O instituto Nexus divulgou nesta segunda-feira, 24 de agosto de 2026, a 11ª rodada da pesquisa eleitoral contratada pelo BTG Pactual, que coloca o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tecnicamente empatados em um eventual segundo turno da eleição presidencial. Lula aparece com 46% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro, com 45%. A diferença de 1 ponto percentual está dentro da margem de erro do levantamento, de 2 pontos para mais ou para menos. Na rodada anterior, divulgada em 17 de agosto, o placar era de 47% a 44%. Brancos, nulos e quem diz não escolher nenhum dos dois somam 8%, e 1% não sabe responder.
O instituto testou outros três cenários de segundo turno. Contra o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), Lula tem 46% e o adversário, 42%, também um empate técnico. Contra o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), o presidente marca 47% a 40%. Diante do ativista Renan Santos (Missão), a vantagem é a maior, de 47% a 35%. No primeiro turno, Lula lidera com 41% e Flávio Bolsonaro tem 37%, também empatados tecnicamente, seguidos por Caiado com 5%, Renan Santos com 3% e Zema com 3%.
Os dois principais nomes também dividem a liderança da rejeição. Do total de entrevistados, 49% afirmam que não votariam em Lula de jeito nenhum e 48% dizem o mesmo sobre o senador do PL, diferença novamente inferior à margem de erro. A rejeição a Ronaldo Caiado ficou em 34%, a de Romeu Zema subiu para 36% e a de Renan Santos passou de 32% para 35%. Renan Santos é o mais desconhecido do grupo, citado por 43% dos eleitores que dizem não saber quem é, contra 31% de Zema e 30% de Caiado. A pesquisa ouviu cerca de dois mil eleitores de 16 anos ou mais, por telefone, entre 21 e 23 de agosto, com nível de confiança de 95%, e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral.
A cobertura de centro apresentou o levantamento inteiro na mesma hierarquia, com os quatro cenários de segundo turno, o primeiro turno, a rejeição de cinco nomes e a ficha técnica, marcando a cada número que as oscilações de 1 ponto mantêm os candidatos empatados dentro da margem de erro. Veículos de direita organizaram a mesma pesquisa em torno de um recorte específico: pela primeira vez desde abril, a rejeição ao presidente superou numericamente a do senador, indicador que ganhou manchete e abertura, acompanhado da série histórica que mostra Lula saindo de 46% de rejeição em julho para 49% agora, enquanto Flávio Bolsonaro recuou de 52% em junho para 48%. Nesse enquadramento, os cenários em que o presidente lidera todos os adversários testados ficaram de fora, embora o texto reconheça mais adiante que Lula mantém vantagem no potencial de voto, com 50% contra 47%, e no eleitorado exclusivo, com 39% contra 27%. Veículos de esquerda não haviam publicado análise do levantamento até o fechamento desta reportagem, e o ângulo que a cobertura disponível deixa implícito é o dos recortes sociais: a rejeição a Lula cai para 32% entre quem ganha até um salário mínimo e para 36% no Nordeste, enquanto Flávio Bolsonaro é rejeitado por 55% das mulheres, por 62% dos eleitores de 16 a 24 anos e por 58% do eleitorado nordestino.
A divergência principal está no que cada recorte trata como fato novo. De um lado, a leitura de que uma diferença de 1 ponto, menor que a margem de erro, não caracteriza mudança de cenário. De outro, a leitura de que a redução da vantagem de três para um ponto em uma semana, somada ao pico de rejeição da série, indica desgaste do governo.
Ainda não se sabe o que explica a oscilação, porque nenhuma das versões traz reação das campanhas nem análise de fatores conjunturais. As duas descrições da ficha técnica também não coincidem: uma informa 2.006 entrevistados e o registro BR-009028/2026, outra informa 2.003 entrevistados e o código BR-09028/2026. Também não há informação sobre quando sai a próxima rodada do instituto.