Mais de 140 venezuelanos deportados pelos Estados Unidos estão desaparecidos depois que o hotel onde estavam hospedados desabou durante dois terremotos que devastaram a Venezuela na última semana. O grupo, formado por cerca de 146 pessoas, entre elas mulheres e crianças, havia partido de Miami em um voo de deportação e desembarcado em Caracas poucas horas antes dos tremores. Foi então levado pelas autoridades venezuelanas ao Hotel Santuário La Llanada, na cidade de La Guaira, uma das áreas mais atingidas. O prédio ruiu durante os abalos, de magnitudes 7,2 e 7,5, registrados com menos de um minuto de intervalo. Segundo o jornal El País, apenas 12 integrantes do grupo foram encontrados com vida.
A cobertura de centro relatou a sequência dos fatos com detalhe e atribuição de fontes. Sobreviventes contaram à agência Associated Press e à rede Telemundo como escaparam dos escombros. Lisbeth Portillo, de 58 anos, disse ter ficado soterrada sob uma viga até que o balanço das réplicas deslocou os destroços e permitiu sua saída; deixou o local com cerca de 20 outros deportados, percorrendo cinco quilômetros pelas ruas em busca de ajuda. Jenny Rodriguez, de 24 anos, relatou ter sido resgatada por um homem que também havia sido deportado no mesmo voo. O Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos, o ICE, não se pronunciou sobre a operação.
Há convergência entre os veículos quanto ao núcleo dos fatos: o voo, o alojamento no hotel, o desabamento e o número reduzido de sobreviventes. Todos registram que a política de deportação em massa do governo de Donald Trump intensificou os voos para a Venezuela desde 2025, com mais de 5.700 venezuelanos enviados de volta a Caracas. Os boletins oficiais do regime venezuelano, divulgados pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, apontam entre 1.450 e 1.719 mortos, conforme o momento da apuração, além de milhares de feridos e desalojados. As Nações Unidas estimam que até 50 mil pessoas ainda possam estar desaparecidas.
É na ênfase que as coberturas se separam. Veículos de esquerda destacaram o custo humano da política migratória, sublinhando que mulheres e crianças foram devolvidas a um país em crise e deixadas sem proteção em uma zona de risco, e que o ICE não se responsabilizou pela sorte dos deportados. Veículos de direita enfatizaram que se tratava de migrantes irregulares devolvidos ao país de origem dentro de uma política de controle de fronteiras, e que a decisão de alojar o grupo em La Guaira coube ao regime chavista, que até agora não divulgou a lista de vítimas. A cobertura de centro situou ainda a dimensão do desastre natural, descrito como o evento sísmico mais significativo da Venezuela em mais de um século.
O que ainda não se sabe é central na história. O governo venezuelano não publicou os nomes dos mortos nem informou quantos dos deportados morreram, foram resgatados ou continuam sob os escombros. Não há resposta oficial do ICE sobre o voo, e os números de vítimas seguem provisórios, com tendência de alta à medida que as equipes de resgate avançam. O Itamaraty confirmou a morte de dois brasileiros na tragédia, um homem e uma mulher, mas o balanço final da catástrofe permanece em aberto.