O PSB oficializou, na noite de sexta-feira, 31 de julho de 2026, em convenção estadual realizada no plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo, a candidatura de Márcio França a vice-governador na chapa de Fernando Haddad (PT) ao governo paulista, e lançou Simone Tebet a uma das duas cadeiras do Senado em disputa no estado. O partido também ratificou o apoio à candidatura de Marina Silva (Rede) para a segunda vaga e anunciou 71 candidaturas a deputado federal e 86 a deputado estadual. O vice-presidente Geraldo Alckmin participou do ato, ao lado de parlamentares da legenda.
Com a decisão, fica praticamente fechada a chapa articulada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no maior colégio eleitoral do país, composta por quatro ex-ministros do atual governo federal. Falta apenas a convenção da Rede para confirmar formalmente Marina Silva. Do lado oposto, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) disputará a reeleição mantendo o vice Felício Ramuth (MDB) e é apontado como favorito na corrida estadual.
A cobertura de centro concentrou-se na mecânica do evento e no quadro eleitoral: quem foi oficializado, quantos candidatos a deputado o partido lançou, quem esteve presente e o peso atribuído por Haddad, Tebet e França à participação de Alckmin nas caravanas do interior paulista, região onde ele governou por doze anos. Essa cobertura também trouxe o cenário quantitativo mais recente, um levantamento do instituto Quaest divulgado em 29 de julho, com 1.650 entrevistados ouvidos entre os dias 23 e 27, margem de erro de dois pontos percentuais e registro na Justiça Eleitoral: Marina Silva aparece com 14% das intenções de voto para o Senado e Simone Tebet com 12%, seguidas por Pablo Marçal, com 9%, hoje inelegível e tentando reverter a condenação no Tribunal Superior Eleitoral.
Os três blocos de cobertura convergem nos fatos básicos, o que foi decidido na convenção, quem estava no palanque e a condição de favorito do governador, mas divergem no que escolheram destacar dos discursos. Veículos de esquerda deram espaço integral às acusações feitas do palanque: a afirmação de Haddad de que prefeitos são intimidados a aderir à Sabesp privatizada e de que repasses obrigatórios são celebrados pelo governo estadual como se fossem favores, o relato de Marina Silva de que gestores municipais pedem reuniões fechadas por temer retaliação, e a fala de Tebet sobre os 141 feminicídios registrados no primeiro semestre no estado, segundo a Secretaria de Segurança Pública, num período em que, conforme a candidata, o país reduz a violência contra a mulher. Essa cobertura também descreveu o tom performático da noite, com a evocação, entre brincadeiras, da cadeirada aplicada pelo apresentador José Luiz Datena, hoje candidato a deputado federal, em Pablo Marçal durante debate da campanha municipal de 2024.
Veículos de direita enfatizaram outra chave. Trataram o arranjo como chapa montada em Brasília e aplicada ao estado, ressaltando que os quatro nomes principais vêm do ministério do presidente. Deram peso ao contra-ataque sobre domicílio eleitoral, lembrando que tanto Tebet, de Mato Grosso do Sul, quanto Marina, do Acre, mudaram de estado para disputar, e registrando que a investigação sobre a mudança de domicílio do próprio governador para São José dos Campos foi arquivada após a apresentação de um contrato de aluguel. Essa cobertura também destacou a fragilidade do campo adversário, com a Rede vivendo disputa interna judicializada entre o grupo de Marina Silva e o de Heloísa Helena, e apresentou o campo governista estadual pela pauta positiva, com aliança estável com o PL e plano de governo em elaboração.
O ponto de atrito mais direto entre os dois lados é o das raízes paulistas. França questionou onde mora o governador, afirmando que ele reside em Brasília e classificando como afronta o chefe do Executivo estadual não ter residência em São Paulo. A fala responde a declarações anteriores do governador, que dissera que as candidatas ao Senado dos partidos adversários não começaram a fazer política em São Paulo.
Ainda não se sabe quando a Rede realizará a convenção que oficializa Marina Silva, nem qual será o desfecho da disputa interna que pode afetar sua candidatura. Também segue em aberto o quanto Alckmin conseguirá efetivamente percorrer o interior paulista, dado o calendário da vice-presidência, e qual será a decisão do Tribunal Superior Eleitoral sobre o recurso de Pablo Marçal.