Renan Santos propõe fim da Justiça do Trabalho ao lançar campanha presidencial
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O candidato do partido Missão à Presidência da República, Renan Santos, concentrou os primeiros dias de campanha em duas frentes: segurança pública e legislação trabalhista. O lançamento ocorreu em 16 de agosto, no largo São Francisco, em frente à Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), com discurso de cerca de uma hora e colete à prova de balas, após o candidato afirmar ter recebido ameaças. Nos dois dias seguintes, em sabatina de televisão e em evento da União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (Unecs), em Brasília, ele defendeu o fim da Justiça do Trabalho, alteração drástica da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), revisão da reforma da Previdência de 2019, fim dos supersalários no serviço público e a criação de 300 mil a 500 mil vagas prisionais, com custo estimado por ele em R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões.
A candidatura de Renan Santos, do partido Missão, entra na disputa presidencial com uma agenda declaradamente liberal na economia e dura na segurança. O núcleo da proposta é reduzir o custo de contratar: flexibilizar contratos, ampliar a negociação direta entre empregador e empregado, preservar garantias ligadas à maternidade e substituir um arcabouço trabalhista que, segundo o candidato, empurra empresas para a recuperação judicial.
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
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Veículos com viés à direita
Todas as coberturas registram o mesmo conjunto de propostas e as mesmas citações: fim da Justiça do Trabalho, alteração drástica da CLT, revisão da reforma da Previdência de 2019, fim de supersalários e ampliação do sistema prisional. Nenhuma delas apresenta dados independentes que sustentem ou refutem a alegação central sobre o custo da Justiça do Trabalho.
Renan Santos, candidato do partido Missão à Presidência da República, lançou a campanha em São Paulo e, em três dias, defendeu o fim da Justiça do Trabalho, uma alteração drástica da CLT, a revisão da reforma da Previdência de 2019 e a criação de até 500 mil vagas no sistema prisional. A cobertura se divide entre o tom das propostas de segurança e a agenda econômica de redução de custos.
O candidato do partido Missão à Presidência da República, Renan Santos, abriu a campanha com uma agenda que combina reescrita da legislação trabalhista e endurecimento na segurança pública. Em três aparições públicas entre 16 e 18 de agosto de 2026, ele defendeu o fim da Justiça do Trabalho, uma alteração drástica da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a revisão da reforma da Previdência de 2019, o fim dos supersalários no serviço público e a criação de 300 mil a 500 mil vagas no sistema prisional, com custo estimado por ele entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões.
O ato de lançamento aconteceu no largo São Francisco, no centro de São Paulo, em frente à Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), onde o candidato estudou sem concluir o curso. O discurso durou cerca de uma hora, foi feito com colete à prova de balas, depois de o candidato afirmar ter sido alvo de ameaças, e concentrou ataques ao presidente Lula e ao senador Flávio Bolsonaro, apontados pelas pesquisas como líderes da disputa. Ao tratar de crime organizado, ele disse que pretende “tingir o chão de vermelho com o sangue desses vagabundos”, e o público respondeu com o slogan “prendeu, matou”. Também discursaram o deputado federal Kim Kataguiri, o vice na chapa, Aroldo Medina, a vereadora Amanda Vettorazzo e o ex-deputado estadual Arthur do Val, cassado pela Assembleia Legislativa de São Paulo em 2022 após o vazamento de áudios sexistas.
Dois dias depois, no encontro promovido pela União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (Unecs), em Brasília, veio a proposta mais específica. “A CLT já deu, já era”, afirmou o candidato, antes de defender a extinção da Justiça do Trabalho e a transferência das causas para a Justiça Cível, sob o argumento de que relações entre privados devem ser resolvidas ali. Ele descreveu como “perversa” a lógica do ramo trabalhista, falou em “proteções desnecessárias” e sustentou que a estrutura custa mais do que os resultados que produz. No dia anterior, em sabatina de televisão, havia proposto flexibilizar contratos, ampliar a negociação direta entre empregador e empregado, preservar garantias ligadas à maternidade e discutir modelos alternativos de formalização, como o de microempreendedor individual (MEI).
A cobertura de centro tratou o conjunto como pauta de campanha e registrou os fatos com data, local e citação direta: o tom do discurso de segurança, o histórico dos aliados no palanque e as declarações sobre o Judiciário trabalhista, sem adjetivação e sem contraditório de sindicatos ou de juízes. Veículos de direita organizaram o material em torno da agenda econômica, destacando o custo trabalhista como entrave à atividade empresarial, a alegação de que a legislação contribui para o avanço dos pedidos de recuperação judicial e o combate a penduricalhos e supersalários no serviço público, inclusive entre militares. Nenhum veículo de esquerda integrou esta cobertura, e a leitura desse campo aparece apenas de forma indireta, no registro de que estudantes da USP, entidades como a União da Juventude Socialista e a União Estadual dos Estudantes e representantes de sindicatos de petroleiros e jornalistas protestaram, em 13 de agosto, contra a realização do ato em frente à faculdade.
A divergência entre as coberturas está menos nos fatos e mais no que cada uma escolhe pôr no centro. Onde a cobertura de centro coloca a retórica de violência e o passado dos aliados, a cobertura de direita coloca o custo de contratar e o privilégio no serviço público. Ambas convergem no essencial: as propostas foram feitas, são amplas e mexem em estruturas constituídas do Estado e do mercado de trabalho.
O que ainda não se sabe é como qualquer disso sairia do discurso. Nenhum dos textos detalha o caminho legislativo necessário para extinguir um ramo do Judiciário, nem qual seria o desenho concreto da nova legislação trabalhista, nem em quanto tempo. Também não há dado independente que confirme ou refute a alegação de que a Justiça do Trabalho custa mais do que entrega, não há explicação sobre a origem dos recursos para as vagas prisionais e não há reação registrada de centrais sindicais, de magistrados ou dos adversários citados nominalmente no discurso de lançamento.

Candidato do Missão fala em

Candidato do Missão também propôs ampliar vagas no sistema prisional e reformular o Bolsa Família

