Abelardo de la Espriella, candidato de direita pelo Defensores de la Patria, venceu a contagem preliminar do segundo turno da eleição presidencial da Colômbia, realizada no domingo, 21 de junho de 2026. Segundo a pré-contagem das autoridades eleitorais colombianas, ele obteve 49,66% dos votos contra 48,70% do senador esquerdista Iván Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro. A diferença ficou abaixo de 250 mil votos, num pleito marcado pela forte polarização entre direita e esquerda.
O resultado preliminar repercutiu imediatamente fora da Colômbia. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, telefonou a De la Espriella para parabenizá-lo e, em sua rede social, classificou o resultado como uma 'grande vitória'. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, também reconheceu o candidato e afirmou que Washington pretende trabalhar com o novo governo. A cobertura de centro relatou que líderes da direita latino-americana, como o argentino Javier Milei, o equatoriano Daniel Noboa e o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe, além da venezuelana Maria Corina Machado e da italiana Giorgia Meloni, saudaram a vitória. No Brasil, o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, publicou um vídeo chamando o resultado de 'vitória do bem sobre o mal'.
Todos os veículos convergem em pontos centrais. A pré-contagem indica apenas a tendência do resultado e não substitui o escrutínio oficial, conduzido por comissões formadas por juízes e funcionários eleitorais a partir de segunda-feira, 22 de junho. De la Espriella, advogado de 47 anos conhecido como 'El Tigre', nunca havia disputado um cargo eletivo e construiu a campanha com referências a Trump, Milei e Nayib Bukele. Entre suas propostas estão reduzir o tamanho do Estado em até 25%, cortar tributos, combater o narcotráfico e desmantelar grupos armados. O presidente Gustavo Petro, primeiro chefe de Estado de esquerda da história colombiana, contestou a pré-contagem e disse que só reconhecerá o vencedor após o escrutínio.
É na leitura desse impasse que a cobertura diverge. Veículos de direita enfatizaram que os colombianos escolheram a liberdade econômica e a segurança, tratando a recusa de Petro em reconhecer o resultado como tentativa de deslegitimar um pleito já validado por líderes internacionais. A revista Veja registrou que a postura do presidente 'amplia a tensão política' e qualificou como 'supostas' as irregularidades por ele apontadas. Veículos de esquerda, por outro lado, destacaram que a diferença foi mínima e o resultado ainda não é oficial, dando peso às denúncias concretas de Petro sobre boletins sem assinatura de mesários e à sua acusação de 'ingerência estrangeira', reforçada pelo telefonema de Trump ao candidato antes do escrutínio final. Petro afirmou que o país está 'partido ao meio' e defendeu um acordo nacional para preservar a paz.
O que ainda não se sabe é o resultado definitivo. O escrutínio oficial pode alterar os números da pré-contagem, ainda que no primeiro turno a variação tenha sido inferior a 0,1%. Também permanece em aberto se as urnas contestadas por Petro serão de fato impugnadas e qual o desfecho institucional caso o presidente mantenha a recusa em reconhecer a vitória do opositor.