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O Tribunal de Contas da União enviou ao Congresso um projeto de lei que reajusta em cerca de 35% a 40% as gratificações pagas a servidores em funções de confiança e cargos de chefia da própria corte, com impacto anual estimado em R$ 27,7 milhões a partir de 2027. A proposta foi encaminhada no mesmo dia em que o plenário decidiu, por oito votos a um, que essas gratificações passam a ser calculadas separadamente do salário do cargo efetivo para efeito do teto constitucional, o que permite que a remuneração final ultrapasse o limite.
O Tribunal de Contas da União encaminhou ao Congresso Nacional um projeto de lei que reajusta em cerca de 35% a 40% as gratificações pagas a servidores em funções de confiança e cargos de chefia da própria corte. A proposta é assinada pelo presidente do tribunal, ministro Vital do Rêgo, e prevê impacto anual estimado em R$ 27,7 milhões a partir de 2027. O reajuste alcança as 913 funções de confiança da estrutura do órgão: a maior gratificação, a FC-8, subiria de R$ 8.987 para R$ 12.133, e a menor, a FC-1, passaria de R$ 1.554 para R$ 2.176. A faixa mais numerosa, a FC-3, com 313 postos, iria de R$ 3.930,84 para R$ 5.503,18.
O projeto foi enviado no mesmo dia em que o plenário do tribunal, em 15 de julho, decidiu por oito votos a um que a gratificação paga pelo exercício de cargos de direção e chefia deve ser submetida ao teto constitucional separadamente do salário do cargo efetivo. Na prática, a parcela deixa de ser absorvida pelo chamado abate-teto, e a remuneração final pode superar o limite constitucional. A decisão vale para servidores da Câmara dos Deputados, do Senado Federal e do próprio tribunal, e foi tomada no julgamento de uma representação apresentada pelo sindicato que reúne servidores do Legislativo federal e da corte de contas. O relator, ministro Walton Alencar Rodrigues, votou contra sequer analisar o pedido, por entender que entidades sindicais não podem representar ao tribunal, mas foi vencido pelos demais ministros.
Na exposição de motivos, o tribunal sustenta que os valores estão defasados em relação aos pagos pela Câmara, pelo Senado e pelo Executivo, e que a atualização é necessária para tornar os cargos de chefia mais atrativos e reter servidores qualificados diante de atribuições como fiscalização de grandes contratos, governança e segurança da informação. O texto afirma ainda que não há criação de cargos e que a despesa cabe no orçamento da corte. O documento cita o veto parcial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a um projeto anterior, que impediu a atualização escalonada dessas gratificações. Procurada, a assessoria do tribunal não fez comentários adicionais.
Veículos de esquerda destacaram o caráter de privilégio da medida, a sequência entre liberar remuneração acima do teto e, no mesmo dia, propor aumento das verbas extras, e o relato de que a decisão foi antecedida de pressão de lideranças do Congresso, entre elas o presidente do Senado, sobre ministros da corte. A cobertura de centro relatou os números, a tramitação e a justificativa institucional, e acrescentou que a decisão contrariou parecer da área técnica do próprio tribunal, que ministros do Supremo Tribunal Federal a leram como retrocesso diante da reorganização recente das verbas da magistratura e do Ministério Público, e que a diretora-geral do Senado já mandou aplicar o acórdão na folha de julho, com pagamento suplementar. Veículos de direita, cuja cobertura própria do caso ainda é escassa, tendem a enfatizar o custo permanente para o contribuinte e a contradição de o órgão encarregado de fiscalizar o gasto público decidir sobre a própria remuneração.
Ainda não se sabe qual será o custo total da decisão que retirou as gratificações do abate-teto, já que nenhum dos textos apresenta estimativa desse impacto, separada dos R$ 27,7 milhões anuais previstos no projeto. Também não há definição sobre quando o Congresso analisará a proposta, qual será a posição do governo diante de um novo texto depois do veto anterior, nem se a decisão do tribunal será questionada no Supremo.
Toda a cobertura converge nos mesmos números e na mesma sequência de fatos: reajuste de 35% a 40% nas gratificações, 913 funções de confiança alcançadas, impacto de R$ 27,7 milhões por ano a partir de 2027 e envio do projeto no mesmo dia da decisão que afastou o abate-teto. Também há convergência de que a proposta é assinada pelo presidente da corte e de que o argumento oficial é a defasagem em relação a Câmara, Senado e Executivo.
4 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Classificada como centro, embora o veículo tenha viés editorial esquerda.
O corpo é reportagem de agência, factual e ancorada em documentos ('texto obtido', 'despacho obtido') e em valores por faixa de função. O vocabulário 'penduricalho' e 'superpenduricalho' é aspeado ou atribuído a fonte anônima da própria corte, não ao redator. O enquadramento crítico existe na sequência dos fatos (liberar acima do teto e, no mesmo dia, propor aumento), mas é factual e não valorativo, o que sustenta CENTER apesar do perfil do veículo.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
Cobertura institucional e sóbria: descreve o projeto, o placar de oito a um, o voto do relator, a divergência aberta pelo presidente da corte e o argumento de defasagem remuneratória. Usa 'gratificações' e 'funções de confiança' em vez do termo popular no título. Sem vocabulário valorativo, o que caracteriza CENTER, ainda que a supressão dos bastidores torne o texto mais benigno ao tribunal.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.

Texto prevê aumento de até 40% nos valores pagos a funções de confiança e cargos de chefia do próprio tribunal

(Folhapress) - No mesmo dia em que liberou remunerações acima do teto constitucional a servidores da Câmara, do Senado e do próprio tribunal que ocupam cargos


Projeto prevê reajuste de até 35% nas gratificações de chefia e impacto anual de R$ 27,7 milhões; maior bônus chega a R$ 12,13 mil
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Texto de agência reproduzido sem edição editorial: descreve a decisão, os valores, a justificativa do tribunal e o contexto do veto presidencial sem adjetivação própria. Atribuições estão marcadas ('para um integrante da corte', 'nos bastidores'), o que caracteriza cobertura factual de centro.
Perspectivas omitidas
Apuração própria com documentos ('texto obtido', 'despacho obtido') e atribuição explícita de cada informação sensível. O tom é de fiscalização de gasto público, mas as avaliações negativas são atribuídas a terceiros (integrante anônimo da corte, ministros do Supremo), e a defesa do tribunal é reproduzida em trechos literais e extensos. Enquadramento factual de centro.
Perspectivas omitidas


