Donald Trump se recusa a comentar carta de Flávio Bolsonaro e vitória de Lula
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Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Briefing
O que importa para você
- Donald Trump não disse se reconhece a vitória de Lula, mas afirmou que vai conversar com ele.
- Flávio Bolsonaro deixou o Brasil apesar de ordem judicial que o proibia de sair do país, ligada a investigação por lavagem de dinheiro.
- O senador entrou nos Estados Unidos com autorização normalmente concedida a imigrantes por razões humanitárias.
Onde os lados concordam
A cobertura de centro e a de esquerda concordam que Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos depois da derrota, que trocou a carta em que se dizia presidente eleito por outra em que se apresenta como líder do Brasil, e que Donald Trump evitou tomar posição sobre o resultado da eleição.
O que ainda está incerto
- Até o início da tarde de 29 de outubro, quando saíram as matérias analisadas, o governo americano não havia confirmado ter pedido a mudança na carta.
- Não se sabia quando Trump e Lula conversariam nem se haveria reconhecimento formal do resultado.
- Não estava claro que medida a Justiça brasileira tomaria diante da saída do senador.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que autorizou a entrada de Flávio Bolsonaro no país, mas que não vai se envolver na carta em que o senador se declarou presidente eleito do Brasil. Em nova fala, disse que vai conversar com Lula, sem dizer se reconhece a vitória dele.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se recusou a dizer quem venceu legitimamente a eleição presidencial brasileira e afirmou que não vai se envolver no caso do senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL). Flávio, derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno, chegou aos Estados Unidos na quarta-feira, 28 de outubro, depois de deixar o Brasil pela Argentina durante a madrugada.
Já em território americano, o senador divulgou nas redes uma carta em que se declarava presidente eleito do Brasil e agradecia a Trump e ao povo americano pela acolhida. Minutos depois, apagou o texto e publicou outra versão, na qual passou a se apresentar como líder do Brasil. Questionado por jornalistas, Trump disse que os Estados Unidos deram a Flávio autorização para entrar no país, mas que não iria comentar a carta nem se envolver, e classificou a eleição como muito estranha. No dia seguinte, quinta-feira, 29, voltou ao tema, chamou o processo eleitoral de vergonha e disse que não tomou partido a pedido de Lula.
Os dois lados que cobriram o caso convergem nos fatos centrais: a fuga do senador após a derrota, a troca de versões da carta e a recusa de Trump em tomar posição sobre o resultado. A cobertura de centro relatou que o documento de imigração de Flávio registra uma autorização normalmente concedida a imigrantes por razões humanitárias, que Trump disse que a família Bolsonaro foi tratada de forma injusta no Brasil e que negou ter falado com o senador depois da eleição. O mesmo texto registrou críticas de parlamentares do Partido Democrata, que compararam a acolhida ao endurecimento da política americana contra refugiados e imigrantes.
Veículos de esquerda destacaram a segunda declaração de Trump, em que ele disse que vai conversar com Lula, sem informar se reconhece a vitória do presidente reeleito. O texto lembrou que Flávio saiu do país apesar de uma ordem judicial que o proibia de deixar o Brasil, ligada a uma investigação por lavagem de dinheiro, e que Lula venceu por quatro milhões de votos depois de uma virada no segundo turno. A matéria também chamou o senador de foragido e afirmou que Trump comentou a queda dos mercados sem entender como eles funcionam no Brasil. Por fim, reproduziu a apuração de um colunista segundo a qual foi o Departamento de Estado americano que pediu a troca de verdadeiro presidente por líder do Brasil na carta, para evitar o rompimento de relações. Aliados do senador atribuíram as alterações ao uso de inteligência artificial.
Nenhum veículo de direita cobriu o caso no conjunto analisado. Entre os textos disponíveis, a diferença está no recorte: a cobertura de centro concentrou-se na primeira fala de Trump e na reação do Congresso americano, enquanto a de esquerda trouxe a ordem judicial, o placar da eleição e a versão sobre a interferência do Departamento de Estado.
Fontes
Trump diz que não tomou partido nas eleições no Brasil a pedido de Lula e também afirmou que falará com Lula

