A guerra entre Rússia e Ucrânia entrou em nova fase de ataques de longo alcance no início de julho de 2026, com as duas capitais militares trocando golpes em questão de dias. Na madrugada de 4 de julho, forças ucranianas atingiram São Petersburgo, a segunda maior cidade da Rússia. Segundo o presidente Volodymyr Zelensky, os alvos foram uma infraestrutura portuária de petróleo, que gera receita para o esforço de guerra russo, e Kronstadt, descrita como um importante ponto militar. A cobertura de centro relatou que o próprio Zelensky anunciou a operação em suas redes sociais, agradecendo a quem garantiu a precisão do que chamou de plano de sanções de longo alcance contra Moscou.
O ataque a São Petersburgo veio na esteira de uma ofensiva russa muito mais letal. Dois dias antes, em 2 de julho, a Rússia bombardeou Kiev com o que a Força Aérea ucraniana descreveu como 75 mísseis e 496 drones, dos quais 524 alvos teriam sido abatidos ou neutralizados. Autoridades locais contabilizaram ao menos 17 mortos e cerca de 90 feridos, com equipes de resgate trabalhando em quinze pontos da cidade. Os números tendiam a subir à medida que avançava a remoção dos escombros.
Sobre os fatos centrais há convergência: os dois lados executaram ataques de grande escala, houve mortos e feridos em Kiev, e a infraestrutura ligada à energia e à indústria de defesa esteve no centro dos alvos. A divergência aparece no enquadramento. Veículos de esquerda deram amplo espaço aos comunicados oficiais russos, reproduzindo a versão do Ministério da Defesa de que a ofensiva contra Kiev foi retaliação a ataques ucranianos a infraestrutura na região russa de Nizhny Novgorod, e destacando a crítica do Kremlin, pela voz do porta-voz Dmitry Peskov, à suposta militarização da União Europeia. Nesse enquadramento, o apoio militar ocidental e as novas sanções alimentam a espiral de violência em vez de aproximar uma solução.
O ângulo mais próximo da direita, também presente na cobertura, enfatiza a capacidade ucraniana de atingir alvos estratégicos no território russo e cortar as fontes de financiamento da guerra, apresentando a resposta europeia como legítima diante da agressão que matou civis em Kiev. A chanceler da diplomacia europeia, Kaja Kallas, anunciou a proposta de novas sanções contra organizações que sustentam o complexo militar-industrial russo, afirmando que o preço será elevado até que Moscou entenda que não pode vencer.
O que ainda não se sabe é o saldo completo do ataque a São Petersburgo, já que não há confirmação independente sobre danos ou vítimas do lado russo, nem detalhamento do cronograma e do alcance das sanções europeias anunciadas. Também permanece em aberto se a nova rodada de golpes de longo alcance abrirá espaço para negociação ou apenas aprofundará a escalada entre os dois países.