As urnas fecharam no domingo na Colômbia, encerrando uma jornada eleitoral tensa que definiu o segundo turno da disputa presidencial entre o advogado de direita Abelardo de la Espriella e o senador de esquerda Iván Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro. A votação transcorreu sem grandes incidentes, e os resultados preliminares eram aguardados para a noite, em um país que elegeu seu primeiro presidente de esquerda apenas em 2022.
A cobertura de centro relatou que Espriella chegou ao segundo turno como favorito, após vencer o primeiro com cerca de 43,7% dos votos contra 40,9% de Cepeda, mantendo liderança consistente nas pesquisas. A disputa foi marcada por uma polarização que chegou aos símbolos nacionais: a camisa da seleção colombiana, em plena Copa do Mundo, virou peça de campanha depois que Espriella pediu a seus apoiadores que fossem votar com o uniforme. Em resposta, militantes de Cepeda organizaram ações para reivindicar o mesmo símbolo, estampando camisas com a imagem de Jorge Eliécer Gaitán, líder assassinado em 1948 cuja morte desencadeou o período de violência conhecido como Bogotazo.
Veículos de direita enfatizaram que a eleição se transformou em um referendo sobre os quatro anos do governo Petro, marcado por dificuldades para aprovar sua agenda no Congresso e por críticas relacionadas à segurança pública e ao desempenho econômico. Nesse enquadramento, Espriella, sem experiência prévia em cargos eletivos, ganhou projeção defendendo o endurecimento do combate ao crime, a ampliação da exploração de petróleo e gás e a revisão das negociações com grupos armados. Eleitores ouvidos citaram o fracasso do projeto de 'paz total' e o medo do retorno das guerrilhas dissidentes das Farc como motivos para rejeitar a continuidade do projeto petrista.
Veículos de esquerda, por sua vez, destacaram a dimensão de defesa do projeto progressista iniciado em 2022. Cepeda apresentou-se como fiador da continuidade dos programas sociais e das reformas do atual governo, ainda que buscando independência em relação a Petro em temas desgastados. Eleitores favoráveis ao senador descreveram o adversário como polarizador e violento, e a reapropriação dos símbolos nacionais foi lida como uma reação à tentativa da direita de monopolizar a identidade do país. O candidato de direita se inspirou abertamente em líderes da região como o argentino Javier Milei e o brasileiro Jair Bolsonaro, que também usou a camisa da seleção como símbolo de campanha.
O clima apreensivo levou comerciantes e bancos em Bogotá a instalar tapumes em vitrines por temor de protestos após a divulgação dos resultados. A tensão foi ampliada por declarações do presidente Petro, que, depois do primeiro turno, levantou suspeitas sobre a contagem dos votos e mencionou possíveis irregularidades sem apresentar provas. O sistema eleitoral colombiano prevê uma apuração preliminar logo após o fechamento das urnas e uma contagem oficial que costuma levar alguns dias; em maio, os dois resultados praticamente coincidiram. A participação bateu recorde, com perto de 24 milhões de eleitores no primeiro turno.
O que ainda não se sabe é o resultado final do pleito, validado pela contagem oficial, e se Petro e os dois campos aceitarão os números divulgados. Também permanece em aberto como o vencedor conduzirá os impasses sobre segurança, economia e as negociações de paz que dominaram a campanha.