O senador Romário anunciou o desligamento do Partido Liberal (PL), legenda a que estava filiado havia cinco anos, e declarou apoio à candidatura de Eduardo Paes, do PSD, ao governo do Rio de Janeiro. O anúncio foi feito às vésperas do início oficial da campanha eleitoral. Segundo nota divulgada pela assessoria do parlamentar, ele permanecerá sem partido neste primeiro momento e não mantém conversas em andamento para uma nova filiação.
Na mesma nota, o senador afirmou que a decisão foi amadurecida ao longo dos últimos meses e representa o encerramento de um ciclo político, tomado, segundo ele, sem briga e sem ressentimento. "Tenho minhas posições, o Eduardo tem as dele e não precisamos concordar em tudo. O que pesa para mim é o Rio", declarou. Romário não disputa cargo nesta eleição, porque seu mandato no Senado Federal vai até 2031, e disse que a prioridade continuará sendo a representação do estado na Casa.
A cobertura de centro relatou o teor integral da nota, reconstruiu o histórico recente do parlamentar e situou o gesto no cenário da disputa estadual, lembrando que levantamentos do instituto Quaest apontam Eduardo Paes na liderança da corrida ao Palácio Guanabara. Os relatos disponíveis convergem nos fatos centrais: a saída do partido, a ausência de nova legenda e o apoio declarado ao candidato do PSD.
Veículos de direita enfatizaram o efeito do movimento sobre o campo conservador fluminense, destacando que o senador passa a se opor à candidatura lançada pelo próprio partido no estado, encabeçada por Douglas Ruas e apoiada pelo senador Flávio Bolsonaro, e registrando que o apoio a Eduardo Paes repete o gesto da eleição municipal de 2024. A cobertura de centro deu mais espaço ao contexto pessoal e institucional do parlamentar: a atuação como comentarista esportivo durante a Copa do Mundo sem licença formal do Senado, a renúncia aos pagamentos do mandato depois de críticas públicas e o bloqueio, determinado pela 4ª Vara Cível da Barra da Tijuca, dos valores que ele receberia do canal de streaming, para quitar dívida de R$ 32,4 milhões cobrada em ação movida pela empresa Koncretize Projetos e Obras. O processo corre em segredo de Justiça.
Veículos de esquerda não publicaram material próprio sobre o caso até o momento. A leitura provável desse campo seria a de que a migração de apoio fortalece um palanque estadual com trânsito no governo federal, já que Eduardo Paes conta com o apoio do presidente Lula, e a de que o debate central deveria ser o enfrentamento da desigualdade, da violência e da precariedade dos serviços públicos no Rio de Janeiro, problemas que o próprio senador descreveu como arrastados por muitos anos.
Ainda não se sabe qual será o destino partidário de Romário, que segue sem legenda, nem se ele declarará voto em algum presidenciável, ponto que ele deliberadamente deixou em aberto. Também não há registro de reação pública do partido deixado, do candidato apoiado ou da candidatura concorrente. As duas coberturas divergem na data do anúncio: uma registra sexta-feira, 14 de agosto, e a outra, sábado, 15 de agosto. Por fim, não há informação sobre o desfecho da ação judicial que motivou o bloqueio de valores nem sobre eventuais contrapartidas políticas do apoio declarado.