Uma nova pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada na noite de segunda-feira pela Folha de S. Paulo, mapeou a disputa pelas duas vagas de São Paulo no Senado Federal na eleição de 2026. Segundo o levantamento, se a eleição fosse hoje, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) seriam eleitas senadoras pelo maior colégio eleitoral do país.
Marina lidera com 18% das intenções de voto, seguida por Simone Tebet com 16%. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, as duas estão tecnicamente empatadas. Na sequência aparece Ricardo Salles (Novo), com 13%, também tecnicamente empatado com Tebet. Depois vêm André do Prado (PL), com 11%, Guilherme Derrite (PP), com 10%, e Paulinho da Força (Solidariedade), com 8%. Brancos, nulos e nenhum candidato somam 17%, enquanto 7% não sabem ou não responderam.
A cobertura de centro dos veículos convergiu nos números e na metodologia: o instituto ouviu 1.608 eleitores em 71 municípios paulistas entre os dias 1º e 3 de julho, com margem de erro de dois pontos para mais ou para menos e intervalo de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada sob os protocolos SP-01703/2026 e BR-06481/2026. Um veículo regional de Mato Grosso do Sul destacou o desempenho da sul-mato-grossense Simone Tebet, dando ao resultado um recorte local, mas sem alterar os dados.
É na leitura política do resultado que as ênfases se separam. Veículos de direita enfatizaram que a disputa pelo Senado é estratégica tanto para o campo aglutinado em torno de Flávio Bolsonaro quanto para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os dois principais nomes da corrida presidencial. Essa cobertura lembrou que é na Casa Alta do Congresso que se discutem, por exemplo, pedidos de impeachment de ministros do Supremo, e apresentou Ricardo Salles e os demais nomes de centro-direita como alternativas competitivas num eleitorado fragmentado. Já uma leitura de esquerda tenderia a destacar que as duas primeiras colocadas são ex-ministras ligadas ao governo Lula, o que sinalizaria força do campo governista em São Paulo e reforço à governabilidade.
Ambos os lados reconhecem o mesmo pano de fundo institucional: a eleição de 2026 vai renovar 54 das 81 cadeiras do Senado, dois terços do total, e São Paulo elege duas delas. Por isso a disputa paulista pesa na correlação de forças do Congresso para o próximo mandato presidencial.
O que ainda não se sabe é como esse quadro vai evoluir até a campanha oficial. A pesquisa retrata um momento de pré-candidaturas, com empates técnicos no topo e um contingente expressivo de brancos, nulos e indecisos, cerca de um quarto do eleitorado. Não há, até aqui, cenários de segundo momento nem definição formal das candidaturas, o que mantém a corrida em aberto.