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O brasilianista Anthony W. Pereira, professor de ciência política da Universidade Tulane, avaliou em entrevista à Folha que Donald Trump pode interferir na eleição presidencial brasileira de 2026 para favorecer o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e alimentar um cenário de caos caso o resultado seja contestado. Para o pesquisador, o pleito gira em torno do risco de retrocesso democrático, sobretudo se Lula for derrotado e avançar uma anistia aos envolvidos no 8 de Janeiro. Ele pondera que Flávio pode parecer mais moderado que o pai, mas que a hierarquia da família Bolsonaro segue forte, e projeta que uma derrota apertada não aceita pelo senador, somada a pressão do governo Trump, poderia gerar crise institucional.
O cientista político norte-americano Anthony W. Pereira, professor da Universidade Tulane e estudioso de autoritarismo, voltou ao Brasil para um evento do Cebrap sobre crises democráticas e concedeu entrevista à Folha de S.Paulo em que traça um alerta para 2026. Para ele, a eleição presidencial deste ano gira em torno de um risco central: um retrocesso na responsabilização caso o presidente Lula seja derrotado e avance uma anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de Janeiro e na tentativa de golpe. Pereira sustenta que Donald Trump pode interferir diretamente no pleito brasileiro para favorecer o senador Flávio Bolsonaro e, em caso de derrota apertada não reconhecida, ajudar a criar um ambiente de caos.
A cobertura de centro, encabeçada pela própria Folha e reproduzida pela Notícias ao Minuto via Folhapress, apresentou a entrevista em formato de perguntas e respostas, preservando as ponderações do pesquisador. Ele lembra que Flávio já foi aos Estados Unidos ao menos seis vezes no ano e avalia que um eventual governo do senador poderia ser movido por vingança, numa 'caça às bruxas' a servidores, nos moldes do segundo mandato de Trump. O pesquisador também relativiza: diz que Trump tem pouca capacidade de concentração e a própria eleição de meio de mandato para administrar, e reconhece que houve decisões judiciais 'questionáveis' no Brasil, ainda que defenda a vigilância dos juízes sobre discurso violento.
Veículos de esquerda, como o Diário do Centro do Mundo, destacaram o ângulo do risco democrático: enfatizaram a ameaça de golpe, a defesa da responsabilização pelo 8 de Janeiro e a leitura de que a aproximação de Flávio com Trump o associa a posições contrárias à soberania brasileira, incluindo tarifas e interesses dos EUA em minérios críticos, big techs, bancos e no Pix. Nessa cobertura, o pedido de Flávio por 'pressão diplomática' e por votos 'contados corretamente' é tratado como continuidade da narrativa de fraude de 2022 e espelho do discurso de Trump sobre 2020.
A mesma entrevista permite uma leitura à direita que não teve, até o momento, repercussão em veículos de direita no cluster: nela, o diagnóstico apareceria como especulação de um analista alinhado à esquerda, sem provas de que Trump agirá ou de que Flávio rejeitaria o resultado, e a admissão do próprio pesquisador sobre decisões judiciais questionáveis reforçaria a preocupação com censura e excesso do STF. Pereira compara o quadro brasileiro à eleição de 2022, quando o juiz Edson Fachin foi a Washington explicar as urnas eletrônicas e o Departamento de Estado de Joe Biden declarou confiança no voto eletrônico, sinalização que ele duvida que se repita sob Trump.
O que ainda não se sabe é o essencial: se Flávio Bolsonaro será de fato candidato, se Trump terá interesse e capacidade de interferir, e como se comportariam as instituições brasileiras diante de uma eventual contestação. Todo o cenário descrito é prospectivo e parte de uma única fonte, sem manifestação do PL ou do senador citado.
As coberturas de esquerda e de centro convergem no relato factual da entrevista: o brasilianista Anthony W. Pereira, em evento do Cebrap, afirmou à Folha que Trump pode interferir na eleição de 2026 para favorecer Flávio Bolsonaro e que uma derrota contestada poderia gerar crise institucional.
3 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
O DCM reproduz a entrevista da Folha selecionando o ângulo de risco democrático e retrocesso: enfatiza golpe, 8 de Janeiro, responsabilização e ameaça à soberania. O vocabulário e a seleção de trechos reforçam a leitura de esquerda sobre a ameaça bolsonarista, ainda que a base factual seja a fala do pesquisador.
Perspectivas omitidas
Falácias identificadas
Veículos com viés ao centro
Reprodução via Folhapress da entrevista completa, em formato Q&A, com as perguntas preservadas e as ressalvas do próprio entrevistado (Trump ter pouca capacidade de concentração, decisões judiciais questionáveis). O tom é factual e distanciado, sem vocabulário valorativo do veículo — CENTER.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.

Anthony Pereira vê risco de interferência de Trump em 2026 e alerta para anistia, contestação das urnas e pressão sobre o STF.


Para Anthony W. Pereira, eventual governo do filho de Bolsonaro seria motivado por vingança e envolveria
Reporte para que a equipe revise. Sua contribuição ajuda a melhorar a cobertura.
Entrevista original em Q&A na editoria Poder da Folha. O texto preserva as ponderações do entrevistado, inclusive reconhecimento de decisões judiciais 'questionáveis' e do limite entre liberdade de expressão e doxing. Apuração factual e neutra do veículo — CENTER.
Perspectivas omitidas


