Urnas fecham na Colômbia sob clima de tensão
1 veículo de centro · 1 veículo de direita

Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
2 veículos
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Nenhum veículo de esquerda cobriu esta história.
Veículos com viés ao centro
Briefing
O que importa para você
O resultado define se a Colômbia mantém o primeiro governo de esquerda de sua história ou volta para a direita, com impactos diretos sobre a política de segurança, as negociações de paz com guerrilhas e a exploração de petróleo e gás.
Onde os lados divergem
- Veículos de direita enquadram o pleito como referendo sobre o fracasso do governo Petro em segurança e economia.
- A cobertura de centro equilibra os dois lados, ouvindo eleitores favoráveis a cada candidato e atribuindo as alegações de fraude ao presidente.
Onde os lados concordam
As duas coberturas concordam que Espriella chegou favorito após vencer o primeiro turno, que a disputa foi marcada por forte polarização em torno de símbolos nacionais e que Petro alegou fraude sem apresentar provas.
O que ainda está incerto
Faltam o resultado oficial da apuração e a confirmação de que todos os lados, incluindo Petro, aceitarão os números divulgados.
As urnas fecharam no domingo na Colômbia, encerrando uma jornada eleitoral tensa que definiu o segundo turno da disputa presidencial entre o advogado de direita Abelardo de la Espriella e o senador de esquerda Iván Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro. A votação transcorreu sem grandes incidentes, e os resultados preliminares eram aguardados para a noite, em um país que elegeu seu primeiro presidente de esquerda apenas em 2022.
A cobertura de centro relatou que Espriella chegou ao segundo turno como favorito, após vencer o primeiro com cerca de 43,7% dos votos contra 40,9% de Cepeda, mantendo liderança consistente nas pesquisas. A disputa foi marcada por uma polarização que chegou aos símbolos nacionais: a camisa da seleção colombiana, em plena Copa do Mundo, virou peça de campanha depois que Espriella pediu a seus apoiadores que fossem votar com o uniforme. Em resposta, militantes de Cepeda organizaram ações para reivindicar o mesmo símbolo, estampando camisas com a imagem de Jorge Eliécer Gaitán, líder assassinado em 1948 cuja morte desencadeou o período de violência conhecido como Bogotazo.
Veículos de direita enfatizaram que a eleição se transformou em um referendo sobre os quatro anos do governo Petro, marcado por dificuldades para aprovar sua agenda no Congresso e por críticas relacionadas à segurança pública e ao desempenho econômico. Nesse enquadramento, Espriella, sem experiência prévia em cargos eletivos, ganhou projeção defendendo o endurecimento do combate ao crime, a ampliação da exploração de petróleo e gás e a revisão das negociações com grupos armados. Eleitores ouvidos citaram o fracasso do projeto de 'paz total' e o medo do retorno das guerrilhas dissidentes das Farc como motivos para rejeitar a continuidade do projeto petrista.
Veículos de esquerda, por sua vez, destacaram a dimensão de defesa do projeto progressista iniciado em 2022. Cepeda apresentou-se como fiador da continuidade dos programas sociais e das reformas do atual governo, ainda que buscando independência em relação a Petro em temas desgastados. Eleitores favoráveis ao senador descreveram o adversário como polarizador e violento, e a reapropriação dos símbolos nacionais foi lida como uma reação à tentativa da direita de monopolizar a identidade do país. O candidato de direita se inspirou abertamente em líderes da região como o argentino Javier Milei e o brasileiro Jair Bolsonaro, que também usou a camisa da seleção como símbolo de campanha.
O clima apreensivo levou comerciantes e bancos em Bogotá a instalar tapumes em vitrines por temor de protestos após a divulgação dos resultados. A tensão foi ampliada por declarações do presidente Petro, que, depois do primeiro turno, levantou suspeitas sobre a contagem dos votos e mencionou possíveis irregularidades sem apresentar provas. O sistema eleitoral colombiano prevê uma apuração preliminar logo após o fechamento das urnas e uma contagem oficial que costuma levar alguns dias; em maio, os dois resultados praticamente coincidiram. A participação bateu recorde, com perto de 24 milhões de eleitores no primeiro turno.
Fontes
Pesquisas apontam vantagem do direitista Abelardo de la Espriella, enquanto Iván Cepeda tenta reverter resultado

Resultados preliminares devem ser divulgados ainda neste domingo; Abelardo de la Espriella lidera pesquisas
