Uma sequência de pesquisas eleitorais divulgadas entre o fim de julho e o começo de agosto de 2026 desenhou o primeiro retrato consolidado das disputas estaduais deste ano, e o dado que organizou a cobertura veio de São Paulo. O governador Tarcísio de Freitas, que busca a reeleição pelo Republicanos, aparece à frente do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad tanto no primeiro quanto no segundo turno, em levantamentos de dois institutos diferentes, ambos registrados no Tribunal Superior Eleitoral.
Os números, porém, não coincidem. O instituto contratado por um banco de investimentos ouviu 1.650 eleitores paulistas entre 23 e 27 de julho e mediu 41% para o governador contra 26% para o adversário no cenário estimulado de primeiro turno, com 48% a 32% no confronto direto. O outro instituto, que afirma ter usado recursos próprios, entrevistou 1.680 eleitores entre 25 e 28 de julho e apontou 48,5% a 35,1% no primeiro turno e 51,8% a 38,3% no segundo. As margens de erro são de dois e de 2,4 pontos percentuais, o que não explica a distância entre as duas medições. Nos dois casos, contudo, a soma dos votos do governador supera a de todos os concorrentes juntos, cenário que indicaria decisão em turno único.
Há convergência sobre outros indicadores. A gestão estadual é aprovada por 55% em uma medição e por 63,8% na outra. A rejeição ao ex-ministro é maior que a do governador em ambas: 42,9% contra 27,1% em um levantamento, 58% contra 37% no outro. E um dado atravessa todos eles: no voto espontâneo, sem lista de nomes, 74% dos paulistas se declararam indecisos.
O mesmo pacote de pesquisas cobriu outros estados. No Rio de Janeiro, o ex-prefeito Eduardo Paes lidera todos os cenários testados, com 38% a 42% no primeiro turno e até 52% no segundo. Em Minas Gerais, o senador Cleitinho Azevedo vence todos os adversários simulados. No Paraná, o senador Sergio Moro lidera com 39% a 40%, enquanto a gestão estadual em curso registra 81% de aprovação. Em Goiás, o governador Daniel Vilela marca 37% e chega a 52% no segundo turno. No Ceará, o ex-governador Ciro Gomes tem 43% contra 33% do governador petista. Em Mato Grosso do Sul, o governador Eduardo Riedel aparece com 46,2%. No plano nacional, um levantamento com 2.700 entrevistados mostrou o presidente Lula com 43% no primeiro turno e vitória em todos os confrontos diretos, com o duelo mais apertado contra Ronaldo Caiado, 45% a 40%.
A cobertura de centro concentrou-se na metodologia e no equilíbrio dos indicadores: publicou percentuais nome a nome, registrou amostra, período de campo, custo e protocolo no TSE, e trouxe no mesmo texto o dado favorável e o desfavorável a cada ator, como a liderança do presidente ao lado dos 51% de desaprovação de seu governo. Veículos de direita enfatizaram a folga do governador paulista, a aprovação das gestões estaduais e o fato de que a soma dos candidatos de oposição já supera o petista no primeiro turno nacional; foram também os que avançaram no conteúdo programático, detalhando os eixos do plano de governo paulista, com desestatização, escolas cívico-militares e inteligência policial no combate ao crime organizado. Veículos de esquerda praticamente não cobriram esse bloco de pesquisas, e essa ausência é o ponto cego da story: as ressalvas que costumam vir desse campo, sobre o financiamento privado dos levantamentos e sobre o peso do reconhecimento de nome a meses da campanha oficial, não tiveram eco na cobertura disponível.
O calendário partidário começou a converter números em candidaturas. No dia 1º de agosto, o Republicanos oficializou a reeleição do governador paulista em convenção na capital, com a presença do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro e ausência do presidente nacional de um partido aliado, que justificou a decisão como forma de evitar constrangimentos. No mesmo dia, o PL confirmou Sergio Moro na disputa pelo governo do Paraná.
O que ainda não se sabe é por que institutos que mediram o mesmo eleitorado na mesma semana chegaram a resultados tão distintos, nem como os 74% de indecisos no voto espontâneo se comportarão quando a propaganda eleitoral começar. Também segue em aberto a composição final de várias chapas, com convenções ainda marcadas para os primeiros dias de agosto, e o prazo de registro das candidaturas na Justiça Eleitoral só se encerra em 15 de agosto.