O instituto Real Time Big Data divulgou, na última semana de agosto de 2026, uma sequência de pesquisas estaduais que colocam frente a frente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Planalto. Todos os levantamentos estão registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), têm margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. O conjunto cobre quatro estados de perfis eleitorais muito diferentes: Rio Grande do Sul, Paraíba, Tocantins e Minas Gerais.
Em Minas Gerais, o instituto ouviu 2 mil eleitores entre 22 e 26 de agosto, sob o registro BR-03147/2026. No único cenário de segundo turno testado, Lula tem 46% e Flávio Bolsonaro, 44%, o que configura empate técnico. Outros 6% votariam em branco ou nulo e 4% não souberam responder. No primeiro turno mineiro, o presidente aparece com 39% e o senador com 34%, seguidos por Romeu Zema (Novo) com 9%, Renan Santos (Missão) com 5%, Pablo Marçal (PRTB) com 4%, e Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) com 2% cada. Na rodada anterior, divulgada em 30 de julho, o segundo turno era de 47% a 43%, também dentro da margem.
Na Paraíba, com 1.600 entrevistados entre 19 e 22 de agosto e registro BR-08776/2026, o resultado é o mais desequilibrado da série: 59% para Lula contra 32% para Flávio Bolsonaro em segundo turno, com 4% de brancos e nulos e 5% de indecisos. No Tocantins, o quadro se inverte. Foram 1.600 eleitores ouvidos entre 21 e 25 de agosto, sob o código TO-09655/2026: no primeiro turno os dois empatam com 36%; no segundo, o senador leva 45% contra 39% do presidente. No Rio Grande do Sul, o levantamento mediu rejeição entre 1.600 eleitores consultados de 20 a 24 de agosto, com protocolo BR-02823/2026. Ali, 51% dizem que não votariam em Lula e 48% descartam Flávio Bolsonaro, diferença que cabe na margem de erro. Pablo Marçal aparece em seguida, com 39% de rejeição, à frente de Ronaldo Caiado (35%), Renan Santos (31%), Romeu Zema (28%) e Wilson Grassi (27%).
A cobertura de centro concentrou-se nos números e na metodologia, com atenção ao fato de que a diferença entre os dois principais nomes cabe na margem de erro em boa parte dos recortes, e foi a que trouxe a comparação com a rodada anterior em Minas Gerais. Veículos de esquerda destacaram o cenário do Tocantins, em que o senador leva vantagem, mas fizeram questão de lembrar que o estado é o quarto menor colégio eleitoral do país, com cerca de 1,2 milhão de eleitores aptos a votar, atrás apenas de Roraima, Amapá e Acre. Veículos de direita anteciparam a próxima rodada do instituto, desta vez nacional: a coleta ocorre entre 26 e 29 de agosto, com divulgação prevista para 31, e o questionário, registrado sob o número BR-03733/2026, vai medir rejeição, potencial de voto, aprovação do governo, percepção sobre os rumos do país e o grau de desejo por mudança, além de testar Lula contra cinco adversários distintos em simulações de segundo turno.
O que ainda não se sabe é como esses recortes estaduais se traduzem em um quadro nacional. Nenhum dos quatro levantamentos mede o eleitorado brasileiro como um todo, e as amostras estaduais não são somáveis. Também não há, nas matérias, comparação sistemática com pesquisas de outros institutos no mesmo período, nem informação sobre quem contratou cada rodada estadual, à exceção do levantamento gaúcho, feito com recursos do próprio instituto, e da rodada nacional, contratada pela empresa de mídia ligada à marca. Por fim, resta em aberto o efeito do início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão, que começa em 28 de agosto e só será captado parcialmente pela coleta nacional em campo.