O deputado estadual da Flórida Daniel Pérez, indicado por Donald Trump para assumir a embaixada dos Estados Unidos no Brasil, admitiu nesta quinta-feira, em sabatina no Comitê de Relações Exteriores do Senado americano, que os Estados Unidos têm superávit comercial com o Brasil. Questionado pelo senador democrata Tim Kaine sobre se os EUA vendiam mais ao Brasil do que compravam, Pérez respondeu que sim, e confirmou, quando pressionado, que o saldo era 'enorme'. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços situam esse superávit americano em cerca de US$ 7,5 bilhões no último ano, o equivalente a R$ 38 bilhões. A declaração ocorreu um dia depois de o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos anunciar tarifa de 25% sobre exportações brasileiras, com entrada em vigor prevista para 22 de julho de 2026. Até o momento, apenas o Diário do Centro do Mundo cobriu o episódio entre os veículos analisados nesta story, relatando que o governo americano justificou a tarifa citando 'práticas comerciais desleais' atribuídas ao Brasil, entre elas questões ligadas ao sistema de pagamentos Pix, à proteção de propriedade intelectual, ao acesso ao mercado de etanol e ao desmatamento ilegal. Pérez afirmou que não conhecia inteiramente a decisão do escritório comercial americano, disse que a medida foi tomada enquanto ele dormia e evitou detalhar a formulação da tarifa. Ao defender sua indicação, afirmou pretender atuar na proteção de cidadãos americanos, no avanço de interesses comerciais e de investimento, na construção de parcerias contra crimes transnacionais e tráfico de drogas, além de apoiar instituições democráticas e liberdade de imprensa. A reportagem também reproduz um tweet do deputado federal Guilherme Boulos classificando a sabatina como prova de que o governo americano teria mentido sobre o desequilíbrio comercial. Trump indicou Pérez em 1º de junho de 2026 para o posto em Brasília, mas o diplomata ainda não assumiu: o governo brasileiro segue avaliando a aprovação do nome, enquanto a diplomacia americana avançou no anúncio da tarifa sem cumprir etapas tradicionais, como a consulta prévia sobre o indicado. Ainda não se sabe se o governo americano vai detalhar publicamente a metodologia usada para justificar a tarifa apesar do superávit admitido, nem qual será a decisão final do governo brasileiro sobre a posse de Pérez, tampouco se a cobrança de 25% entrará em vigor na data prevista ou sofrerá negociação até lá.