O candidato do PL ao governo de Minas Gerais, Flávio Roscoe, afirmou que o senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos, só assumiu publicamente o apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro depois que o seu próprio nome foi lançado na disputa estadual. A declaração foi dada em Belo Horizonte, na segunda-feira, 17 de agosto de 2026, durante o evento que oficializou a campanha de Roscoe, empresário e presidente afastado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, a Fiemg. Na avaliação dele, a definição da chapa do PL tirou do adversário a possibilidade de manter uma neutralidade calculada para atrair também eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva.
Na véspera, no debate entre os candidatos ao governo mineiro, Cleitinho já havia dito que não está neutro e que fará campanha ao lado de Flávio Bolsonaro nos 45 dias seguintes. O senador atribuiu a ausência de aliança formal com o PL à demora do Republicanos em liberar sua candidatura ao governo, e afirmou que, por isso, perdeu o palanque. O partido havia anunciado que adotaria neutralidade na eleição presidencial.
A cronologia é o ponto em que toda a cobertura converge. O PL confirmou Roscoe em 5 de agosto e Cleitinho lançou a própria campanha dois dias depois, o que inviabilizou uma chapa comum no estado. No lançamento em Belo Horizonte, Flávio Bolsonaro disse ter a honra de contar com dois dos melhores candidatos mineiros apoiando sua candidatura à Presidência e tratou Minas Gerais como estado decisivo para o resultado nacional. A vereadora de Uberaba Ellen Miziara foi confirmada como vice na chapa de Roscoe.
A cobertura de centro relatou o episódio acrescentando checagem às declarações de campanha. Ao afirmar que o estado só continua respirando com as contas por causa de uma grande ajuda do ex-presidente Jair Bolsonaro, o presidenciável citou os acordos de repactuação firmados após o rompimento das barragens de Brumadinho e Mariana e o adiamento da dívida mineira, medidas que envolveram órgãos de diferentes Poderes e que vieram de liminares do Supremo Tribunal Federal, e não da atuação direta da Presidência da República. Esses mesmos veículos registraram o debate estadual, em que o governador e candidato à reeleição Mateus Simões questionou como Cleitinho compensaria as prefeituras pela queda na arrecadação do IPVA, e em que o ex-prefeito Alexandre Kalil voltou a criticar as isenções fiscais concedidas a empresas, hoje em torno de 25 bilhões de reais e acima de 27 bilhões em 2027.
Veículos de direita enfatizaram o movimento de unificação do campo conservador em Minas. Em entrevista, o ex-prefeito de Divinópolis Gleidson Azevedo, irmão do senador e candidato a deputado federal, relatou os bastidores do impasse com o Republicanos, disse que chegou a cogitar abandonar a própria candidatura quando o partido se posicionou contra a disputa do irmão pelo governo e afirmou que toda a família apoiará Flávio Bolsonaro. Nessa cobertura ganhou espaço a expectativa de que o PL possa rever a candidatura estadual ao longo da campanha, caso Roscoe não avance nas pesquisas, em favor de uma união da direita em torno de Cleitinho.
Veículos de esquerda não publicaram cobertura própria do episódio no conjunto analisado. A ausência deixa sem contraponto pontos que costumam render disputa política, como a posição de Cleitinho contra o uso de câmeras nos uniformes dos policiais, a promessa de não apreender veículos com IPVA em atraso e o volume de renúncia fiscal concedida a empresas pelo governo estadual, todos temas com efeito direto sobre serviços públicos e sobre a arrecadação dos municípios.
O que ainda não se sabe é se o PL manterá Roscoe na disputa mineira até o fim, se o Republicanos sustentará a neutralidade nacional depois do apoio declarado por seu senador e qual será o efeito do rearranjo nas pesquisas estaduais e presidenciais. Também não há detalhamento oficial sobre a detenção, em Juiz de Fora, do homem suspeito de ameaçar Flávio Bolsonaro, citada pelo próprio candidato durante o evento em Belo Horizonte, nem confirmação independente do número de ameaças que ele diz ter recebido.