O candidato à Presidência da República Renan Santos, do partido Missão, anunciou na terça-feira, 25 de agosto de 2026, que a vereadora de São Paulo Amanda Vettorazzo, do União Brasil, comandaria a Secretaria-Geral da Presidência em um eventual governo. Vettorazzo é a coordenadora da campanha e passa a ser um dos primeiros nomes apresentados publicamente para o primeiro escalão. A Secretaria-Geral tem status de ministério, presta assistência direta ao presidente da República e concentra a articulação com segmentos da sociedade civil, a coordenação dos mecanismos de participação social e a formulação de políticas voltadas à juventude.
O anúncio foi feito logo depois de uma entrevista coletiva sobre a prisão em flagrante de um homem suspeito de oferecer propina à vereadora. Pelo relato dela, a proposta inicial era de R$ 200 mil para que usasse o mandato e a influência política em favor de um contrato de fornecimento de tecnologia para a Guarda Civil Metropolitana de São Paulo. O contrato somaria R$ 60 milhões em três anos, com comissão prevista entre 5% e 10%, o que chegaria a R$ 6 milhões no percentual mais alto. A vereadora afirma ter registrado a oferta, dado voz de prisão ao suspeito e acionado as autoridades. O candidato classificou a atitude como ato de bravura e disse que o convite é um reconhecimento. Amanda Vettorazzo tem 38 anos, cumpre o primeiro mandato na Câmara Municipal de São Paulo, para onde foi eleita em 2024 com 40.144 votos, é formada em Gestão Pública, pós-graduada em Cidades Inteligentes e foi coordenadora nacional do Movimento Brasil Livre.
Os dois dias anteriores foram de agenda econômica na capital paulista, e é aí que se concentra o grosso da cobertura. A cobertura de centro relatou que, na segunda-feira, o candidato almoçou com dirigentes e investidores de um banco na Faria Lima e defendeu cortes de até R$ 250 bilhões em despesas do Orçamento anual. Ele afirmou que pretende propor o fim da vinculação obrigatória de gastos com saúde e educação, com o argumento de que um município pequeno cuja população envelheceu precisa gastar mais com saúde e menos com educação, e que a regra atual obriga a elevar as duas rubricas ao mesmo tempo. Segundo ele, a desvinculação tornaria o Orçamento mais funcional e reduziria a necessidade de endividamento do Estado. Na mesma agenda, disse pretender acabar com as empresas de apostas, as bets. No dia seguinte, em fórum para candidatos organizado pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base, apresentou a proposta de criar um sistema de pontuação para prefeituras: cidades com notas maiores receberiam mais emendas, e prefeitos que não batessem as metas receberiam menos e ficariam inelegíveis.
As quatro peças reunidas convergem nos fatos básicos, a agenda, as cifras e a indicação, e divergem no que decidem aprofundar. Veículos de direita registraram o candidato pelo ângulo biográfico, com um perfil de apresentação ao eleitor, sem detalhar as propostas orçamentárias nem o episódio da propina. Nenhum veículo de esquerda cobriu o caso no material reunido, o que deixa sem contraponto pontos sensíveis da plataforma: os pisos de saúde e educação são vinculações constitucionais e sua remoção exigiria emenda, e condicionar emendas a indicadores de desempenho concentraria no Executivo federal a decisão sobre quais municípios recebem recursos. Nenhuma das matérias ouviu prefeitos, parlamentares, gestores de saúde ou de educação sobre o efeito prático das mudanças.
O que ainda não se sabe é considerável. Nenhuma reportagem indica de quais rubricas sairiam os R$ 250 bilhões de corte, nem apresenta memória de cálculo para o número. Não há explicação sobre qual base legal permitiria tornar um prefeito inelegível por desempenho em indicadores administrativos. No caso da propina, a versão disponível é apenas a da vereadora: não há manifestação do suspeito ou de defesa constituída, não se informa se um inquérito foi instaurado, qual autoridade registrou o flagrante, nem qual empresa estaria por trás do suposto contrato com a Guarda Civil Metropolitana. Também não se sabe quais outros nomes o candidato pretende anunciar para o primeiro escalão.