Trump evita apoiar Flávio Bolsonaro, que contesta derrota desde os Estados Unidos
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Pela leitura de veículos de esquerda, Flávio Bolsonaro rompeu a própria promessa de entregar o passaporte e não deixar o país, e saiu do Brasil sem passar por posto regular de imigração, numa operação que aliados atribuem ao secretário de Estado americano Marco Rubio. O episódio é tratado como afronta à Justiça e às instituições, e partidos de esquerda pediram prisão preventiva e investigação por abandono de cargo.
Derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno, com 48,21% dos votos válidos contra 51,79%, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, mandar apreender seu passaporte, e passou a contestar o resultado a partir dos Estados Unidos.
Numa leitura voltada ao controle institucional e à soberania, o ponto central é que a contestação de Flávio Bolsonaro não ganhou respaldo formal de Washington: Donald Trump disse que não vai se envolver, ainda que tenha levantado dúvidas sobre o pleito.
3 fontes políticas
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O senador Flávio Bolsonaro, derrotado por Lula no segundo turno, saiu do Brasil depois que Alexandre de Moraes mandou apreender seu passaporte. Dos Estados Unidos, divulgou carta se dizendo presidente eleito e recuou minutos depois. Donald Trump chamou a eleição de estranha, mas disse que não vai se envolver.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que não vai se envolver na disputa aberta pelo senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, que contesta a derrota na eleição presidencial a partir do território americano. Questionado sobre a carta em que Flávio se apresentou como presidente eleito do Brasil, Trump afirmou que não faria comentários, mas acrescentou que foi uma eleição muito estranha. Nenhuma prova de fraude foi apresentada.
O arco começa logo após o segundo turno. Pelos números oficiais do Tribunal Superior Eleitoral, Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, teve 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio. Na segunda-feira, 26 de outubro, Trump disse a jornalistas que a eleição pareceu fraudada e que o resultado parecia terrível, mas também que gosta de Lula e se dá bem com ele. No mesmo dia, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, mandou apreender o passaporte de Flávio. A decisão veio depois de o irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, defender em entrevista que o senador deixasse o país caso perdesse.
No dia seguinte, o advogado mexicano Simón Levy, que se apresenta como ligado ao movimento de Trump, anunciou que Flávio havia chegado em segurança aos Estados Unidos e atribuiu a operação ao secretário de Estado americano, Marco Rubio. Nem o governo dos Estados Unidos, nem o Itamaraty, nem a Polícia Federal confirmaram a saída. A Polícia Federal cancelou os passaportes do senador. Na quarta-feira, 28 de outubro, Flávio divulgou a carta e, minutos depois, trocou a expressão presidente eleito por líder do Brasil, mantendo a promessa de liderar a oposição do exterior.
A cobertura de centro deu peso ao contexto diplomático. Relatou que Trump, ao contrário do que fez em eleições na Colômbia e em Honduras, não declarou apoio público a Flávio, e lembrou a sequência de tarifaços, as sanções a ministros do Supremo e a reaproximação posterior entre os dois governos. Também registrou que Lula e Trump têm encontro previsto na cúpula do G20 em Miami, em 14 e 15 de dezembro.
Veículos de esquerda destacaram a contradição do senador, que havia prometido entregar o passaporte e não deixar o país. Enfatizaram que a Polícia Federal não registrou a passagem dele por um posto regular de imigração, que deputados do PT pediram sua prisão preventiva e a inclusão do nome no alerta vermelho da Interpol, e que o PSOL pediu ao Senado apuração de abandono de cargo. Esse enquadramento chegou a apresentar o apoio do governo Trump como dado, embora o próprio texto ressalvasse que ele não foi confirmado.
Entre veículos de direita, não houve cobertura com enquadramento ideológico próprio. O texto de linha editorial de direita que tratou do caso adotou tom factual, concentrado na recusa de Trump em se envolver e no recuo de Flávio, e registrou que as alegações de fraude seguem sem provas.
Ainda não se sabe por onde e como Flávio deixou o Brasil, se o governo americano teve participação formal na saída e se o pedido de asilo político mencionado por aliados será feito e aceito. Também não está claro se Washington dará qualquer apoio ao pedido de cassação da chapa de Lula na Justiça Eleitoral.
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