A Fifa anunciou nesta semana a criação de uma subsidiária, a FIFA Forward Enterprise (FFE), que permitiria vender a investidores privados uma participação minoritária nos direitos comerciais da Copa do Mundo. A operação é estimada em cerca de US$ 20 bilhões, o equivalente a R$ 102 bilhões, e depende de aprovação das federações nacionais. O presidente da entidade, Gianni Infantino, afirmou que submeterá a proposta a voto.
A cobertura de centro relatou os fatos centrais sem imputar conduta ilícita: descreveu o desenho da nova subsidiária, o valor bilionário da operação e a forte rejeição pública ao plano. Destacou ainda que a Uefa, entidade que reúne 55 federações europeias, decretou boicote a todas as competições organizadas pela Fifa até que a ideia seja definitivamente abandonada, medida que pode atingir torneios como a Copa do Mundo Feminina de 2027. Nesse relato, a proximidade entre Infantino e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aparece como contexto, e não como acusação.
Veículos de esquerda deram peso ao ângulo político e às suspeitas de favorecimento. Enfatizaram que o fundo cotado para comercializar os direitos, o Thrive Eternal, é controlado por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro de Trump e enviado do governo americano. Registraram que um deputado democrata cobrou que Trump se explique ao Congresso e classificou o negócio como parte de uma 'tríplice coroa' de supostos esquemas de propina. Essa leitura recordou o 'Prêmio Fifa da Paz' entregue a Trump, o perdão presidencial concedido a Charles Kushner e sua posterior nomeação como embaixador na França, tratando o conjunto como sinais de mercantilização do futebol sob influência política.
Veículos de direita, por ora, não cobriram o caso de forma direta; a leitura provável desse lado enfatizaria a lógica de mercado da proposta, a autonomia da governança esportiva para decidir em votação e a presunção de inocência diante de acusações ainda sem prova, tratando a pressão de parlamentares como disputa política.
Onde as coberturas convergem: a existência da proposta, o valor de cerca de US$ 20 bilhões, a rejeição pública e o boicote anunciado pela Uefa. O que ainda não se sabe: se as federações aprovarão a criação da FFE, se Trump de fato comparecerá a alguma comissão do Congresso americano e quais são os detalhes contratuais da operação com o fundo ligado aos Kushner.