A defesa da empresária e lobista Roberta Luchsinger pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que a Procuradoria-Geral da República se manifeste pelo arquivamento da investigação que a apura no âmbito das fraudes contra aposentados do INSS. O pedido foi protocolado na segunda-feira, 6 de julho de 2026. Roberta é amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e virou alvo da apuração por causa de pagamentos que teria recebido de Antônio Carlos Camilo Antunes, o 'Careca do INSS', apontado pela Polícia Federal como um dos operadores do esquema de descontos irregulares em benefícios previdenciários.
A cobertura de centro, de veículos como a Agência O Globo e o Poder360, relatou os fatos de forma factual. Segundo essas reportagens, interlocutores que acompanham o caso avaliam que o arquivamento é improvável neste momento: enquanto a Polícia Federal sustentar a necessidade de novas diligências e não concluir o inquérito, dificilmente haverá espaço para o encerramento antecipado. A própria PF pediu mais seis meses para finalizar a análise do material apreendido na Operação Sem Desconto, e o diretor-geral Andrei Rodrigues afirmou que as investigações seguem normalmente. O Poder360 acrescentou que, para os investigadores, a empresária seria o elo entre o Careca do INSS e Lulinha, com cinco pagamentos de R$ 300 mil e transferências que somam R$ 1,5 milhão de uma empresa ligada ao lobista.
Os veículos de direita, como VEJA e Revista Oeste, enfatizaram outro ângulo. A VEJA, a partir de um colunista, destacou o 'estranhamento' nos bastidores do Supremo: enquanto as demais frentes do caso INSS avançam, justamente a linha que envolve o filho do presidente estaria parada. A PF teria informado ao STF que não tem estrutura, delegados e força de trabalho para concluir a etapa, o que alimentaria a percepção de que 'um conjunto de forças' trabalharia para que a apuração 'não dê em nada'. A Revista Oeste deu amplo espaço à tese da defesa, que fala em 'pescaria probatória', 'vazamentos seletivos' e possível 'motivação política' num caso que atinge o entorno de um presidente que disputará a reeleição.
Há pontos em que as coberturas convergem. Todas registram que a defesa nega irregularidades, sustenta que os valores correspondem a serviços de consultoria sobre a regulação do canabidiol, formalizados por contrato e notas fiscais, e afirma que não houve repasse financeiro a Lulinha. Também há consenso de que a investigação segue sem conclusão e que a decisão sobre o pedido de arquivamento cabe agora ao relator, André Mendonça, e, mais adiante, à PGR. Já veículos de esquerda não deram ao caso o mesmo destaque; a leitura provável desse campo enfatizaria o risco de uma investigação prolongada sem provas ser explorada politicamente em ano eleitoral, penalizando alguém pela mera amizade pública com um familiar do presidente.
O que ainda não se sabe é decisivo. Não há definição sobre se Mendonça acolherá o pedido de prorrogação da PF ou o pedido de arquivamento da defesa. Permanece em aberto se Lulinha teria atuado como 'sócio oculto' do lobista, hipótese que os investigados negam, e qual foi o destino final dos recursos mencionados na mensagem em que o operador é orientado a repassar R$ 300 mil. Também não há relatório final da Polícia Federal, peça que definirá se o caso caminha para denúncia ou para o encerramento.