O empresário Luiz Pastore, do Partido Liberal, candidato a primeiro suplente na chapa de Eduardo Gomes ao Senado pelo Tocantins, declarou patrimônio de R$ 677,74 milhões ao Tribunal Superior Eleitoral e desponta como o candidato mais rico à Casa nesta eleição. O número vem de levantamento feito com os dados que as candidaturas entregaram à Justiça Eleitoral. O mesmo empresário é dono do jatinho que levou o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, e o advogado Augusto Arruda Botelho, defensor de um dos diretores do Banco Master, à final da Libertadores em Lima, no Peru, em novembro de 2025.
A cobertura de centro relatou que, no mesmo dia da viagem, Toffoli assumiu a relatoria do caso do Banco Master no Supremo e, em seguida, deixou o processo, depois de uma crise interna na Corte ligada à sua atuação e à participação em uma empresa que fez negócios com o cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro. Essa cobertura também registra a ressalva metodológica do levantamento: o ranking não é definitivo, porque nem todas as candidaturas constam da base do Tribunal Superior Eleitoral e vários candidatos alegaram erro nos valores informados. Patrimônios bilionários e declarações contestadas ficaram de fora da comparação.
Os dois veículos que publicaram a apuração convergem em todos os números. Pastore preside o Conselho de Administração do Grupo Ibrame, do setor metalúrgico, tem 77 anos, era filiado ao MDB desde 1986 e trocou de partido e de domicílio eleitoral para disputar pelo Partido Liberal no Tocantins. Em 2022, quando concorreu como suplente na chapa de Flávia Arruda ao Senado pelo Distrito Federal, declarou R$ 453,6 milhões, ou seja, o patrimônio cresceu 49% em quatro anos. Ele afirmou que coloca o próprio patrimônio à disposição para trabalhar pelo empreendedorismo e pelos empresários do Brasil.
Logo atrás na lista aparece Antídio Lunelli, candidato ao Senado pelo MDB em Santa Catarina, com R$ 613,22 milhões declarados, alta de 57% sobre os R$ 390 milhões de quatro anos antes. Deputado estadual e ex-prefeito de Jaraguá do Sul, Lunelli sustenta que a riqueza é anterior à entrada na política, em 2016, e vem principalmente do Grupo Lunelli, que reúne uma indústria têxtil com mais de 5,2 mil empregados e investimentos no agronegócio. Em terceiro vem Otaviano Pivetta, do Republicanos, governador de Mato Grosso e candidato à reeleição, com R$ 575,68 milhões, valor 52% maior que o de 2022. Procurado, ele não respondeu à reportagem.
A divergência de cobertura é de ênfase, e não de fato. Veículos de direita reproduziram a mesma apuração destacando o perfil produtivo dos candidatos, com o setor metalúrgico, a indústria têxtil e o agronegócio como origem declarada da riqueza, e associaram a matéria ao atrito político em torno de Dias Toffoli, tema recorrente nesse recorte editorial. Um desses textos traz ainda um erro de identificação no subtítulo, ao atribuir o jatinho a José Pastore, enquanto o corpo trata de Luiz Pastore. Veículos de esquerda não publicaram cobertura própria sobre o levantamento até o momento, o que deixa sem contraponto explícito o ângulo da concentração de riqueza no Legislativo e do financiamento privado da política.
O que ainda não se sabe é decisivo para o alcance do caso. Não há informação sobre apuração formal, no Supremo Tribunal Federal ou no Conselho Nacional de Justiça, a respeito da viagem em avião particular de um empresário que agora é candidato. Também não está esclarecido se houve qualquer relação entre o voo e a distribuição da relatoria do caso do Banco Master, nem em que estágio o processo se encontra depois da saída de Toffoli. Do lado eleitoral, o ranking segue provisório: faltam candidaturas na base do Tribunal Superior Eleitoral e há declarações contestadas pelos próprios candidatos, o que pode alterar a ordem quando os dados forem consolidados.