A poucos meses da eleição presidencial de 2026, a corrida ao Planalto entrou na fase de oficialização de candidaturas e de definição de alianças. Entre os dias 26 e 29 de julho, os presidenciáveis dividiram o tempo entre convenções partidárias, reuniões de articulação e compromissos institucionais, enquanto um dos maiores partidos do centro decidiu não indicar apoio nacional a nenhum dos concorrentes.
Até o momento, o assunto foi coberto sobretudo por veículos de centro, que relataram a agenda dia a dia sem enquadramento valorativo. Segundo essa cobertura, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dedicou a segunda-feira à visita do presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, com cerimônia oficial de chegada, reunião bilateral ampliada, assinatura de atos, declaração conjunta a jornalistas e recepção no Itamaraty. Dois dias depois, a agenda divulgada do presidente se resumiu a uma reunião no Palácio do Planalto com o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, para tratar de emergências climáticas.
No campo da oposição, a mesma cobertura registrou que o senador Flávio Bolsonaro se reuniu com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, sem horário nem pauta divulgados. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, teve a candidatura oficializada na convenção nacional do Partido Novo, em Brasília, e depois percorreu cidades do interior paulista e mineiro, com café da manhã em São José do Rio Preto, almoço em Barretos ao lado do pré-candidato ao Senado Ricardo Salles e entrevistas a rádios locais. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, passou por uma feira de tecnologia agrícola em Bebedouro e, na quarta-feira, apresentou propostas para o setor de comunicação em evento das entidades de rádio, televisão e jornais, antes de ir a um encontro do próprio partido em Brasília em apoio a candidaturas regionais.
O outro fato central da semana veio do MDB. Em convenção nacional realizada no domingo, o partido decidiu não apoiar nenhum candidato à Presidência e liberar os diretórios estaduais para definir posicionamentos conforme a realidade local. O presidente da legenda, o deputado federal Baleia Rossi, afirmou que a liberação une e pacifica o partido, deixando a sigla mais forte nos Estados. A cobertura registra que, no Nordeste e em parte do Norte, o MDB tende a se alinhar ao governo, enquanto no Centro-Oeste, no Sul e no Sudeste há resistência a uma aliança com o PT. Em Pernambuco, o partido já fechou apoio à Frente Popular e à pré-candidatura de João Campos ao governo do estado.
No conjunto analisado não há matérias de veículos de esquerda. A leitura provável desse campo, a partir dos mesmos fatos, enfatizaria o contraste entre um presidente que segue governando, ao receber um chefe de Estado estrangeiro e tratar de emergências climáticas, e adversários que concentram compromissos no agronegócio e em entidades empresariais. Também não há cobertura de veículos de direita sobre o período; o ângulo esperado desse campo destacaria a oficialização da candidatura de Zema, o encontro entre Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas como sinal de convergência da oposição e a recusa do MDB em endossar o governo como indício de desgaste do Planalto.
Vários pontos seguem em aberto. As equipes de ao menos dez pré-candidatos não divulgaram agenda oficial, o teor da conversa entre Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas não foi informado, e o MDB não esclareceu se manterá a neutralidade em um eventual segundo turno nem como distribuirá tempo de televisão e recursos do fundo eleitoral entre os diretórios liberados.