O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou no domingo, 16 de agosto de 2026, que o episódio em que o motorista da campanha de Fernando Haddad (PT) diz ter sido seguido por uma viatura da Polícia Militar aponta para uma possível falsa comunicação de crime. A declaração foi dada durante evento de campanha em Osasco, na Grande São Paulo, e coloca frente a frente os dois principais nomes da disputa pelo governo paulista.
O caso começou na noite de 11 de agosto. Depois de deixar Fernando Haddad em casa, após uma aula magna na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, o motorista da campanha relatou ter sido acompanhado por uma viatura. Segundo o candidato do PT, que tornou o episódio público no dia seguinte, a viatura chegou a jogar luz sobre o carro por volta das 22h30 e o profissional ficou assustado. A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar o caso, e o motorista ainda será ouvido.
Os dois lados da cobertura convergem sobre o material reunido pelo governo estadual. No dia 13 de agosto, a Polícia Militar do Estado de São Paulo informou que uma análise preliminar de 40 câmeras no trajeto indicado pelo motorista não identificou indício de procedimento irregular nem interação dos policiais com a equipe do candidato. No dia 14, a Secretaria da Segurança Pública divulgou um vídeo: o carro estaciona em frente a um hotel na Vila Mariana às 21h58, uma viatura passa pelo local às 22h24 sem parar, e o veículo deixa o endereço às 22h26. Na fala de domingo, o governador afirmou que mais de 70 câmeras já haviam sido analisadas e que o itinerário de cada viatura foi monitorado por GPS.
A divergência aparece na leitura desse mesmo material. Veículos de direita enfatizaram a resposta rápida e verificável do governo estadual, destacando a promessa de punição severa em caso de desvio de conduta e tratando a hipótese de falsa comunicação de crime como a conclusão que as evidências sustentam. A cobertura de centro relatou a cronologia minuto a minuto das imagens, registrou a fala do governador com atribuição direta e, na sequência, expôs o contraponto sem arbitrar entre as versões. Veículos de esquerda não integram o conjunto de cobertura reunido até aqui sobre esta declaração, e o contraponto vem da própria campanha de Fernando Haddad, que mantém o relato de perseguição: para a assessoria, o vídeo oficial mostra a viatura desacelerando e inclinando-se para a direita, movimento compatível com a versão de que os policiais acompanharam o carro até o hotel.
O pano de fundo institucional é parte da controvérsia. A estrutura que analisou as imagens e o GPS é subordinada ao governo estadual, comandado pelo adversário direto de quem fez a denúncia, o que alimenta a cobrança por uma apuração que não dependa apenas da própria corporação. Do outro lado, a leitura é de que uma acusação grave lançada em plena campanha, sem confirmação, desgasta a instituição policial inteira e precisa ter consequência para quem a formulou.
O que ainda não se sabe é o essencial. O motorista, testemunha central, não depôs, e o inquérito da Polícia Civil segue em andamento. Não foi divulgada explicação para a diferença entre as 40 câmeras citadas na primeira nota e o número superior a 70 mencionado depois pelo governador, nem o conjunto bruto das imagens e dos registros de GPS foi tornado público. As gravações já divulgadas não mostram abordagem, mas também não permitem, por si sós, descartar que uma viatura tenha acompanhado o trajeto antes do momento filmado. Eventual responsabilização, de policiais ou de quem apresentou o relato, dependerá da conclusão das autoridades.