O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos, foi oficializado candidato à reeleição no sábado, 1º de agosto, em convenção realizada no Ginásio do Ibirapuera, na zona sul da capital paulista. Ao seu lado estava o senador Flávio Bolsonaro, do PL, candidato à Presidência da República. Em discurso, Tarcísio agradeceu ao ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar após condenação por golpe de Estado, e afirmou: 'Nós amamos Jair Messias Bolsonaro'. O governador disse ainda que poderia fazer mais pelo estado caso Flávio vencesse a eleição presidencial, sob o argumento de que o governo federal não teria ajudado São Paulo nos últimos quatro anos.
As coberturas disponíveis convergem no essencial. O palanque reuniu 12 partidos, entre eles PL, PP, MDB, PSD, União Brasil, Podemos, Solidariedade, Cidadania e Avante. Tarcísio afirmou ter passado de nove prefeitos aliados em 2022 para mais de 600 apoios municipais hoje, defendeu a privatização da Sabesp e prometeu encerrar o racionamento de água que atinge a Grande São Paulo em meio à estiagem. Evitou citar o presidente Lula pelo nome e não fez qualquer menção crítica ao Judiciário ou à prisão de Bolsonaro. Os ataques mais duros ao ex-ministro Fernando Haddad, seu principal adversário no estado, vieram de aliados: o prefeito Ricardo Nunes o chamou de 'professorzinho de nariz empinado', e os candidatos ao Senado Guilherme Derrite e André do Prado repetiram o mote de impedir o PT de governar São Paulo. Os dois relatos também registram que o ginásio, com capacidade para 11 mil pessoas, foi se esvaziando ao longo do ato, que começou com cerca de duas horas de atraso.
A cobertura de centro deu peso ao contraste entre o destaque protocolar concedido a Flávio Bolsonaro e seu isolamento político real. A cinco dias do limite para o registro de candidaturas, o senador mantinha apoio nacional apenas do próprio PL; nenhuma das bandeiras levadas por candidatos a deputado trazia sua imagem; e o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, não compareceu, ainda que a sigla apoie Tarcísio no estado. Essa cobertura também abriu espaço para a réplica do PT estadual, que classificou a fala do prefeito como 'desprezo e deboche' contra professores e associou o episódio à queda de São Paulo em rankings nacionais de educação. Veículos de direita relataram os mesmos fatos, inclusive o esvaziamento e a ausência dos caciques partidários, mas enquadraram a convenção sobretudo como demonstração de unidade da direita paulista, destacaram os contornos religiosos do evento, o aceno ao eleitorado feminino, apontado como ponto fraco da candidatura presidencial, e trataram a privatização da Sabesp como marca positiva da gestão, sem reproduzir contraponto da oposição. Veículos de esquerda não produziram cobertura própria do ato no material reunido; a leitura crítica desse lado aparece apenas de forma indireta, pela reação do PT estadual citada na cobertura de centro.
Restam pontos em aberto. Não se sabe se o Republicanos formalizará apoio nacional a Flávio Bolsonaro: o presidente da sigla, Marcos Pereira, chamou o senador de 'meu candidato a presidente', mas restringiu a declaração ao estado de São Paulo e manteve a sinalização de neutralidade na disputa federal. Também não está definido se PL e Republicanos fecharão aliança formal, condição para que a economista Daniella Marques, filiada ao partido do governador, possa compor a chapa presidencial como vice. Igualmente indefinido é o empenho efetivo do PSD, que controla cerca de 200 dos 645 prefeitos paulistas, na campanha estadual. O prazo de registro das candidaturas se encerra nos próximos dias e deve esclarecer parte dessas indefinições.