O Supremo Tribunal Federal acompanha com atenção a nova etapa do processo de extradição da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP), que permanece em Roma. A Corte de Cassação italiana marcou para o dia 1º de julho de 2026 uma audiência para decidir sobre o segundo pedido de extradição feito pelo Brasil. O pedido se refere à condenação de Zambelli por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, episódio ocorrido às vésperas do segundo turno das eleições de 2022, quando a então deputada perseguiu um homem com uma arma pelas ruas de São Paulo. O caso foi julgado pelo STF, que confirmou a responsabilização da parlamentar.
A cobertura de centro relatou que, nesta semana, a Justiça italiana já havia rejeitado um primeiro pedido de extradição, este ligado a outra condenação de Zambelli, referente à invasão de sistemas públicos. Na decisão, magistrados italianos sustentaram que o ministro Alexandre de Moraes teria acumulado as funções de vítima e julgador no processo. O tribunal também invocou questões de direitos humanos, classificou a prisão como medida degradante e reavaliou os fatos sob a ótica da legislação italiana, concluindo que não havia fundamentos para autorizar a extradição.
Veículos de esquerda destacaram que, nos bastidores do Supremo, ministros temem que uma nova negativa transforme a Justiça italiana em uma espécie de instância revisora das decisões definitivas dos tribunais brasileiros. Sob esse enquadramento, o ponto central é a defesa da soberania jurídica do país e da independência do Poder Judiciário: integrantes da Corte argumentam que apenas organismos internacionais com competência supranacional poderiam exercer controle sobre decisões nacionais, e a condenação de Zambelli é apresentada como ato legítimo a ser respeitado.
Veículos de direita, por sua vez, tendem a enfatizar o conteúdo da própria decisão italiana, que questionou o devido processo legal brasileiro ao apontar o acúmulo de papéis por Moraes e ao tratar a prisão como medida degradante. Sob essa ótica, a expectativa da defesa de uma nova vitória em Roma e a invocação de garantias individuais por um tribunal estrangeiro reforçam o argumento de que a parlamentar teria sido alvo de perseguição política.
Apesar da cautela, integrantes do STF admitem reservadamente que uma nova rejeição poderá provocar uma reação institucional mais contundente. A resposta à primeira decisão veio por meio de manifestação oficial em defesa da independência do Judiciário, e a reportagem aponta que o documento evitou o termo reciprocidade para não elevar o desgaste diplomático com a Itália, país com quem o Brasil mantém histórica cooperação jurídica. A defesa de Zambelli informa que ela aguarda a conclusão do processo em Roma e acredita que a Corte manterá o entendimento anterior.
O que ainda não se sabe é qual será o resultado da audiência de 1º de julho, qual a exata reação do STF caso o pedido seja negado novamente e quais os desdobramentos diplomáticos concretos entre os dois países. Independentemente do desfecho na Itália, a ordem judicial brasileira segue válida, de modo que Zambelli permanece impedida de retornar ao Brasil sem risco de prisão.