O fotógrafo Ricardo Stuckert, um dos auxiliares mais próximos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi exonerado do cargo de secretário de Produção e Divulgação de Conteúdo Audiovisual da Secretaria de Comunicação Social (Secom). A saída foi publicada no Diário Oficial da União de 6 de julho de 2026, com efeitos retroativos ao sábado, dia 4. Stuckert, que acompanha a trajetória de Lula há 23 anos, deixa a máquina pública para assumir a coordenação da estratégia de redes sociais da campanha de reeleição do petista.
A data da saída não é aleatória. Ela coincide com o início do chamado defeso eleitoral, conjunto de regras previsto na Lei das Eleições que restringe a atuação de agentes públicos nos 90 dias que antecedem o primeiro turno. O objetivo do período, que se estende até 25 de outubro, é preservar a igualdade de condições entre os candidatos, proibindo condutas como a participação de governantes em inaugurações de obras. A campanha eleitoral só pode começar oficialmente em 16 de agosto, conforme o calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Stuckert não é o único a deixar a Secom nesta reorganização. A cobertura de centro relatou que outros nomes também migram para o QG eleitoral: Vinicius Carnier Colombin, que ocupava a Diretoria do Departamento de Distribuição Audiovisual; a assessora especial Anna Maria Menezes Vieira da Costa; Raquel Sepúlveda, que fará a ponte com a imprensa; Gustavo Cunha, que integra a equipe de marketing; e Gilberto Santos, que reforça a operação de reportagem. A transferência de quadros do governo para a estrutura partidária, observam as reportagens, é prática comum entre pré-candidatos nesta fase.
As coberturas convergem nos fatos centrais, mas divergem na ênfase. Veículos de direita enfatizaram o esvaziamento de cargos públicos para abastecer a máquina de campanha e destacaram que o fotógrafo construiu por anos a identidade visual do presidente com recursos da Presidência, devendo agora levar o acervo de fotos oficiais para as peças publicitárias da reeleição. Nesse enquadramento, a movimentação expõe o debate sobre o uso da estrutura estatal em favor da candidatura petista. Já a leitura mais próxima do campo governista ressalta que a saída ocorre justamente para respeitar o defeso eleitoral, num gesto de alinhamento às regras, e lembra que Stuckert registrou momentos centrais da trajetória de Lula, inclusive o período em que o petista esteve preso em Curitiba.
A cobertura de centro relatou ainda o contexto eleitoral mais amplo. São Paulo, maior colégio eleitoral do país e berço do PT, está na mira dos pré-candidatos para as convenções: no caso de Lula, estuda-se um evento de lançamento da reeleição ao lado do pré-candidato ao governo paulista, Fernando Haddad. Do outro lado, a convenção do Partido Liberal, do senador Flávio Bolsonaro, está marcada para 25 de julho, com expectativa de participação do governador Tarcísio de Freitas.
O que ainda não se sabe é o desenho completo do gabinete de campanha de Lula, o papel exato que cada exonerado terá na estrutura eleitoral e como o TSE avaliará eventuais questionamentos sobre o uso de imagens produzidas no período em que Stuckert era servidor. Também permanece em aberto a data e o formato do evento de lançamento da candidatura à reeleição.