Tarcísio de Freitas propõe ajuste fiscal gradual ao descartar receita de Milei
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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou no encerramento da 27ª Conferência Anual Santander, em São Paulo, que o Brasil não precisa de um ajuste fiscal do tamanho do que foi feito na Argentina pelo presidente Javier Milei. Segundo ele, um corte equivalente a 15% do Produto Interno Bruto não é necessário e um ajuste mais suave bastaria para reverter a trajetória da dívida pública. Candidato à reeleição, o governador dedicou a maior parte dos 40 minutos de painel a temas nacionais, criticou a condução fiscal do governo de Luiz Inácio Lula da Silva e cobrou a apresentação de um projeto de país na eleição presidencial. Ele não citou Flávio Bolsonaro, senador do PL e candidato à Presidência que apoia, cuja campanha promete um corte profundo de gastos apelidado de tesouraço e defendido no mesmo evento pela coordenadora econômica Daniella Marques.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, colocou a responsabilidade fiscal no centro do debate eleitoral ao afirmar que o Brasil pode corrigir a trajetória da dívida pública sem recorrer ao choque de 15% do PIB aplicado por Javier Milei na Argentina.
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2 fontes políticas
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
As duas coberturas registram os mesmos fatos: em 18 de agosto de 2026, no encerramento da 27ª Conferência Anual Santander, Tarcísio de Freitas descartou um ajuste fiscal de 15% do PIB nos moldes argentinos, defendeu um ajuste mais suave para reverter a trajetória da dívida pública e criticou a condução fiscal do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Ambas também registram que ele é candidato à reeleição e que falou majoritariamente de temas nacionais.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, usou o encerramento de uma conferência do setor financeiro para falar menos da própria reeleição e mais do rumo fiscal do país. Ele defendeu um ajuste gradual da dívida pública, descartou a receita aplicada por Javier Milei na Argentina e não citou o aliado Flávio Bolsonaro, que promete um corte profundo na máquina pública.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou em 18 de agosto de 2026 que o Brasil não precisa de um ajuste fiscal do tamanho do que foi executado na Argentina pelo presidente Javier Milei. A declaração foi feita no encerramento da 27ª Conferência Anual Santander, em um hotel na capital paulista, diante de uma plateia formada majoritariamente por agentes do mercado financeiro. “Ninguém está pedindo o ajuste fiscal do Milei, de 15% do PIB. A gente não precisa disso”, disse o governador. Segundo ele, “um ajuste muito mais suave joga a trajetória da nossa dívida para baixo e resolve o nosso problema”, e o resultado seria uma entrada expressiva de capital no país.
Candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas dedicou a maior parte dos 40 minutos de painel a temas nacionais. Disse não ter visão convergente de Brasil com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e cobrou que a eleição presidencial discuta um projeto de país. Afirmou que o último consenso nacional foi o Plano Real, que desde então a política virou um “grande bang-bang” e que a saída passa por liderança política, responsabilidade fiscal e segurança jurídica. Também sustentou que a piora das contas da União pressiona câmbio, inflação e juros, e que a incerteza já leva investidores e o próprio governo paulista a adiar decisões.
As duas coberturas disponíveis convergem nos fatos centrais: o local, a data, a recusa ao modelo argentino, a defesa do gradualismo e a crítica à condução fiscal federal. Divergem no que escolhem colocar em primeiro plano. Os veículos de direita detalharam o restante da fala como demonstração de gestão, listando a reforma administrativa, a extinção de oito empresas públicas, privatizações, concessões e transação tributária, e registrando o salto do investimento estadual de uma faixa anual de R$ 8 bilhões a R$ 12 bilhões para algo entre R$ 30 bilhões e R$ 32 bilhões, além de quase R$ 400 bilhões em investimentos privados contratados. Essa cobertura também narrou a negociação com o governo federal para viabilizar o túnel Santos-Guarujá e o momento em que a plateia aplaudiu a resposta do governador a uma cobrança feita por Fernando Haddad em debate.
Já a cobertura de centro puxou o fio da divergência dentro do próprio campo aliado. Ela lembrou que Flávio Bolsonaro (PL), senador e candidato à Presidência apoiado por Tarcísio de Freitas, promete um “tesouraço” na máquina pública caso eleito, com corte de ministérios e cargos, em linha com a estratégia de motosserra adotada por Javier Milei. Nesta mesma terça-feira, em entrevista a uma rádio, o senador afirmou que faria esse corte “com muita vontade”. E, horas antes da fala do governador, no mesmo evento do Santander, a coordenadora econômica da campanha, a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, defendeu que o ajuste seja duro e informou que Flávio Bolsonaro se reuniu recentemente com o ministro de Desregulação e Transformação do Estado da Argentina, Federico Sturzenegger. O governador não citou o nome do aliado em nenhum momento do painel e deixou o local sem falar com a imprensa.
Até o momento, nenhum veículo de esquerda registrou o episódio, o que deixa o caso sem a leitura que costuma cobrar o custo social do ajuste e questionar o peso do mercado financeiro na formulação da agenda econômica. O painel do evento reuniu ainda os governadores Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), a candidata ao Senado Simone Tebet (PSB-SP) e Renan Santos (Missão).
O que ainda não se sabe é qual o tamanho, em números, do ajuste que Tarcísio de Freitas considera suficiente: ele descartou o parâmetro argentino sem oferecer um brasileiro. Também segue em aberto se a divergência com o programa de Flávio Bolsonaro será enfrentada publicamente pelos dois, já que nenhuma das coberturas obteve resposta da campanha presidencial à contradição apontada, e o governador não deu entrevista após o evento.
Governador também disse que o Propag foi iniciativa dos governadores do Sul e Sudeste

A fala vai de encontro com o que pensa o aliado Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, que promete um "tesouraço" na máquina pública
