O presidente Luiz Inácio Lula da Silva entregou, na terça-feira, 23 de junho de 2026, um acelerador linear de radioterapia ao Hospital Santa Marcelina, na Zona Leste de São Paulo. No mesmo dia, equipamentos semelhantes foram instalados em Fortaleza, no Ceará, e em Sinop, no Mato Grosso. O conjunto de ações, segundo o governo federal, soma R$ 166,7 milhões em investimentos por meio dos programas Agora Tem Especialistas e Novo PAC Saúde, voltados à ampliação do tratamento de câncer no Sistema Único de Saúde.
Na cerimônia, Lula relacionou a entrega à própria experiência recente com a doença. O presidente concluiu há pouco um tratamento preventivo com 15 sessões de radioterapia, após a retirada de uma lesão cancerígena no couro cabeludo. Ao discursar, afirmou que, independentemente do lugar onde a pessoa mora, da cor, da religião ou do partido, todos têm direito a um tratamento igual, justo e de boa qualidade. O vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também participaram do evento.
A cobertura de centro, representada pelo comunicado oficial do Palácio do Planalto, detalhou os números do anúncio. O novo equipamento de São Paulo custou R$ 7,3 milhões e tem capacidade para até mil tratamentos por ano. Em Sinop, o acelerador foi viabilizado com R$ 17,5 milhões, e em Fortaleza, com R$ 7 milhões. O pacote inclui ainda a compra de 20 aparelhos de ressonância magnética para todas as regiões do país. O ministro Padilha afirmou que, com as entregas, todos os estados brasileiros passam a contar com um centro de radioterapia, e que o país comprou 105 aparelhos em três anos. Lula anunciou que, até o fim do ano, 150 carretas do programa Agora Tem Especialistas vão circular pelo Brasil para levar exames à periferia.
Veículos de esquerda destacaram o caráter de direito universal da medida. Para essa cobertura, a chegada de tecnologia de ponta a regiões antes desassistidas concretiza o papel do Estado na redução das desigualdades de acesso à saúde. A ênfase recaiu sobre a descentralização, que diminui deslocamentos de até 1.800 quilômetros de pacientes do interior do Mato Grosso, e sobre a fala do presidente vinculando o SUS ao princípio de tratamento igualitário. Essa cobertura também registrou que parte do público vaiou quando uma representante da instituição mencionou a gestão do governador Tarcísio de Freitas, episódio que o release oficial não citou.
Veículos de direita tenderiam a olhar o anúncio com outra lente, cobrando transparência e resultados concretos para o gasto público de R$ 166,7 milhões e lendo a cerimônia, em ano pré-eleitoral, como vitrine política do Executivo. Sob essa ótica, o uso da própria saúde do presidente e a vaia à gestão estadual reforçam o tom de palanque, e a execução ainda fica aquém do prometido: dos 70 aceleradores previstos até 2026, apenas 44 foram inaugurados. A parceria com o Hospital Santa Marcelina, instituição filantrópica, seria lida como evidência de que o terceiro setor amplia a capacidade do sistema.
Na prática, o hospital paulista projeta passar de cerca de 1.600 para 2.160 pacientes por ano em radioterapia, crescimento superior a 30%, e prevê reduzir o tempo médio de espera de até 45 dias para algo entre sete e dez dias. No Ceará, o Instituto do Câncer atende uma demanda que cresceu 23,6% em um ano.
O que ainda não se sabe é se as metas de prazo de espera e de entrega de equipamentos se confirmarão no ritmo prometido, qual o cronograma exato das 150 carretas e dos aparelhos restantes, e como o impacto na fila por radioterapia será medido ao longo do tempo.