obriga cada candidato a declarar o próprio patrimônio à Justiça Eleitoral, e essa exigência produziu o dado que organizou boa parte da cobertura. Entre os inscritos, o maior valor é o de Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, que declarou R$ 178.707.610,09, distribuídos em participações societárias, fundos de investimento e uma casa avaliada em pouco mais de R$ 704 mil. Em segundo lugar aparece o Veterinário Wilson Grassi (Democrata), com R$ 50 milhões em imóveis financiados, sem detalhamento. Lula declarou R$ 4.775.650,64, formados por terrenos, uma casa em construção, metade de um apartamento, fundos e aplicações, com bens concentrados em São Bernardo do Campo. Renan Santos (Missão) informou R$ 795.089,00 em quotas societárias e dinheiro em conta, Samara Martins (UP) declarou R$ 33 mil, soma de um automóvel e uma conta poupança, e Hertz Dias (PSTU) afirmou não possuir bens.
A comparação com pleitos anteriores mostra que a fortuna de Zema não é a maior já declarada por um presidenciável. Em 2018, o empresário João Amoêdo, então no Novo, declarou R$ 425.066.485,46, e Henrique Meirelles, à época no MDB e ex-presidente do Banco Central, declarou R$ 377.496.700,70. Pablo Marçal declarou R$ 96.942.541,15 em 2022, quando teve a candidatura barrada, e R$ 193.503.058,17 dois anos depois, ao disputar a Prefeitura de São Paulo. Felipe D'Ávila (Novo) declarou R$ 24.619.627,66 em 2022.
Veículos de direita enfatizaram justamente esse recorte patrimonial, com destaque para as trajetórias construídas fora da política e para o ranking entre presidenciáveis de eleições diferentes. A cobertura de centro relatou o mesmo conjunto de fatos por outro caminho: guias das 13 candidaturas, com número na urna, composição de chapa e resumo dos programas de governo depositados na plataforma da Justiça Eleitoral, tratando com paridade tanto propostas de estatização do sistema financeiro e fim da escala 6x1 quanto promessas de corte de gasto público, responsabilidade fiscal e prioridade à segurança pública. Veículos de esquerda não produziram cobertura própria sobre o fechamento do registro neste recorte, o que deixa sem contraponto editorial a leitura sobre o que a concentração de patrimônio entre os candidatos significa para a representação política.
Duas pendências judiciais atravessam a disputa. Flávio Bolsonaro (PL), escolhido por Jair Bolsonaro para levar o sobrenome de volta ao Planalto depois de o ex-presidente ficar inelegível, foi filiado à revelia ao partido Missão e só destravou a candidatura após liminar do ministro Nunes Marques, presidente do TSE, determinando seu retorno imediato ao PL. Sua última declaração patrimonial à Justiça Eleitoral é de 2018, quando informou R$ 1,7 milhão. Pablo Marçal (PRTB) foi registrado no último dia do prazo, mas está proibido de disputar eleições até 2032 por crimes eleitorais cometidos em 2024, recorreu da condenação e depende de decisão do tribunal para manter o registro.
O que ainda não se sabe é se o TSE manterá todos os registros apresentados, em especial o de Marçal, e em que prazo essa análise será concluída. Também segue sem resposta qual é o patrimônio atual de Flávio Bolsonaro e de Ronaldo Caiado (PSD), cujas declarações mais recentes são de 2018 e 2022, e qual será o conteúdo do plano de governo de Marçal, ausente da plataforma do tribunal até a publicação das reportagens.