Fernando Haddad contesta apuração de Tarcísio de Freitas sobre viatura da PM
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Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
3 fontes políticas
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O motorista da campanha de Fernando Haddad (PT) relatou ter sido seguido por uma viatura da Polícia Militar na noite de 11 de agosto de 2026, depois de deixar o candidato em casa na Zona Sul de São Paulo. O governador e candidato à reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou no dia 16 que a análise de mais de 70 câmeras e dos dados de GPS das viaturas não encontrou abordagem nem perseguição, e falou em possível falsa comunicação de crime. No dia 17, após o motorista depor à Polícia Civil, Haddad respondeu que a apuração pode ter examinado as câmeras erradas, porque as imagens divulgadas não mostram o que a viatura fez depois de passar pelo carro. O inquérito segue em andamento.
O governo de São Paulo respondeu à acusação com material objetivo: mais de 70 câmeras de monitoramento cruzadas com o GPS de cada viatura, cronologia minuto a minuto e um vídeo público que mostra a viatura passando pelo carro estacionado sem parar e sem que os policiais desçam.
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Todos os lados aceitam a mesma base material: o motorista da campanha de Fernando Haddad relatou ter sido seguido na noite de 11 de agosto, o governo de São Paulo analisou dezenas de câmeras e o GPS das viaturas, e o vídeo divulgado mostra uma viatura passando pelo carro estacionado às 22h24 sem que os policiais desçam. Também há acordo de que o inquérito da Polícia Civil ainda não terminou.
O relato de que o motorista da campanha de Fernando Haddad foi seguido por uma viatura da Polícia Militar em São Paulo virou disputa entre as duas principais candidaturas ao governo paulista. Tarcísio de Freitas afirma que mais de 70 câmeras e o GPS das viaturas descartam a perseguição; Haddad sustenta que as imagens analisadas não cobrem o ponto decisivo do trajeto.
O episódio que colocou frente a frente os dois principais candidatos ao governo de São Paulo começou na noite de 11 de agosto de 2026. Depois de deixar Fernando Haddad (PT) em casa, na Zona Sul da capital, o motorista da campanha do ex-ministro da Fazenda relatou ter sido seguido por uma viatura da Polícia Militar. Segundo a campanha, ele percorreu cerca de cinco quilômetros até parar em frente a um hotel, onde procurou abrigo justamente por haver câmeras de segurança no local. Haddad tornou o caso público no dia seguinte, afirmou que o profissional ficou assustado e disse que uma viatura chegou a jogar luz sobre o carro quando ele voltava para casa, por volta das 22h30.
No domingo, 16 de agosto, o governador e candidato à reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos) deu a resposta mais categórica do Estado até aqui. Em evento de campanha em Osasco, disse que a Polícia Militar analisou mais de 70 câmeras de monitoramento e cruzou as imagens com os dados de geolocalização das viaturas que circulavam pela região, sem encontrar abordagem ou perseguição. “A gente está apurando isso com a maior responsabilidade do mundo. Se houvesse algum desvio de conduta, a gente ia punir severamente”, afirmou, antes de concluir que o caso seria, no fim, uma falsa comunicação de crime.
Os elementos materiais são os mesmos em toda a cobertura, e é sobre eles que os lados divergem. A Polícia Militar do Estado de São Paulo informou em 13 de agosto que uma análise preliminar de 40 câmeras no trajeto indicado não apontou irregularidade. Um dia depois, a Secretaria da Segurança Pública divulgou um vídeo com a cronologia: o motorista estaciona às 21h58, uma viatura passa pelo local às 22h24 sem parar, e o carro deixa o endereço às 22h26. Segundo o órgão, os policiais não desceram nem interagiram com o motorista. O inquérito está com a Polícia Civil, que ouviu o motorista apenas em 17 de agosto, quase uma semana depois do ocorrido.
Veículos de direita enfatizaram a robustez numérica da apuração e a hipótese de falsa comunicação de crime, colocando no centro a responsabilidade de quem apresenta uma denúncia grave contra a corporação em plena campanha eleitoral. A cobertura de centro relatou as duas leituras do mesmo material: a versão oficial de que a viatura apenas cruzou o trajeto em patrulhamento e a da campanha do PT, que enxerga no vídeo a viatura desacelerando e inclinando para a direita, movimento que a equipe considera compatível com o relato. Nenhum veículo de esquerda do conjunto analisado publicou sobre o caso até o momento; a leitura provável desse campo, a partir dos mesmos fatos, seria a da assimetria de poder, já que quem pediu socorro ao Estado foi o último a ser ouvido e o governo que comanda a polícia investigada é também quem seleciona e divulga as imagens.
Essa inversão é justamente o argumento que Fernando Haddad passou a sustentar na segunda-feira, 17 de agosto. Para ele, o governo pode ter analisado as câmeras erradas. “As imagens que foram divulgadas não pegam o local do estacionamento. Ela passa pelo carro e corta no capô. O que aconteceu com a viatura depois que passou por ele, você não vê”, disse. O motorista, segundo o candidato, informou ao delegado que a viatura parou nas proximidades do hotel, o oposto do que o governo estadual afirmou. A campanha apresentou notícia de fato à Procuradoria Regional Eleitoral e diz estar levando à Polícia Civil a indicação de quais câmeras cobririam o ponto decisivo.
O que ainda não se sabe é o essencial. Não há registro público do teor do depoimento prestado pelo motorista, nem confirmação de quais câmeras a campanha considera as corretas e se elas existem e gravaram. Também não foi divulgado o cruzamento completo do GPS com o trajeto de cinco quilômetros descrito pela campanha, nem prazo para a conclusão do inquérito da Polícia Civil ou eventual desdobramento na esfera eleitoral. Enquanto a apuração não termina, as duas candidaturas seguem lendo o mesmo vídeo de maneiras incompatíveis.
Candidato do PT afirma que imagens divulgadas não mostram o que aconteceu com viatura após ela passar por carro de motorista. Governo de SP sustenta que análise de mais de 70 câmeras e dados de GPS não identificou perseguição ou abordagem.

O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou neste domingo (16) que as evidências

Governador de São Paulo disse que “tudo mostra que não foi absolutamente nada”; petista relatou ter sido perseguido por uma viatura. Leia no Poder360.
