O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu ao Congresso americano nesta quarta-feira cerca de US$ 88 bilhões em recursos adicionais, em grande parte para cobrir as despesas da guerra contra o Irã. O total solicitado pela Casa Branca é de US$ 87,6 bilhões, com a maior fatia destinada ao Pentágono. Parte do montante também irá para agricultores americanos, para a emergência do ebola na África central e para projetos de infraestrutura nos Estados Unidos.
O pedido chega num momento de tensão dentro do próprio Congresso. Na terça-feira, o Senado aprovou, por 50 votos a 48, uma resolução conjunta exigindo que Trump suspenda a guerra no Irã ou busque a aprovação do Legislativo antes de prosseguir com a ação militar. A mesma medida já havia passado pela Câmara dos Representantes no início do mês, por 215 votos a 208, com quatro republicanos somando-se a todos os democratas.
A cobertura de centro, feita pela BBC, foi a que melhor detalhou o caráter da votação. A resolução é em grande parte simbólica: mesmo aprovada pelas duas casas, ela não tem força de lei e não será encaminhada a Trump. É, porém, a primeira vez desde a Lei de Poderes de Guerra de 1973 que ambas as casas aprovam uma resolução conjunta instruindo um presidente a encerrar uma ação militar. Quatro senadores republicanos votaram com os democratas: Rand Paul, Lisa Murkowski, Susan Collins e Bill Cassidy. O democrata John Fetterman foi o único de seu partido a votar contra. A analista de Oriente Médio Laura Blumenfeld afirmou à BBC que se trata de uma reprimenda simbólica, sem força legal, mas que reflete o sentimento do povo americano.
Os três lados convergem nos fatos centrais: há um pedido bilionário de financiamento, há custo elevado da guerra e há mal-estar bipartidário. A divergência aparece no enquadramento. Veículos de esquerda, como a CartaCapital, destacaram o crescimento do mal-estar de democratas e republicanos com o conflito e enfatizaram o tamanho do gasto militar canalizado ao Pentágono, contrastando-o com demandas sociais e humanitárias. Veículos de direita, como o R7, enfatizaram a dimensão operacional e orçamentária: o secretário de Defesa, Pete Hegseth, articula o pedido com parlamentares para garantir recursos às operações, e o custo de US$ 29 bilhões até maio é apresentado como dado de gestão, sem contraponto crítico. A cobertura de centro relatou os dois movimentos com paridade, sem juízo de valor.
A Casa Branca sustenta que, com o cessar-fogo acordado em 7 de abril, não há hostilidades das quais retirar as forças americanas. Trump reagiu à resolução do Senado chamando-a de inoportuna e sem sentido, e prometeu concluir o trabalho de uma forma ou de outra. A divisão entre republicanos aliados do presidente surge como sinal relevante às vésperas das eleições de meio de mandato, em novembro, que definirão o controle das duas casas.
O que ainda não se sabe é se o Congresso aprovará o pacote de US$ 88 bilhões integralmente, como a oposição interna entre republicanos evoluirá até as eleições de meio de mandato, e se o cessar-fogo de abril se sustentará. Também permanece incerto o cronograma de tramitação do pedido orçamentário e o desfecho das negociações de paz mencionadas pela Casa Branca.