STF cobra explicações de tribunais sobre penduricalhos pagos a juízes
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O STF determinou que sete tribunais estaduais expliquem, em 48 horas, pagamentos a magistrados que teriam driblado o teto constitucional de remuneração. A origem do impasse é uma resolução conjunta do CNJ e do CNMP que recriou parte dos penduricalhos extintos por decisão anterior da Corte, e parte dos tribunais já respondeu afirmando ter seguido as regras vigentes.
Tribunais estaduais pagaram a magistrados salários que chegaram a dez vezes o teto constitucional, numa manobra viabilizada por uma resolução do próprio Judiciário que reabriu brechas fechadas pelo STF. A cobrança do Supremo só veio depois de reportagens expuserem o caso, reforçando a leitura de que o controle interno da corporação sobre seus próprios privilégios é frágil.
O STF agiu com rigor para fiscalizar o cumprimento das próprias regras de teto salarial, cobrando prestação de contas de sete tribunais em prazo curto. Os tribunais notificados já apresentaram justificativas técnicas para os valores pagos, e o episódio evidencia o funcionamento do sistema de controle institucional sobre o próprio Judiciário.
5 fontes políticas
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Veículos com viés à direita
Todas as coberturas concordam que sete tribunais estaduais foram notificados pelo STF para detalhar pagamentos a magistrados entre abril e julho, que 616 magistrados receberam valores acima do teto de R$ 46,4 mil em maio e que a origem do impasse é uma resolução conjunta do CNJ e do CNMP aprovada em abril.
O Supremo Tribunal Federal intensificou a cobrança sobre tribunais estaduais que teriam driblado o teto de remuneração de magistrados, com penduricalhos que elevaram salários muito acima do limite constitucional de R$ 46,4 mil. Um levantamento mostrou que, em maio, 616 magistrados receberam valores acima do teto, com uma juíza do Distrito Federal chegando a R$ 495 mil no mês, após se aposentar, e um desembargador do Pará recebendo cerca de R$ 1 milhão entre maio e junho.
Em 6 de julho, os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin determinaram, separadamente, que sete tribunais de Justiça — Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Rondônia — detalhassem em 48 horas todos os pagamentos feitos a magistrados ativos, aposentados e pensionistas entre abril e julho. A medida busca apurar se as cortes descumpriram a decisão de março do Supremo, que limitou verbas indenizatórias a 35% do teto e outros 35% ligados ao tempo de serviço, permitindo, na prática, remunerações de até 70% acima do limite.
A cobertura de centro relatou que a origem do drible estaria em uma resolução conjunta do CNJ e do CNMP, aprovada por unanimidade em abril e assinada pelo próprio presidente do STF, Edson Fachin, que recriou parte dos penduricalhos extintos e abriu brechas interpretativas. Já em 8 de julho, os tribunais do Distrito Federal, Rio de Janeiro, Maranhão e Rondônia responderam ao Supremo afirmando que os pagamentos seguiram as regras vigentes, atribuindo os valores elevados a verbas indenizatórias de férias, adiantamentos de 13º salário e acertos de aposentadoria.
Veículos de esquerda destacaram a fala da professora de direito administrativo da FGV Vera Monteiro, que classificou a situação como "saque do patrimônio público" e apontou uma disputa de poder entre as próprias cortes para escapar do controle. Essa leitura enfatiza a responsabilidade coletiva das instituições públicas em preservar recursos do Estado e a desigualdade entre o teto pago à maioria dos servidores e os supersalários do topo do Judiciário.
Veículos de direita, por sua vez, enquadraram o episódio como uma questão de accountability institucional, enfatizando a atuação do STF em fiscalizar o cumprimento das próprias regras e cobrar prestação de contas dos tribunais, sem atribuir motivação política ao caso, mas destacando o volume de recursos públicos envolvidos.
O que ainda não se sabe é se o STF considerará irregulares os pagamentos identificados — os despachos de Moraes, Dino e Zanin ainda não afirmam ter havido descumprimento, apenas exigem explicações — e como os tribunais de Goiás, Paraná e Rio Grande do Norte, que até 8 de julho não haviam se manifestado, vão justificar seus próprios pagamentos.
Cortes afirmam que pagamentos acima do teto decorreram de verbas indenizatórias e acertos de aposentadoria. Leia no Poder360.

Tribunais afirmam que pagamentos seguem resolução conjunta do CNJ e CNMP

Juíza do DF recebeu R$ 495 mil após aposentadoria, maior salário registrado em maio

Informações vão servir para avaliar cumprimento da regra da Corte que limita pagamento de verbas indenizatórias

Moraes, Dino e Zanin cobram tribunais estaduais sobre descumprimento de decisão do STF sobre o pagamento de penduricalhos. Leia no Poder360
