Vivo vira alvo na Anatel por bloquear chamadas da saúde
Relato de fonte única, atribuído a Revista Fórum. Esta cobertura não compara posições do espectro político.

Resumo da cobertura
A Anatel abriu investigação contra a Vivo após reclamações de que o sistema Vivo Anti Spam estaria bloqueando chamadas legítimas na rede da operadora, incluindo telefonia usada por serviços públicos de saúde em São Paulo. O sistema, gratuito e ativado automaticamente para clientes Vivo Móvel, impede que ligações classificadas como spam sejam completadas, diferindo de identificadores que apenas sinalizam suspeita. A Secretaria Municipal de Saúde de SP, que mantém contrato com a 3Corp para telefonia do SAMU-192, relatou falhas no completamento de chamadas. A agência terá de avaliar se a ferramenta protege consumidores sem restringir indevidamente o tráfego telefônico legítimo.
Briefing
O que importa para você
- Clientes Vivo Móvel têm o Anti Spam ativado automaticamente e de graça, mas ligações legítimas podem ser barradas sem aviso.
- Serviços de saúde de SP (hospitais, UPAs, UBSs e SAMU-192) tiveram chamadas afetadas.
- Titulares de linhas bloqueadas podem pedir revisão via formulário da operadora.
Onde os lados concordam
A cobertura reconhece que o Vivo Anti Spam bloqueia chamadas na própria rede da operadora antes de serem completadas e que ligações legítimas, inclusive de serviços de saúde em São Paulo, foram afetadas, levando a Anatel a investigar o caso.
O que ainda está incerto
- Não há desfecho da investigação da Anatel nem prazo definido.
- Não se sabe quantas chamadas foram bloqueadas nem o total de reclamações.
- Falta a manifestação formal da Vivo sobre o caso específico da rede de saúde de São Paulo.
A Agência Nacional de Telecomunicações, a Anatel, abriu uma investigação contra a Vivo após reclamações de que o sistema Vivo Anti Spam estaria bloqueando chamadas legítimas na rede da operadora. O caso ganhou peso porque, entre as ligações barradas, estariam comunicações de serviços públicos de saúde em São Paulo, incluindo hospitais, UPAs, UBSs e a central de urgências do SAMU-192.
Até o momento, apenas o veículo Revista Fórum, de perfil editorial de esquerda, cobriu o caso, relatando os detalhes técnicos e regulatórios do episódio. Segundo a reportagem, o Vivo Anti Spam funciona de forma diferente de um identificador comum: em vez de apenas sinalizar ao usuário a suspeita de spam, o sistema atua diretamente na rede móvel e impede que a chamada classificada como inconveniente seja completada. Em comunicado oficial de dezembro de 2024, a Telefônica Brasil, dona da Vivo, afirmou que a ferramenta bloqueia as ligações antes de serem completadas para os clientes. O serviço é gratuito e ativado automaticamente para clientes Vivo Móvel, sem depender de aplicativo instalado no celular.
A cobertura de fonte única detalha ainda o vínculo com o poder público. A Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo mantém contrato com a 3Corp Technology Infraestrutura de Telecom para serviços de tecnologia e contact center da central de regulação de urgências do SAMU-192. O documento, referente ao contrato 042/2024, está disponível no portal da Prefeitura de São Paulo e inclui a atualização e ampliação da central de telefonia do serviço de urgência.
Há pontos em que a matéria expõe tensões que dividiriam leitores conforme sua leitura política. Sob um ângulo mais próximo da esquerda, o episódio ilustra os riscos de deixar a uma empresa privada o controle sobre quais chamadas chegam ao cidadão, sobretudo quando o filtro atinge serviços essenciais de saúde e falta transparência sobre os algoritmos, auditoria pública e um caminho rápido de contestação. Sob um ângulo mais próximo da direita, o Vivo Anti Spam aparece como uma resposta de mercado legítima ao telemarketing abusivo, aos golpes e às robocalls, com a operadora sustentando que empresas em conformidade com o padrão de autenticação STIR/SHAKEN não são bloqueadas, o que deslocaria parte da responsabilidade para os contratantes públicos que ainda não adotaram a tecnologia.
A própria Anatel reconhece que a autenticação e identificação de chamadas ainda está em fase de adoção gradual, e que ligações legítimas podem continuar sendo feitas sem esses elementos, especialmente por empresas ou operadoras que ainda não aderiram à solução. Esse ponto aumenta a pressão sobre filtros privados que usam a autenticação como critério para tratar chamadas como confiáveis. A agência, que já mantém uma frente regulatória contra chamadas abusivas e robocalls, terá agora de avaliar se o Vivo Anti Spam protege consumidores sem restringir indevidamente o tráfego telefônico legítimo.
Fontes
Vivo Anti Spam vira alvo na Anatel após queixas de bloqueio de chamadas legítimas, incluindo ligações da saúde pública em SP.
