A Transparência Internacional-Brasil publicou nesta quinta-feira um documento com 40 recomendações de combate à corrupção dirigidas a candidatos aos governos estaduais. Segundo a organização, o tema costuma aparecer nas campanhas, mas o debate se limita, na maioria das vezes, a trocas de acusações. Os pesquisadores avaliam que é fundamental que o processo eleitoral assuma um caráter mais propositivo e traga medidas concretas no campo da integridade pública.
O relatório aponta que lacunas no combate à corrupção abrem espaço para práticas que distorcem decisões, favorecem interesses privados e desviam recursos públicos, comprometendo os serviços oferecidos à população. As recomendações foram organizadas em sete eixos, que vão da transparência e do acesso à informação ao combate ao crime organizado, passando por mecanismos anticorrupção, fortalecimento dos órgãos de controle interno, participação e controle social, gestão de emendas parlamentares e obras públicas, e políticas ambientais e climáticas. O documento tem como base o Índice de Transparência e Governança Pública e busca orientar equipes de transição e novos governos na definição de prioridades para os mandatos de 2027 a 2030.
Como a story foi coberta até o momento por um único veículo, de enquadramento de centro, o relato é predominantemente factual: enumera os eixos, cita o gerente de programas da organização e lista as instituições consultadas, entre elas a OCDE, a ATRICON, o CONACI, a Controladoria-Geral da União e o Tribunal de Contas da União. A cobertura de centro registra a fala de que não basta aos candidatos reafirmar o compromisso genérico de combater a corrupção; seria preciso assumir compromissos concretos com a transparência e a integridade.
Embora ainda sem cobertura contrastante, o próprio documento oferece ganchos para leituras distintas. De um lado, ganham relevo a participação e o controle social, a criação de conselhos estaduais, a proteção a denunciantes, a inclusão de grupos vulnerabilizados e a defesa de quem atua na proteção ambiental, ângulos usualmente enfatizados por veículos de esquerda como reforço do Estado garantidor. De outro, sobressaem a cobrança de accountability institucional, o fortalecimento dos órgãos de controle interno, os critérios de integridade para nomeações e a transparência de emendas parlamentares e obras públicas como controle do gasto, ângulos costumeiramente destacados por veículos de direita.
O que ainda não se sabe é como os candidatos e os atuais governos estaduais responderão às recomendações, se algum se comprometerá formalmente com as medidas e qual será o alcance prático do documento na definição dos planos de governo. Também não há, no material divulgado, detalhamento sobre a metodologia do índice que embasou as propostas.