
STF decide se Eduardo Bolsonaro será condenado no processo do tarifaço
Resumo da cobertura
A Primeira Turma do STF julga Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo da trama golpista. Réu, o ex-deputado é acusado pela PGR de articular junto aos EUA o tarifaço contra exportações brasileiras para pressionar a Corte a não condenar Jair Bolsonaro. Ele está nos Estados Unidos, perdeu o mandato e será defendido pela DPU. A pena prevista varia de um a quatro anos.
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal julga nesta terça-feira se o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro será condenado pelo crime de coação no curso do processo da chamada trama golpista. A sessão, prevista para começar às 14h, define se o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro responderá penalmente por sua atuação junto ao governo dos Estados Unidos.
Segundo a Procuradoria-Geral da República, Eduardo articulou com autoridades norte-americanas a aplicação do tarifaço contra as exportações brasileiras, a suspensão de vistos de ministros e sanções econômicas previstas na Lei Magnitsky. O objetivo, na acusação, era pressionar a Corte a não condenar Jair Bolsonaro, sentenciado a 27 anos e três meses no processo da trama golpista. A pena prevista para o crime de coação varia de um a quatro anos de prisão, com possíveis agravantes, e a PGR também pediu a fixação de um valor de reparação pelos danos econômicos.
A cobertura de centro, como a do Metrópoles, concentrou-se no rito do julgamento. O relator, ministro Alexandre de Moraes, abre a sessão com a leitura do relatório; em seguida, o procurador-geral Paulo Gonet apresenta a acusação e a Defensoria Pública da União faz a sustentação oral. Só então votam, nesta ordem, Moraes, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e o presidente do colegiado, Flávio Dino. Havendo maioria pela condenação, a Turma passa à dosimetria da pena. O colegiado está com uma cadeira vaga desde a transferência de Luiz Fux para a Segunda Turma, após a aposentadoria de Luís Roberto Barroso.
Veículos de esquerda, como a Agência Brasil, enfatizaram o argumento da acusação de que a estratégia de Eduardo provocou prejuízos concretos. A PGR sustenta que as sobretarifas oneraram setores produtivos e atingiram trabalhadores completamente alheios aos processos penais. Nesse enquadramento, o julgamento aparece como uma defesa das instituições e da soberania nacional diante de uma pressão econômica estrangeira deliberadamente acionada.
O ângulo favorável à defesa, mais explorado por veículos de direita, parte das alegações apresentadas pela Defensoria Pública da União. O órgão pediu a anulação do processo e sustentou que Moraes não poderia julgar o caso por ter sido, ele próprio, vítima do cancelamento de vistos e das sanções financeiras da Lei Magnitsky. Nas palavras da DPU, o julgador seria, ao mesmo tempo, a principal vítima das condutas que é chamado a julgar. A defesa também questionou o quórum de apenas quatro ministros e pediu a convocação de um integrante da Segunda Turma. Eduardo, que está nos Estados Unidos desde o ano passado e perdeu o mandato por faltar às sessões da Câmara, não constituiu advogado e por isso é representado pela Defensoria.
O que ainda não se sabe é o resultado da votação e a eventual dosimetria da pena, caso haja condenação. Também permanece em aberto se a Turma acolherá os pedidos preliminares da defesa sobre a suspeição de Moraes e a composição do colegiado, questões que podem ser decididas antes do mérito.
Briefing
O que importa para você
- A pena prevista para coação varia de um a quatro anos de prisão, com possíveis agravantes.
- A PGR pede ainda reparação financeira pelos danos econômicos do tarifaço.
- Havendo maioria pela condenação, a Turma define a pena na mesma sessão (dosimetria).
Onde os lados divergem
- A cobertura de esquerda enfatiza os prejuízos do tarifaço a trabalhadores e a defesa da soberania nacional.
- O ângulo de direita destaca o pedido de anulação, a alegada suspeição de Moraes como vítima das sanções e o quórum incompleto de quatro ministros.
Onde os lados concordam
Esquerda e centro relatam os mesmos fatos do rito: a Primeira Turma do STF julga Eduardo Bolsonaro por coação, Moraes é o relator, e a defesa cabe à DPU porque o réu está nos EUA e não constituiu advogado.
O que ainda está incerto
- O resultado da votação dos quatro ministros e a eventual pena aplicada.
- Se a Turma acolherá os pedidos preliminares da defesa sobre suspeição de Moraes e quórum incompleto.
Como cada lado cobriu
2 fontes políticas
Veículos com viés à esquerda
- Agência BrasilSTF decide se Eduardo Bolsonaro será condenado no processo do tarifaçoCaso trata da articulação de Eduardo para incentivar os Estados Unidos a decretarem, no ano passado, o tarifaço contra as exportações brasileiras
Ver análise editorial
Matéria: CentroClassificada como centro, embora o veículo tenha viés editorial esquerda.
Apesar de publicado por veículo público de viés LEFT, o texto é predominantemente factual: descreve o rito do julgamento, cita PGR e DPU com paridade e reproduz os argumentos da defesa (anulação, suspeição de Moraes). O tom é de cobertura processual neutra, o que rebaixa o viés para CENTER.
Fontes
Caso trata da articulação de Eduardo para incentivar os Estados Unidos a decretarem, no ano passado, o tarifaço contra as exportações brasileiras

Filho de Jair Bolsonaro será julgado pela Primeira Turma por suposta coação relacionada ao processo da trama golpista
Encontrou algo errado nesta notícia?
Reporte para que a equipe revise. Sua contribuição ajuda a melhorar a cobertura.



