As urnas fecharam neste domingo na Colômbia no segundo turno da eleição presidencial, encerrando uma das disputas mais polarizadas da história recente do país. De um lado, o advogado de direita Abelardo de la Espriella, favorito nas pesquisas. Do outro, o senador de esquerda Iván Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro e responsável por tentar manter no poder a coalizão que, em 2022, elegeu o primeiro presidente de esquerda da história colombiana. Os resultados preliminares eram esperados para a noite de domingo.
A votação transcorreu sem grandes incidentes, segundo a cobertura de centro, mas em clima de forte tensão. Comerciantes cobriram vitrines e bancos com tapumes em Bogotá por temor de violência, e militantes dos dois lados ocuparam as ruas durante todo o dia. As urnas fecharam às 16h locais, 18h no horário de Brasília.
Um traço marcou a reta final e foi destacado por todos os veículos: a disputa pelos símbolos nacionais. A camisa da seleção colombiana virou peça de campanha depois que De la Espriella pediu, antes do primeiro turno, que seus apoiadores fossem votar com o uniforme nacional. A reação veio do campo adversário. Apoiadores de Cepeda organizaram sessões de serigrafia para estampar nas camisas figuras da esquerda, como Jorge Eliécer Gaitán, líder político assassinado em 1948, cuja morte desencadeou o período de violência conhecido como Bogotazo. A coincidência com a Copa do Mundo reforçou o clima de rivalidade quase esportiva, que a cobertura de centro chegou a comparar a um Fla-Flu.
Nos números, De la Espriella chegou ao segundo turno em vantagem. Venceu o primeiro turno, em 31 de maio, com cerca de 43,7% dos votos, contra 40,9% de Cepeda, e manteve a liderança na maioria das pesquisas divulgadas desde então. Institutos e analistas consideravam uma virada do senador como surpresa.
É na leitura política da disputa que as coberturas divergem em ênfase. Veículos de direita enfatizaram que a eleição se transformou em um referendo sobre os quatro anos do governo Petro, marcado por dificuldades em aprovar sua agenda no Congresso e por críticas relacionadas à segurança pública e ao desempenho econômico. Nesse enquadramento, De la Espriella construiu sua candidatura defendendo o endurecimento do combate ao crime, a ampliação da exploração de petróleo e gás e a revisão das negociações com grupos armados. A cobertura de centro, por sua vez, relatou o fenômeno de forma mais descritiva, dando voz a eleitores dos dois campos e detalhando como a mobilização de base da esquerda em torno dos símbolos nacionais foi, em retrospecto, mais bem-sucedida do que a do próprio senador. Sob a ótica que veículos identificados à esquerda destacariam, o pleito colocava em jogo a continuidade do projeto de redução de desigualdades, programas sociais e acordos de paz inaugurado por Petro.
O que ainda não se sabia ao fechamento das urnas era o desfecho: nenhum resultado oficial havia sido divulgado, e a apuração apenas começava. As reportagens também não detalham de forma comparável as plataformas de governo dos dois candidatos para além dos rótulos de direita e esquerda, nem o tamanho real da participação eleitoral ao longo do dia.