Site Meu Dinheiro Não expõe empresas com apoiadores de Lula em lista de boicote
1 veículo de esquerda · 1 veículo de centro

Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Veículos com viés ao centro
Briefing
O que importa para você
- Demitir, ameaçar ou recusar contratação por causa do voto é assédio eleitoral e pode ser denunciado ao Ministério Público do Trabalho.
- O governo notificará plataformas digitais para retirar conteúdos que promovam perseguição política no trabalho.
- Em 2022, o Tribunal de Justiça de São Paulo condenou dois autores de lista de boicote por crime de perseguição.
Onde os lados concordam
A cobertura de centro e a de esquerda concordam que listas de boicote a eleitores de Lula circularam após o 2º turno, que o Ministério do Trabalho e Emprego condenou a prática e que o Ministério Público do Trabalho registrou 530 relatos de assédio eleitoral até 27 de outubro, de 2.467 no ano.
O que ainda está incerto
- Até a manhã de 30 de outubro, não se sabia quem administra ou financia o site Meu Dinheiro Não.
- A Polícia Federal não confirmou se havia investigação aberta.
- Não estava claro se o Ministério Público do Trabalho atuaria contra o site, já que um procurador disse que o tema, em princípio, foge às suas atribuições.
Depois da reeleição de Lula em 25 de outubro, o site Meu Dinheiro Não passou a listar empresas onde donos ou funcionários manifestaram apoio ao presidente. O Ministério do Trabalho e Emprego condenou a campanha de boicote e o Ministério Público do Trabalho registrou 530 relatos de assédio eleitoral em dois dias.
Depois da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, no segundo turno de 25 de outubro de 2026, com 51,75% dos votos válidos contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, do PL, listas de boicote contra empresas e trabalhadores identificados como eleitores do presidente passaram a circular em várias cidades. Uma delas ganhou forma de site: a plataforma Meu Dinheiro Não, divulgada por perfis bolsonaristas na rede X desde 27 de outubro, reúne estabelecimentos onde houve qualquer manifestação de apoio a Lula.
Em 28 de outubro, o Ministério do Trabalho e Emprego condenou a campanha que incentiva a demissão e o boicote a esses trabalhadores e empresários. Em conjunto com o Ministério Público do Trabalho e a Advocacia-Geral da União, o governo anunciou medidas contra a discriminação política no trabalho, entre elas notificações a plataformas digitais para retirar conteúdos de perseguição.
A cobertura de centro e a de esquerda convergem nos números. Foram 530 relatos de assédio eleitoral entre a noite de domingo e a tarde de terça-feira, 27 de outubro, cerca de 21% dos 2.467 registrados no ano. Até o fim do primeiro turno, eram 991; no segundo turno, outros 946. Os relatos envolvem ameaças de demissão, dispensas e recusa de contratação por causa do voto.
A cobertura de centro destacou as listas distribuídas em grupos de WhatsApp e a fala do procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira, segundo quem o empresário é dono do negócio, e não do voto do empregado, e demitir por convicção política é ilegal. O texto não trouxe a versão de quem organiza as listas.
Veículos de esquerda detalharam o funcionamento do site. As empresas são divididas entre Em alerta e Recomendadas, qualquer usuário pode indicar nomes, e a maioria das fontes aceitas são perfis pessoais em redes sociais. Entre os casos citados estão uma loja em Manaus incluída porque funcionários comemoraram a vitória de Lula e uma marca de cosméticos listada por uma foto da proprietária com adesivo do presidente. A reportagem observou que o site não distingue opinião pessoal de posição da empresa, tratou o tema sob o título caça aos petistas e lembrou que o Tribunal de Justiça de São Paulo condenou dois bolsonaristas por perseguição, por uma lista semelhante em Cafelândia, em 2022. O texto registrou ainda o pedido de cinco deputados federais do PT, liderados por Paulo Pimenta, de investigação nacional à Procuradoria-Geral da República, à Polícia Federal e ao Ministério Público do Trabalho. Os responsáveis pelo site não se identificam, não responderam ao contato e, em manifesto, negam incentivar perseguições.
Nenhum veículo de direita cobriu o caso no conjunto analisado.
Fontes
Ministério do Trabalho repudiou campanhas de retaliação e registrou 530 relatos após o resultado do 2º turno. Leia no Poder360.

Site bolsonarista expõe empresas e incentiva boicote a estabelecimentos ligados a apoiadores de Lula.
