O candidato Arthur Henrique, do PL, foi o mais votado na eleição suplementar de domingo para o governo de Roraima, mas ainda não se sabe se ele poderá assumir o cargo. Com 100% das urnas apuradas, ele obteve 60,87% dos votos válidos, contra 35,72% de Soldado Sampaio, do Republicanos, e 3,40% de Nelita Frank, do PT. A disputa define quem ocupará um mandato-tampão no estado até janeiro de 2027, quando assume o vencedor das eleições gerais de outubro.
O resultado, porém, não pôde ser proclamado. A candidatura de Arthur Henrique, ex-prefeito de Boa Vista, está sub judice, ou seja, sob julgamento. O Tribunal Regional Eleitoral de Roraima indeferiu o registro dele e do vice, Subtenente Velton, por descumprimento do prazo de desincompatibilização, o afastamento de cargo público anterior para poder concorrer. Como a defesa recorreu, ele seguiu na disputa, mas os votos recebidos ficam guardados pela Justiça Eleitoral. Se o registro for validado ao fim do processo, ele assume o mandato; se for definitivamente rejeitado, os votos são anulados. Enquanto isso, Soldado Sampaio, presidente da Assembleia Legislativa, segue no governo interinamente.
A cobertura de centro, como a da CNN Brasil e do Metrópoles, relatou o episódio de forma factual, detalhando os percentuais oficiais, o número de eleitores aptos e o rito jurídico. Esses veículos explicaram que o impasse decorre de uma liminar do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. Dino derrubou uma norma do TRE-RR que flexibilizava o prazo de saída de cargos públicos, permitindo a desincompatibilização até 24 horas após a convenção partidária, e restabeleceu o prazo federal padrão de três a seis meses previsto na Lei das Inelegibilidades. Como ainda cabe recurso contra a decisão de Dino, Arthur Henrique apareceu nas urnas mesmo com a pendência.
Veículos de esquerda, como a CartaCapital, destacaram a origem do pleito: a eleição suplementar só ocorreu porque o TSE cassou o mandato do então governador Edilson Damião e tornou inelegível o ex-governador Antonio Denarium, ambos condenados por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Nessa leitura, o episódio reforça o papel das instituições na defesa da integridade eleitoral. O Metrópoles detalhou as irregularidades apontadas pela Justiça: uso eleitoral dos programas sociais Cesta da Família e Morar Melhor, extrapolação de gastos com publicidade institucional e repasse irregular de quase 70 milhões de reais a 12 dos 15 municípios do estado.
Veículos de direita tendem a enfatizar a tensão entre a vontade das urnas e a decisão judicial: o candidato escolhido por mais de 60% dos eleitores pode não assumir por conta de uma liminar individual que derrubou regra do próprio tribunal regional, num quadro de insegurança jurídica sobre regras eleitorais alteradas perto do pleito. O centro da controvérsia é justamente a divergência sobre o prazo de desincompatibilização.
O que ainda não se sabe é o desfecho do recurso. A proclamação definitiva do resultado depende da conclusão do processo na Justiça Eleitoral, e não há data anunciada para o julgamento final que dirá se Arthur Henrique será diplomado ou se os votos serão anulados.